Especialização Precoce no Desporto
Introdução
Com a realização deste trabalho pretendo reflectir um pouco acerca da especialização precoce no desporto, um tema bastante importante que deve estar sempre na mente de qualquer treinador que trabalhe com crianças e jovens desportistas.
Especialização Precoce
Antes de começar a abordar o que é a especialização precoce e quais as suas desvantagens e vantagens convêm sabermos o que significa especialização. Assim, especialização é uma atribuição unilateral para uma única actividade, é passarmos de um quadro muito diversificado para as exigências de uma única actividade.
Assim Especialização Precoce caracteriza-se por uma preparação desportiva de crianças e jovens, num momento em que as suas capacidades desportivas ainda não o permitem. Esta especialização tem como objectivo obter resultados de uma forma rápida, limitando uma evolução posterior.
Para evitar esta situação, os técnicos deverão possuir conhecimentos suficientes para saber quando a criança ou jovem poderá iniciar-se na especialização.
“Uma maçã não deve colher-se a meio da sua maturação. O seu sabor nunca será o mesmo” (Nadori, 1987). A criança deverá manter-se sempre no seu estado de prontidão: estado de equilíbrio entre as exigências proposta pela modalidade e capacidade de resposta da criança.
Na prática, não é fácil identificar a prontidão da criança, visto que o seu crescimento é diferencial, e por esse motivo, o treinador deve ter particular atenção.
Dimensões da Prontidão Motora
• Aspectos Biológicos: devido á variabilidade entre sujeitos, os estados de prontidão variam de criança para criança. No entanto, a modalidade também interfere na especialidade desportiva, isto é, os desportos técnicos obrigam a uma entrada precoce na preparação especializada.(ex.: ginástica)
• Aspectos Psicossociais: até aos 10 anos sabe-se que a criança não está desenvolvida psicologicamente para participar em competições. Até aos 12 anos, a criança vai assimilando capacidades de socialização que lhe permite competir.
• Aspectos Motores: a prontidão deverá ter em conta as competências motoras e técnicas que a criança possui, em relação á modalidade que pratica.
Observação: Desportos técnicos: ginástica, patinagem artística, saltos para a água e salto de esqui, são desportos que a prestação é condicionada essencialmente por factores sensorio-motores, em que as performances são avaliadas consoante a sua interpretação técnica Idade 10 anos (excepto, saltos para a água e esqui) 14 anos
Desportos Tácticos: factores perceptivo, cognitivos 13/14
Causas da especialização precoce
1- Fenómeno da aceleração: alargamento dos períodos biológicos activos, em que ao começar o treino mais cedo significa o atingir de valores morfológicos e funcionais mais elevados no final do seu desenvolvimento. Pode estar associado á melhoria da higiene corporal, alimentação, actividade física controlada, que possibilita os jovens de suportar cargas mais elevadas;
2- Contributo cientifico (conhecimento do corpo humano) e fenómenos de arrastamento (ginástica arrastou os outros desportos)
3- Ausência de formação dos treinadores
4- Pressões exteriores ao treino
5- Adopção de um sistema de competição do desporto infantil à imagem das formas de concentração do desporto de alto nível.
Consequências da Especialização Precoce
No plano desportivo, sabe-se que muitos atletas não atingem as etapas posteriores, nem os rendimentos prognosticados. Noutros, o tempo de actividade no alto nível é reduzida, e muitos não atingem o alto rendimento, porque esgotam prematuramente a sua capacidade de prestação, abandonam o treino.
No plano da saúde, observa-se diminuições na eficácia do sistema imunológico e nota-se um desajuste no desenvolvimento corporal e motor devido a atrasos no crescimento, ossificação prematura.
Deste modo, a preparação desportiva deverá ser feita por etapas e estádios com ordem crescente, procurando criar condições favoráveis para os jovens saírem cada vez mais preparados para as fases profissionais.
Preparação Geral vs. Preparação Especifica
Assim, os modelos do desporto devem cumprir as premissas fundamentais para a formação dos jovens. (modelo: é uma antecipação ou formulação de um conjunto de propostas para a formação desportiva). Nestes modelos existe uma relevância muito importante para o treino geral e treino específico.
Desta forma, toda a aquisição, aprendizagem ou desenvolvimento de uma actividade supõe uma apreensão anterior de vivências semelhantes (embora não tão complexas). A aquisição de uma prática básica mais geral é fundamental para uma futura aquisição de uma prática mais específica.
Com isto, o processo de especialização deve ser feito de acordo com o princípio da especialização crescente das cargas, mas tendo em conta uma lógica temporal (respeitando as fases sensíveis).
Na prática desportiva, os treinadores de alto rendimento consideram uma perda de tempo a utilização de cargas gerais visto não se relacionar directamente com o rendimento, podendo o atleta ser prejudicado.
Resumindo…
• A Especialização Precoce: especialização cedo demais, com o objectivo de promover condições para a obtenção do rendimento (tem a vantagem de ocorrer uma rápida obtenção de resultados mas a grande desvantagem de limitar a sua posterior evolução) MAL SUCEDIDO!!!
• A Construção e o Desenvolvimento da Prestação: onde se faz de acordo com o desenvolvimento individual e a especialização progressiva. “ O primado é o da formação multilateral”. Assim, os resultados não são sempre a principal preocupação do treinador mas sim a formação geral, a formação de base do atleta para que este consiga nas seguintes etapas fazer a especialização na sua actividade e alcançar a maximização atingindo, desta forma, o alto nível, a optimização que todos procuram alcançar, onde os resultados já interessam BEM SUCEDIDO (vantagem - treino diversificado e multilateral, rico em estímulos, sem rotina, mais motivação para o atleta, maior tomada de decisão) (desvantagem – a obtenção de resultados não é imediata mas sim a longo prazo, pois o objectivo é formar crianças para mais tarde estarem no alto nível, entre os melhores)
Conclusão
Em suma, o treinador deverá ser uma pessoa que conhece as especificidades biológicas, psíquicas e sociais do desenvolvimento da criança e do adolescente, sabendo utilizá-las na prática.
Assim, os treinadores dos mais jovens têm de depender menos dos resultados do presente e mais do número de desportistas que ajudam a atingir os estágios mais avançados da preparação desportiva.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Etapas do Processo de Iniciaçao desportiva Almaguer López, Richard
Indice
1. Introducción.
2. Etapas del proceso de iniciacióndeportiva.
3. El modelo tradicional deiniciación deportiva.
4. Los modelos alternativos deiniciación.
5. Bibliografia.
1. Introducción.
El articulo comprende un análisis sobre diferentes fases y etapas de lainiciación deportiva, así como de los modelos de enseñanza utilizados.
En el ámbito de la Educación Física y el Deporte se han desarrollado cambiosen las formas de practicar el ejercicio físico, el hombre en su afán de lograrmejores resultados deportivos ha experimentado diferentes modelos de enseñanza,estos modelos reciben una gran influencia de los avances de las CienciasSociales, en lo que se destaca la Psicología y la Pedagogía.
Un artículo publicado recientemente destaca que los cambios sociales originadosen las últimas tres décadas favorecieron el surgimiento y desarrollo dediversas corrientes y tendencias pedagógicas que constituyen distintas manerasde entender y desarrollar la Educación Física, estas son: La Psicomotricidad,la Psicocinética, la Expresión Corporal, la Sociomotricidad, el DeporteEducativo, el Deporte-Recreación, los Aeróbicos, las técnicas de relajaciónorientales, el Stretching, hasta el
culturismo renovado (López, A 2000: 1)
No se pretende hacer un análisis de todas las corrientes pedagógicasutilizadas a escala mundial, la cuestión es analizar las aplicadas en elproceso de iniciación deportiva y que en la actualidad se conocen como modelostradicionales y modelos alternativos de iniciación.
2. Etapas del proceso de iniciación deportiva.
Todo proceso de enseñanza en la actividad física y el deporte estáorientado hacia determinados objetivos que conducen hacia la educación y elperfeccionamiento de las formas y funciones del organismo humano e irincrementando paulatinamente los rendimientos individuales y colectivos.
Los autores que han trabajado la iniciación deportiva, consideran muyimportante planificar este proceso en determinadas etapas y fases, atendiendo alas características del niño la edad y el tipo de deporte. La edad con la cualun individuo inicia un deporte es vital, aunque no se excluye la posibilidad deiniciar siendo adulto, pero el problema estaría en la duración de la vidadeportiva una vez aprendido el deporte.
Existen diversos criterios respecto a la edad para iniciar un deporte, Diemm,en su libro "El deporte en la infancia" defiende la idea de que lainiciación puede producirse desde mucho antes de los 10 años, señalando quela capacidad para el juego, la competencia en grupo comienza desde los 5 o 6 años,Barrios, R (1998).
Otros autores como (Cercel, P 1980 y Müler, M 1996) consideran que lainiciación deportiva puede ser hacia los 10 años, en tanto que Leali, G(1985), plantea iniciar la práctica del deporte hacia los 7/8- 10 años hastalos 18 y divide la iniciación en 5 etapas, cada una de 5 años, Mondoni, M(1983), hace igual propuesta, pero desde los 6-8 hasta los 18-20 años.
Por otro lado (Álvarez del Villar, C 1983, Navarro Valdivieso, F 1968 yTschien, P 1980), define que debe ser desde los 8-10 años, hasta los 18-20 añosy proponen tres etapas:
1.- Etapa de formación básica.
2.- Etapa de formación específica.
3.- Etapa de perfeccionamiento deportivo.
La primera etapa consiste en la búsqueda de una formación genérica ypolivalente para que el niño adquiera las bases del movimiento.
En la segunda se enseña la estructura funcional del deporte de una manera específicay en la tercera se perfeccionan los aprendizajes.
El criterio es que estas etapas duren un periodo de 8-10 años; cuando se hacecon niños puede empezar hacia los 7-8 años.
Un análisis realizado por Hernández Moreno, J (1998) a partir de lasperspectivas de la estructura funcional del deporte, señala los diferentesmodelos utilizados en el proceso de formación de la iniciación deportiva, asícomo las etapas y contenidos básicos de cada una de ellas.
Wein, H (1988) propone un modelo dividido en cinco etapas:
1er Nivel: Juego de habilidad y capacitación de base.
* Juegos polivalentes.
* Habilidades básicas.
2do Nivel: Juegos simplificados.
* Practicas de juegos similares al deporte que se aprende, simplificados.
3er Nivel: Minideporte.
* El deporte de que se trate con número reducido de participantes.
4to Nivel: Juego modificado.
* Simplificación de las reglas de juego del deporte.
5to Nivel: Juego reglamentado.
* Práctica del deporte como tal.
Vankersschaver, (1982), utiliza una estructuración en tres fases, dispuestade la siguiente manera:
1ra Fase: Centración.
* Familiarización con el espacio.
* Técnicas básicas y elementales.
* Estrategias simples.
* Reglas fundamentales.
* Interacciones sustantivas.
2da Fase: Descentración.
* Espacio específico básico.
* Técnicas aplicadas.
* Estrategias combinadas.
3ra Fase: Estructuración.
* Espacios combinados y aplicados.
* Técnicas en función de la estrategia.
* Estrategias complejas.
En tanto que Sánchez Bañuelos, F (1984), concibe una estructura de sietefases o etapas:
1ra Presentación global del deporte.
* Conocimiento de las reglas fundamentales.
* Comprensión del objetivo del deporte.
2da Familiarización perceptiva.
* Vivencia de los aspectos perceptivos.
* Formación de la atención selectiva.
3ra Enseñanza de los modelos técnicos de ejecución.
* Adquisición de los fundamentos técnicos individuales.
4ta Integración de los elementos técnicos en situaciones básicasaplicadas.
* Comprensión de la utilidad de cada fundamento.
* Desarrollo de la anticipación perceptiva.
5ta Formación de esquemas básicos de decisión.
* Desarrollo de la táctica individual.
* Desarrollo de la anticipación.
6ta Enseñanza de esquemas tácticos colectivos.
* Desarrollo de la estrategia de conjunto.
* Toma de conciencia de la utilidad de cada estrategia.
7ma Acoplamiento técnico táctico de conjunto.
* Desarrollo de la capacidad de coordinación de acciones.
* Desarrollo del sentido cooperativo y espíritu de equipo.
Por su parte Hernández, J (1998) hace una propuesta para el Fútbol, queconsidera aún no concluida con las siguientes fases:
1.- Presentación global de la actividad.
2.- Familiarización perceptiva.
3.- Adquisición de los principios básicos y elementales del juego.
4.- Adquisición de los modelos de ejecución.
Individuales.
* De cooperación.
* De oposición.
* De cooperación/oposición.
5.- Adquisición de modelos de decisión estratégico motriz.
Individuales.
* De cooperación.
* De oposición.
* De cooperación/oposición.
6.- Práctica de juego reducido un grupo, partiendo del 3 x 3 como mínimo.
7.- Juego total.
Devís, J (1992) es partidario de utilizar una progresión que denomina juegosmodificados y caracteriza el proceso en tres fases:
Fase: Denominada por la globalidad del juego modificado, donde la técnica esreducida y/o modificada.
Fase: Que se caracteriza por la representación de la situación de juego, perocomo si fueran juegos modificados, debido a su globalidad, según el autor eneste momento puede introducirse o no la técnica estándar.
Fase: Aparece el juego deportivo propiamente dicho, con la técnica que lecorresponde y utilización de situaciones específicas de juegos combinadoseventualmente o a modo de calentamientos con juegos modificados.
Jiménez, F (1993) propone cuatro fases que comprenden los siguientes aspectos:
Fase 1: Toma de conciencia de la estructura reglamentaria básica.
Fase 2: Comprensión del comportamiento estratégico del equipo: desarrollandolos principios generales del juego en ataque y defensa.
Fase 3: Comprensión del comportamiento estratégico individual; intentandomejorar los medios tácticos ofensivos y defensivos. También criterios deorganización de fases del juego.
Fase 4: Ajuste del comportamiento individual y colectivo a los sistemas dejuego.
Antón García, J (1990) se refiere a una serie de principios metodológicospara ajustarlos a diversas edades en tres fases a las que le llama: formación-iniciación(8-12 años), una segunda de configuración (13-14 años) y la tercera quecorresponde a la consolidación del aprendizaje específico (15-16 años).
Etapa de formación-iniciación.
* Utilización predominante de la metodología global-juego y constante análisis de los comportamientos observados.
* Definición de la lateralidad-desarrollo del lado débil y perfeccionamiento del lado dominante.
* Grado de complejidad reducido al número elevado de repeticiones de ejercicios técnico-tácticos.
* Intensidad baja y ejecución con variabilidad que cree una amplia disponibilidad motriz, basada en aplicación y utilización de movimientos básicos.
* Trabajo con grupos pequeños, espacios amplios.
* Práctica de diversos juegos y competiciones.
Etapa de configuración.
* Utilización predominante de intervenciones que busquen el desarrollo de la bilateralidad.
* Grado de complejidad superior a la etapa anterior y número de repeticiones elevado.
* Aumento progresivo de la velocidad de ejecución en acciones técnico-tácticas individuales y colectivas.
* Reducción de espacios en trabajo por grupos.
* Acciones técnico-tácticas combinadas sin y con oposición.
Etapa de consolidación del aprendizaje específico.
* Empleo del juego deportivo reglamentario absoluto.
* Utilización sistematizada de diferentes aspectos de evolución colectiva.
* Introducción al trabajo de fuerza y descontracción-relajación en proporcionalidad.
* Mayor complejidad ocasionada por las características, más exigentes, de la oposición y la velocidad de ejecución.
* Selección de tareas y funciones específicas, con ajuste de trabajos individuales de ataque y defensa.
Para la concreción de estas etapas el autor propone un esquema de modelopedagógico para la enseñanza, que contiene los principios en los cuales estese basa, específica los diferentes medios que se utilizan en el proceso de enseñanza/aprendizajecon un carácter analítico, es decir, mediante el modelo ideal de la técnica yla utilización de situaciones pedagógicas que permiten la ejecución abiertapara lograr la intervención del niño mediante la búsqueda.
Este modelo, más adelante propone diferentes actividades espontáneas,elaboradas y codificadas. Las primeras inducen a la acción y a la actividad debúsqueda, en la segunda el niño perfecciona los gestos y los enriquece enfunción del colectivo y las terceras parten de la información y enseñanzaconcreta para iniciar acciones determinadas y dirigidas.
Figura 1. Esquema pedagógico propuesto para la enseñanza.
Torrescusa, L (1991) nombra las etapas de iniciación deportiva como etapas deaprendizaje, considerando para ello las siguientes:
1.- Presentación global del deporte.
2.- Familiarización perceptiva: Hace referencia a la captación de estímulosque proceden el entorno, donde el niño va a juegos formas o métodos que seutilizan:
* Juegos predeportivos.
* Juegos simplificados.
3.-Adquisición de técnicas fundamentales.
4.- Especialización e integración de los elementos técnicos.
5.- Formación e integración de los esquemas de decisión: se identifica conlas actitudes tácticas y la toma de decisión.
6.- Táctica colectiva: se inicia aumentando el número de jugadores 2,3,4,5,6.
7.- Experiencias competitivas.
Giménez Fuentes- Guerra, F (2001) proponen diferentes etapas en función dela edad y del contenido:
INICIACIÓN
1.- Aplicación de las habilidades genéricas en el juego.
2.- Inicio en las Habilidades específicas.
3.- Trabajo colectivo básico.
DESARROLLO
4.- Desarrollo genérico.
5.- Desarrollo específico.
PERFECCIONAMIENTO
6.- Especialización.
7. Polivalencia.
(Fase de formación, de la propuesta)
El autor señala que esta primera fase supone el primer contacto con eldeporte en las edades entre los 8 y 12 años aproximadamente, más adelante lassubdivide en tres subetapas:
* Aplicación de las habilidades genéricas en el juego deportivo (desde 7-8 a 9-10 años). En este sentido considera empezar la práctica deportiva sin trabajar habilidades específicas y si seguir utilizando habilidades genéricas básicas y aplicarlas en uno o varios deportes. Sólo aplicar el deporte como medio motivante.
* Inicio en el trabajo de habilidades específicas más sencillas de cada deporte (bote, conducciones, lanzamientos, paradas, fintas).
* Trabajo colectivo básico: Entre los 10-12 años, considera el trabajo colectivo, de forma sencilla, progresiva y lúdica de los medios colectivos básicos: pase y recepción, pase y desplazamiento, fijaciones, utilización de espacios libres etc.
Con respecto a la edad la mayoría de los autores analizados coinciden quelas habilidades básicas se adquieren entre los 6 y 12 años y las específicasa partir de los 12 años, desde las perspectivas de la presente investigaciónel Balonmano a pesar de ser un deporte, básicamente es un juego y lo másimportante es que el niño juegue y amplíe sus posibilidades de movimiento,lograr un aprendizaje más alegre para no atrofiar el comportamiento lúdico.
Una vez expuestos los diferentes puntos de vista de los autores antesanalizados, sobre las etapas de formación deportiva, se muestra una propuestaque coincide con la metodología para la comprensión del juego de Balonmano; yque fue utilizada en las edades comprendidas entre los 8 -10 años.
Para ello se han considerado diferentes características de los niños en estasedades, entre las que se encuentran el engrosamiento de su cuerpo, amplían suambiente social, las relaciones interpersonales, es una etapa de la vida demucho interés por saber, donde lo particular se ajusta al colectivo, respetanlas reglas colectivas e individuales.
En las edades antes señaladas se ajusta la percepción y la orientaciónespacial al balón y su trayectoria, diferencian velocidades y distancias(integración temporal-espacial). Emocionalmente son más estables, abandonanlos caprichos y racionalizan su situación, incrementan su interés ymotivaciones. Durante esta etapa de la vida el aprendizaje se torna rápido y elniño compite por hacerlo mejor, aprovechando su fuerza y flexibilidad.
Durante los 8 –10 años de edad existe una mejora de la psicomotricidad delos niños, aumentando su movilidad, equilibrio, sentido del ritmo y delespacio.
Dadas las características del niño cubano, entre los 8 – 10 añosaumentan su sentido de responsabilidad y orientación hacia la actividadcognitiva, es de considerar que enseñar un deporte de cooperación/oposición,no constituye una especialización temprana, bastaría conocer los objetivos quese persiguen y lograr que inicialmente el niño compita por el placer de jugar,que conozca los principios y algunos problemas que debe resolver en el juego,finalmente jugar con el fin de que todos ganen y nadie pierda, desarrollandoproceso cooperativos, lo más importante es la formación educativa, preparar alniño a vivir en sociedad.
3. El modelo tradicional de iniciación deportiva.
El modelo tradicional ha sido seguido por la inmensa mayoría de losprofesionales que laboran en la Educación Física y el Deporte. Se ha llevadoal entrenamiento deportivo, la pedagogía que plantea el modelo es a partir dela creación de una base técnica individual en los alumnos, una vez creada ésta,se trabaja la táctica individual, luego de grupo y finalmente la táctica deequipos. En este tipo de modelo se repite e imita el modelo de entrenamiento delos adultos con ciertas adaptaciones para los niños.
Este tipo de modelo tradicional o "médico" comienza adesarrollarse desde la primera mitad de siglo.
Las bases científicas de este modelo están en las Ciencias Biomédicas:Morfología, Fisiología, Bioquímicas y Biomecánicas del movimiento humano,centrando su atención en el funcionamiento estructural y orgánico del cuerpohumano y en los efectos que ejerce el ejercicio físico sobre el mismo.
Entre los objetivos principales de este modelo está el desarrollo de lacapacidad de rendimiento físico o motor. Las habilidades y hábitos que seforman a partir de este tipo de enseñanza se realizan sobre la base de larepetición- imitación de acciones, técnicas o modelos de movimientos.
En 2002, López, A. Critica este tipo de modelo, refiriéndose a que en elproceso de enseñanza – aprendizaje el alumno es un ente pasivo, que se limitaa procesar la información y a ejecutar acciones hasta lograr el dominio de loque se le enseña.
El método tradicional se basa en la lógica del pensamiento del adulto, enun proceso de análisis, asociación y síntesis, primeramente una acción seenseña desde la repetición fraccionada donde se analizan las partes delmovimiento, seguidamente se asocian en la medida que se van asimilando hasta laejecución global de la acción de juego, donde se sintetizan las partes en untodo único, sólo cuando se ha dominado un gesto es que se puede pasar alaprendizaje de otro y finalmente continúa el encadenamiento de las diferentesacciones.
López, A (2000) expone que a partir de la revitalización de las Olimpiadasde la era moderna el deporte se ha difundido y ha ejercido una gran influenciaen la Educación Física, pasando a integrar los currículos escolares, esto haprovocado la introducción del modelo deportivo, que tiene sus raíces en larepetición y automatización de los hábitos motores.
Al respecto Cagigal (1972) citado por Rodríguez, J (1995: 35) concluye:
"La perfecta ejecución de un movimiento se logra con repetición yautomatización. Para el rendimiento en el deporte, la automatización esnecesaria. ¿Es verdaderamente educativa la automatización? Esta "puedeser negativa en la medida en que le quita tiempo de disfrute de la verdadera prácticadel juego y en la medida en que limite su expresión personal, necesidad ecológicay antitécnicista ".
La enseñanza con el modelo tradicional se aleja de los intereses de los niñosen edad escolar, ellos requieren de una motivación en la tarea, que mediante larepetición fraccionada de determinados gestos es difícil de lograr. Además,la eficacia en cuanto a la asimilación de destrezas deportivas queda enentredicho, pues el niño accede al conocimiento por organización progresiva deestructuras y la interacción con el medio, va proporcionando las bases para lacreación de una estructura global (Blázquez, 1995).
Hernández, J (1998: 17) sobre la corriente pedagógica tradicional exponeque "tiene como idea central el análisis de los elementos y sudescomposición en parte, con lo que el deporte que se pretende enseñar sesecuencializa y divide en partes que son enseñadas al individuo, primero porpartes que se van agrupando o uniendo entre sí a medida que el individuoprogresa en su aprendizaje".
La idea de Hernández, J (1998) es similar a la de los autores analizados conanterioridad.
El modelo tradicional se apoya en las teorías asociacionistas, basadofundamentalmente en la formación de la técnica previo paso al aprendizaje tácticoy al juego en situación real.
En 1990, Antón J reconoce este tipo de enfoque como "mecanicista-analítico",centrado en la técnica, es decir, en la búsqueda del gesto preciso y exacto enrelación con un "modelo" de referencia.
La enseñanza centrada en la racionalidad técnica en el modelo de objetivos,donde los médicos son instrumentos para conseguir un fin conductualespecificado, acabó repasando la teoría de la práctica, condición física dela técnica y ésta de la táctica y la habilidad técnica del contexto real deljuego (Devís, 1992)
El hecho de entrenar un deporte de cooperación oposición sin tener en cuentafactores tales como: la complejidad, la adaptabilidad y la incertidumbre en queestos se desarrollan alejan al alumno del contexto real del juego.
Devís, J (1992) cita del trabajo de Brenda Read (1988) "el modeloaislado" (figura 1). Este tipo de modelo también parte de la formación dehabilidades técnicas fuera del contexto del juego mediante un entrenamiento técnico,estas habilidades técnicas logradas mediante la repetición consecutiva seincorporaron en situaciones simuladas predeterminadas y que también sonaislados de juego, las acciones realizadas tienen un objetivo puramente técnico,todo esto conduce a que cuando el alumno llega al contexto de juego susexperiencias técnicas no permiten solucionar los problemas del juego, debido aque estas no cumplen una lógica real del contexto donde se realizan.
Figura 1 Modelo aislado.
Evidentemente la práctica deportiva analítica hace perder el contacto conel contexto global y real del juego, la enseñanza tradicional se caracterizapor un excesivo directivismo por parte del profesor basada en explicacionesdetalladas de aspectos anatómicos y biomecánicos. En este sentido lasestrategias metodológicas han sido heredadas de deportes cíclicos; donde losmovimientos se aprenden a partir del corte técnico y coordinativo. Losejercicios que se realizan son con o sin colaboración y sin oposicióninteligente, reduciendo la creatividad e iniciativa de los alumnos, estos tiposde ejercicios reducen la formación táctica influyendo negativamente en losmecanismos perceptivos y decisionales.
Blázquez, D (1995) agrupa los nombres por los cuales se conoce el modelo deenseñanza tradicional.
Nombres habitualmente utilizados
Método analítico.
Método pasivo.
Método mecanicista.
Método directivo.
Método instructivo.
Método asociacionista.
Es decir que con cualquiera de estos nombres puede aparecer en la literaturael modelo tradicional para la iniciación deportiva, incluyendo aquellos quefueron tratados al inicio del análisis de este epígrafe.
Una critica al modelo tradicional del deporte es realizada por Sánchez, Bañuelos,F (en Blázquez, 1995: 258) sobre los siguientes elementos:
* Su carácter analítico. … ¡pérdida de contacto con el contexto global y real!
* El directivismo. ¡Pérdida de iniciativa por parte del niño!
* El desencanto. ¡No es tan divertido como el principiante creía!
* Retrasa la culminación del aprendizaje. …¡No se juega hasta que no se dominan los gestos técnicos!
* Produce aburrimientos. …¡Prefiere jugar a…!
* Focaliza el aprendizaje en consecución del éxito ante los demás!. Sólo se reconocen los resultados demostrados.
4. Los modelos alternativos de iniciación.
Los profesionales de la Educación Física y el Deporte en los últimos añoshan tratado de desarrollar procesos de enseñanza más motivadores, con nuevasperspectivas se proyectan los programas a partir de las características y la lógicainterna de cada deporte.
Desde los años 60 hasta el 80 se organizaron nuevas corrientes o tendenciaspara la enseñanza y aprendizaje de las habilidades motrices, una de ellas es elmodelo psicoeducativo, éste tiene una fundamentación básicamente psicológicay vivencial del sujeto. El modelo enfatiza en la motivación y aprendizaje delalumno, más que en la enseñanza del profesor (López, A (2000).
Una de las características del modelo psico-educativo es que propicia lascondiciones para que el alumno pueda elegir y tomar decisiones, descubrir a travésdel movimiento, en este sentido el alumno deja de ser un ente pasivo, convirtiéndoseen el propio constructor de sus conocimientos.
López, A (2000) expresa la importancia de la Psicocinética de Jean LeBoulch, cuya concepción del cuerpo humano surgida de los nuevos datos neurológicos,psicológicos y sociológicos, le llevan a proponer nuevos sistemas deaprendizaje motor, diferenciados del tipo mecánico, propuesto por el modelodeportivo o el tradicional, ya que éstos crean estereotipos o rigidez que, ensu opinión, anulan la calidad de adecuación del sujeto a situaciones nuevas.
El modelo psicocinético se apoya en las vivencias del alumno como elementoenriquecedor del esquema corporal. Este tipo de aprendizaje desarrolla los modosde acción, lo que permite la adaptación a las diversas situaciones, aunque éstemétodo es definido por su autor como "un método general de educación queutiliza como material pedagógico el movimiento humano en todas las formas"(Le Boulch, 1991), en el trabaja se valora que puede contribuir al desarrollo delas capacidades motrices básicas y el conocimiento del deporte, así comofavorecer el mecanismo perceptivo en lo que se sitúa la relación espaciotiempo, lateralidad, orientación espacial y estructura espacial y ritmo.
Los métodos alternativos coinciden con las prácticas deportivas, no comouna suma de técnicas, sino como un sistema de relaciones entre los diferenteselementos de juego, lo que permite determinar la estructura de estas actividades(Blázquez, 1995).
Se basan en las características del practicante y se proponen situacionespedagógicas a partir del juego donde el protagonismo lo tiene el equipo, demanera que el conocimiento de la actividad tiene un carácter grupal,racionalizador, independientemente de que las habilidades son personalizadas.
Hernández, J (1998) define como principios que caracterizan las corrientesalternativas, que la enseñanza del deporte parte de situaciones de juegosimplificadas de acuerdo con el nivel de capacidad de los alumnos, paraprogresivamente ir alcanzando la práctica del deporte en su estructurafuncional.
En este sentido se aprecia la obra de Andux, C (1996) sus estudios sugierenuna práctica racionalizadora, donde lo más importante es el resultado a partirde la solución de problemas tácticos en Situaciones Simplificadas del Juego,la progresión de las acciones de juego se desarrollan desde la estructura y lógicainternas del deporte, apoyándose en la teoría de la zona de desarrollo próximode los alumnos, para considerar el nivel real de probabilidades motrices de losgrupos heterogéneos.
Los modelos alternativos están respaldados por las teorías cognitivistas,se fundamentan en la enseñanza de los principios tácticos comunes, utilizan laenseñanza de técnicas de búsqueda o indagación, independientemente de que endeterminados momentos se utilicen intervenciones pedagógicas de carácterdirectivo.
En 1990, Antón expone algunas características de dos enfoques para la enseñanzadel Balonmano:
* El primero: El enfoque funcional cuyo objetivo está asentado en la mejora de la motricidad general y la riqueza de las manifestaciones del movimiento.
Durante la enseñanza de diferentes contenidos, a veces, se confunden con laactividad del sujeto, pues son elaborados sobre la base de la evolución de lasconductas motrices.
* El segundo: El enfoque conductual-contructivista que evalúa simultáneamente las características esenciales del deporte, los conocimientos del joven y las manifestaciones observables de las conductas de aprendizaje.
Con relación a estos enfoques de enseñanza Antón, J (1990) reconoce alsegundo como el más importante, en este caso se comparten estos puntos devista, pues durante el aprendizaje del alumno es necesario dejar a un lado eltecnicismo que conduce a un modelo ideal, lo más significativo es el dominio delas posibilidades de movimiento ajustadas al objetivo del juego o la soluciónde un problema táctico en una Situación Simplificada del Juego.
Devís, J (1992) refiriéndose a Brenda Read (1988) sobre el modelo integradopresenta algunas consideraciones con las cuales se comparte, el modelo integradoes cíclico y continuo. De manera que los aspectos contextuales crean demandas oexigencias problemáticas de juego que deben solucionarse de la mejor formaposible.
Las acciones que se realizan no están en función de la ejecución, sino dela reflexión del problema sobre el resultado logrado, para valorar laimportancia instrumental de la técnica una vez entendida la naturaleza delmismo. Aún este modelo no se separa de las exigencias de la técnica, a pesarde destacar la importancia de la táctica. Como se aprecia en la figura 2 elmodelo integrado en el trasfondo mantiene el desarrollo de la habilidad aisladacon una concepción tradicional.
RUTA 2 RUTA 1
Figura 2. Modelo integrado (tomado de Devís, J, 1992).
Entre los modelos alternativos surgió el comprensivo hacia los juegos deportivos, el cual tiene como máximos exponentes en (Thorpe y Bunker; 1982), por otra parte también son promotores de este modelo otros autores como Blázquez, D (1986), Devís y Peiró (1992) y Hernández, J (1994). "El enfoque considera los juegos modificados como instrumentos óptimos para estimular la comprensión y el descubrimiento de la lógica subyacente a los juego deportivos" (Contreras, 1998: 228).En una investigación que recientemente realizamos, se trató de utilizar de forma mínima los modelos verticales de aprendizaje del juego, ya que sus características siguen una lógica que va desde los juegos simplificados, los minideportes hasta la forma de los adultos. Por otra parte se retomaron elementos de los modelos horizontales y comprensivos, a los que nosadscribimos, proponiendo tres fases importantes de aprendizaje que quedan resumidas en la figura 3. Fase 1 Fase 2Fase 3Figura 3. Enfoque comprensivo para llegar al juego de Balonmano.
Andux, C (2003) se refiere a que uno de los principios que caracterizan lasSituaciones Simplificadas del Juego y que la diferencian de otros modelos es elde la formación horizontal y vertical, significa que es posible su aplicacióndesde la iniciación escolar en todos los juegos deportivos y representan tambiénlo rector del proceder metodológico en los deportes, en los niveles delentrenamiento deportivo, por cuanto posibilita organizar con mayor precisión lacarga específica, referencia para formular los objetivos y el rendimientocompetitivo
En el aprendizaje del juego se comparte con el criterio de (Contreras, 1998)de que el planteamiento comprensivo horizontal, presupone las existencias deciertas transferencias desde los juegos a los deportes que comparten similitudestácticas y estructurales; y que, como enfoque pedagógico, utiliza la técnicacomo un medio para realizar las acciones tácticas, por lo que su enseñanza noes el objetivo básico, sino como solución motriz a un problema contextual.
En este tipo de aprendizaje las técnicas de enseñanza tienen un carácterpoco directivo, asumiéndose las técnicas por indagación o búsqueda.
Las corrientes constructivistas para el aprendizaje de los deportes mediantesituaciones contextuales suponen la adquisición de estrategias cognitivas quepermiten la resolución de los problemas planteados y favorecen la capacidad parpoder actuar (Contreras, 1998).
Entre los modelos y corrientes alternativas de iniciación deportiva apareceen los últimos años la "Praxiología Motriz", que tiene en Parlebas,P (1981) su precursor, esta teoría propone la "conducta motriz" comoelemento rector para su estudio y tiene el interés de tener en cuenta simultáneamentelas dos vertientes de la actividad física:
"Por una parte los datos observables y objetivos de los comportamientosmotores (desplazamientos en el espacio y el tiempo, gestos aparentes, contactosy relaciones con los otros), por otra los rasgos subjetivos de la persona enacción (sus percepciones, sus motivaciones, sus toma de información y decisión,su afectividad y sus fenómenos inconscientes". (Rodríguez, 1995: 7-8).
Con relación a la "Praxiología Motriz" resulta muy oportunoreconocer los estudios realizados por los seguidores de esta teoría quepretende con sus aportes instalarse como una ciencia. De esta teoría se haconsiderado muy importante para el trabajo, el proceso de adaptación delindividuo al juego (proceso tan primitivo como la existencia del hombre en elplaneta), y otros elementos como la estructura y lógica interna del juego,aspectos utilizados en los deportes de cooperación/oposición por (Hernández,1998).
A modo de resumen los modelos alternativos se basan en estrategias metodológicascon alta significación táctica; la técnica constituye un medio que favorecela consecución de los objetivos tácticos. Se centra la atención en la mejorade la adaptación inteligente de las diferentes acciones y modos de ejecutarlas,en situaciones reales de juego.
Una búsqueda continua hacia el desarrollo de los aspectos que estructuran eljuego de Balonmano, tales como: relaciones con el balón, relación colaboracióncon los compañeros de juego, relación de oposición frente al adversario,relación entre el jugador y el espacio.
Se plantean situaciones de enseñanza con un alto componente lúdico-participativo-creativo,donde predomina la estimulación de los procesos perceptivos decisionales sobrelos ejecutivos; existe claramente una búsqueda de transferencias entre losjuegos y el deporte que van progresando de forma aleatoria según evoluciona eljuego.
Los métodos alternativos tienen diversas denominaciones. Sin embargo contrarioa los métodos tradicionales sus nombres no son sinónimos, constituyendomodalidades de aplicación próximas, pero diferenciadas (Blázquez, 1995).
Métodos alternativos.
1. Introducción.
2. Etapas del proceso de iniciacióndeportiva.
3. El modelo tradicional deiniciación deportiva.
4. Los modelos alternativos deiniciación.
5. Bibliografia.
1. Introducción.
El articulo comprende un análisis sobre diferentes fases y etapas de lainiciación deportiva, así como de los modelos de enseñanza utilizados.
En el ámbito de la Educación Física y el Deporte se han desarrollado cambiosen las formas de practicar el ejercicio físico, el hombre en su afán de lograrmejores resultados deportivos ha experimentado diferentes modelos de enseñanza,estos modelos reciben una gran influencia de los avances de las CienciasSociales, en lo que se destaca la Psicología y la Pedagogía.
Un artículo publicado recientemente destaca que los cambios sociales originadosen las últimas tres décadas favorecieron el surgimiento y desarrollo dediversas corrientes y tendencias pedagógicas que constituyen distintas manerasde entender y desarrollar la Educación Física, estas son: La Psicomotricidad,la Psicocinética, la Expresión Corporal, la Sociomotricidad, el DeporteEducativo, el Deporte-Recreación, los Aeróbicos, las técnicas de relajaciónorientales, el Stretching, hasta el
culturismo renovado (López, A 2000: 1)
No se pretende hacer un análisis de todas las corrientes pedagógicasutilizadas a escala mundial, la cuestión es analizar las aplicadas en elproceso de iniciación deportiva y que en la actualidad se conocen como modelostradicionales y modelos alternativos de iniciación.
2. Etapas del proceso de iniciación deportiva.
Todo proceso de enseñanza en la actividad física y el deporte estáorientado hacia determinados objetivos que conducen hacia la educación y elperfeccionamiento de las formas y funciones del organismo humano e irincrementando paulatinamente los rendimientos individuales y colectivos.
Los autores que han trabajado la iniciación deportiva, consideran muyimportante planificar este proceso en determinadas etapas y fases, atendiendo alas características del niño la edad y el tipo de deporte. La edad con la cualun individuo inicia un deporte es vital, aunque no se excluye la posibilidad deiniciar siendo adulto, pero el problema estaría en la duración de la vidadeportiva una vez aprendido el deporte.
Existen diversos criterios respecto a la edad para iniciar un deporte, Diemm,en su libro "El deporte en la infancia" defiende la idea de que lainiciación puede producirse desde mucho antes de los 10 años, señalando quela capacidad para el juego, la competencia en grupo comienza desde los 5 o 6 años,Barrios, R (1998).
Otros autores como (Cercel, P 1980 y Müler, M 1996) consideran que lainiciación deportiva puede ser hacia los 10 años, en tanto que Leali, G(1985), plantea iniciar la práctica del deporte hacia los 7/8- 10 años hastalos 18 y divide la iniciación en 5 etapas, cada una de 5 años, Mondoni, M(1983), hace igual propuesta, pero desde los 6-8 hasta los 18-20 años.
Por otro lado (Álvarez del Villar, C 1983, Navarro Valdivieso, F 1968 yTschien, P 1980), define que debe ser desde los 8-10 años, hasta los 18-20 añosy proponen tres etapas:
1.- Etapa de formación básica.
2.- Etapa de formación específica.
3.- Etapa de perfeccionamiento deportivo.
La primera etapa consiste en la búsqueda de una formación genérica ypolivalente para que el niño adquiera las bases del movimiento.
En la segunda se enseña la estructura funcional del deporte de una manera específicay en la tercera se perfeccionan los aprendizajes.
El criterio es que estas etapas duren un periodo de 8-10 años; cuando se hacecon niños puede empezar hacia los 7-8 años.
Un análisis realizado por Hernández Moreno, J (1998) a partir de lasperspectivas de la estructura funcional del deporte, señala los diferentesmodelos utilizados en el proceso de formación de la iniciación deportiva, asícomo las etapas y contenidos básicos de cada una de ellas.
Wein, H (1988) propone un modelo dividido en cinco etapas:
1er Nivel: Juego de habilidad y capacitación de base.
* Juegos polivalentes.
* Habilidades básicas.
2do Nivel: Juegos simplificados.
* Practicas de juegos similares al deporte que se aprende, simplificados.
3er Nivel: Minideporte.
* El deporte de que se trate con número reducido de participantes.
4to Nivel: Juego modificado.
* Simplificación de las reglas de juego del deporte.
5to Nivel: Juego reglamentado.
* Práctica del deporte como tal.
Vankersschaver, (1982), utiliza una estructuración en tres fases, dispuestade la siguiente manera:
1ra Fase: Centración.
* Familiarización con el espacio.
* Técnicas básicas y elementales.
* Estrategias simples.
* Reglas fundamentales.
* Interacciones sustantivas.
2da Fase: Descentración.
* Espacio específico básico.
* Técnicas aplicadas.
* Estrategias combinadas.
3ra Fase: Estructuración.
* Espacios combinados y aplicados.
* Técnicas en función de la estrategia.
* Estrategias complejas.
En tanto que Sánchez Bañuelos, F (1984), concibe una estructura de sietefases o etapas:
1ra Presentación global del deporte.
* Conocimiento de las reglas fundamentales.
* Comprensión del objetivo del deporte.
2da Familiarización perceptiva.
* Vivencia de los aspectos perceptivos.
* Formación de la atención selectiva.
3ra Enseñanza de los modelos técnicos de ejecución.
* Adquisición de los fundamentos técnicos individuales.
4ta Integración de los elementos técnicos en situaciones básicasaplicadas.
* Comprensión de la utilidad de cada fundamento.
* Desarrollo de la anticipación perceptiva.
5ta Formación de esquemas básicos de decisión.
* Desarrollo de la táctica individual.
* Desarrollo de la anticipación.
6ta Enseñanza de esquemas tácticos colectivos.
* Desarrollo de la estrategia de conjunto.
* Toma de conciencia de la utilidad de cada estrategia.
7ma Acoplamiento técnico táctico de conjunto.
* Desarrollo de la capacidad de coordinación de acciones.
* Desarrollo del sentido cooperativo y espíritu de equipo.
Por su parte Hernández, J (1998) hace una propuesta para el Fútbol, queconsidera aún no concluida con las siguientes fases:
1.- Presentación global de la actividad.
2.- Familiarización perceptiva.
3.- Adquisición de los principios básicos y elementales del juego.
4.- Adquisición de los modelos de ejecución.
Individuales.
* De cooperación.
* De oposición.
* De cooperación/oposición.
5.- Adquisición de modelos de decisión estratégico motriz.
Individuales.
* De cooperación.
* De oposición.
* De cooperación/oposición.
6.- Práctica de juego reducido un grupo, partiendo del 3 x 3 como mínimo.
7.- Juego total.
Devís, J (1992) es partidario de utilizar una progresión que denomina juegosmodificados y caracteriza el proceso en tres fases:
Fase: Denominada por la globalidad del juego modificado, donde la técnica esreducida y/o modificada.
Fase: Que se caracteriza por la representación de la situación de juego, perocomo si fueran juegos modificados, debido a su globalidad, según el autor eneste momento puede introducirse o no la técnica estándar.
Fase: Aparece el juego deportivo propiamente dicho, con la técnica que lecorresponde y utilización de situaciones específicas de juegos combinadoseventualmente o a modo de calentamientos con juegos modificados.
Jiménez, F (1993) propone cuatro fases que comprenden los siguientes aspectos:
Fase 1: Toma de conciencia de la estructura reglamentaria básica.
Fase 2: Comprensión del comportamiento estratégico del equipo: desarrollandolos principios generales del juego en ataque y defensa.
Fase 3: Comprensión del comportamiento estratégico individual; intentandomejorar los medios tácticos ofensivos y defensivos. También criterios deorganización de fases del juego.
Fase 4: Ajuste del comportamiento individual y colectivo a los sistemas dejuego.
Antón García, J (1990) se refiere a una serie de principios metodológicospara ajustarlos a diversas edades en tres fases a las que le llama: formación-iniciación(8-12 años), una segunda de configuración (13-14 años) y la tercera quecorresponde a la consolidación del aprendizaje específico (15-16 años).
Etapa de formación-iniciación.
* Utilización predominante de la metodología global-juego y constante análisis de los comportamientos observados.
* Definición de la lateralidad-desarrollo del lado débil y perfeccionamiento del lado dominante.
* Grado de complejidad reducido al número elevado de repeticiones de ejercicios técnico-tácticos.
* Intensidad baja y ejecución con variabilidad que cree una amplia disponibilidad motriz, basada en aplicación y utilización de movimientos básicos.
* Trabajo con grupos pequeños, espacios amplios.
* Práctica de diversos juegos y competiciones.
Etapa de configuración.
* Utilización predominante de intervenciones que busquen el desarrollo de la bilateralidad.
* Grado de complejidad superior a la etapa anterior y número de repeticiones elevado.
* Aumento progresivo de la velocidad de ejecución en acciones técnico-tácticas individuales y colectivas.
* Reducción de espacios en trabajo por grupos.
* Acciones técnico-tácticas combinadas sin y con oposición.
Etapa de consolidación del aprendizaje específico.
* Empleo del juego deportivo reglamentario absoluto.
* Utilización sistematizada de diferentes aspectos de evolución colectiva.
* Introducción al trabajo de fuerza y descontracción-relajación en proporcionalidad.
* Mayor complejidad ocasionada por las características, más exigentes, de la oposición y la velocidad de ejecución.
* Selección de tareas y funciones específicas, con ajuste de trabajos individuales de ataque y defensa.
Para la concreción de estas etapas el autor propone un esquema de modelopedagógico para la enseñanza, que contiene los principios en los cuales estese basa, específica los diferentes medios que se utilizan en el proceso de enseñanza/aprendizajecon un carácter analítico, es decir, mediante el modelo ideal de la técnica yla utilización de situaciones pedagógicas que permiten la ejecución abiertapara lograr la intervención del niño mediante la búsqueda.
Este modelo, más adelante propone diferentes actividades espontáneas,elaboradas y codificadas. Las primeras inducen a la acción y a la actividad debúsqueda, en la segunda el niño perfecciona los gestos y los enriquece enfunción del colectivo y las terceras parten de la información y enseñanzaconcreta para iniciar acciones determinadas y dirigidas.
Figura 1. Esquema pedagógico propuesto para la enseñanza.
Torrescusa, L (1991) nombra las etapas de iniciación deportiva como etapas deaprendizaje, considerando para ello las siguientes:
1.- Presentación global del deporte.
2.- Familiarización perceptiva: Hace referencia a la captación de estímulosque proceden el entorno, donde el niño va a juegos formas o métodos que seutilizan:
* Juegos predeportivos.
* Juegos simplificados.
3.-Adquisición de técnicas fundamentales.
4.- Especialización e integración de los elementos técnicos.
5.- Formación e integración de los esquemas de decisión: se identifica conlas actitudes tácticas y la toma de decisión.
6.- Táctica colectiva: se inicia aumentando el número de jugadores 2,3,4,5,6.
7.- Experiencias competitivas.
Giménez Fuentes- Guerra, F (2001) proponen diferentes etapas en función dela edad y del contenido:
INICIACIÓN
1.- Aplicación de las habilidades genéricas en el juego.
2.- Inicio en las Habilidades específicas.
3.- Trabajo colectivo básico.
DESARROLLO
4.- Desarrollo genérico.
5.- Desarrollo específico.
PERFECCIONAMIENTO
6.- Especialización.
7. Polivalencia.
(Fase de formación, de la propuesta)
El autor señala que esta primera fase supone el primer contacto con eldeporte en las edades entre los 8 y 12 años aproximadamente, más adelante lassubdivide en tres subetapas:
* Aplicación de las habilidades genéricas en el juego deportivo (desde 7-8 a 9-10 años). En este sentido considera empezar la práctica deportiva sin trabajar habilidades específicas y si seguir utilizando habilidades genéricas básicas y aplicarlas en uno o varios deportes. Sólo aplicar el deporte como medio motivante.
* Inicio en el trabajo de habilidades específicas más sencillas de cada deporte (bote, conducciones, lanzamientos, paradas, fintas).
* Trabajo colectivo básico: Entre los 10-12 años, considera el trabajo colectivo, de forma sencilla, progresiva y lúdica de los medios colectivos básicos: pase y recepción, pase y desplazamiento, fijaciones, utilización de espacios libres etc.
Con respecto a la edad la mayoría de los autores analizados coinciden quelas habilidades básicas se adquieren entre los 6 y 12 años y las específicasa partir de los 12 años, desde las perspectivas de la presente investigaciónel Balonmano a pesar de ser un deporte, básicamente es un juego y lo másimportante es que el niño juegue y amplíe sus posibilidades de movimiento,lograr un aprendizaje más alegre para no atrofiar el comportamiento lúdico.
Una vez expuestos los diferentes puntos de vista de los autores antesanalizados, sobre las etapas de formación deportiva, se muestra una propuestaque coincide con la metodología para la comprensión del juego de Balonmano; yque fue utilizada en las edades comprendidas entre los 8 -10 años.
Para ello se han considerado diferentes características de los niños en estasedades, entre las que se encuentran el engrosamiento de su cuerpo, amplían suambiente social, las relaciones interpersonales, es una etapa de la vida demucho interés por saber, donde lo particular se ajusta al colectivo, respetanlas reglas colectivas e individuales.
En las edades antes señaladas se ajusta la percepción y la orientaciónespacial al balón y su trayectoria, diferencian velocidades y distancias(integración temporal-espacial). Emocionalmente son más estables, abandonanlos caprichos y racionalizan su situación, incrementan su interés ymotivaciones. Durante esta etapa de la vida el aprendizaje se torna rápido y elniño compite por hacerlo mejor, aprovechando su fuerza y flexibilidad.
Durante los 8 –10 años de edad existe una mejora de la psicomotricidad delos niños, aumentando su movilidad, equilibrio, sentido del ritmo y delespacio.
Dadas las características del niño cubano, entre los 8 – 10 añosaumentan su sentido de responsabilidad y orientación hacia la actividadcognitiva, es de considerar que enseñar un deporte de cooperación/oposición,no constituye una especialización temprana, bastaría conocer los objetivos quese persiguen y lograr que inicialmente el niño compita por el placer de jugar,que conozca los principios y algunos problemas que debe resolver en el juego,finalmente jugar con el fin de que todos ganen y nadie pierda, desarrollandoproceso cooperativos, lo más importante es la formación educativa, preparar alniño a vivir en sociedad.
3. El modelo tradicional de iniciación deportiva.
El modelo tradicional ha sido seguido por la inmensa mayoría de losprofesionales que laboran en la Educación Física y el Deporte. Se ha llevadoal entrenamiento deportivo, la pedagogía que plantea el modelo es a partir dela creación de una base técnica individual en los alumnos, una vez creada ésta,se trabaja la táctica individual, luego de grupo y finalmente la táctica deequipos. En este tipo de modelo se repite e imita el modelo de entrenamiento delos adultos con ciertas adaptaciones para los niños.
Este tipo de modelo tradicional o "médico" comienza adesarrollarse desde la primera mitad de siglo.
Las bases científicas de este modelo están en las Ciencias Biomédicas:Morfología, Fisiología, Bioquímicas y Biomecánicas del movimiento humano,centrando su atención en el funcionamiento estructural y orgánico del cuerpohumano y en los efectos que ejerce el ejercicio físico sobre el mismo.
Entre los objetivos principales de este modelo está el desarrollo de lacapacidad de rendimiento físico o motor. Las habilidades y hábitos que seforman a partir de este tipo de enseñanza se realizan sobre la base de larepetición- imitación de acciones, técnicas o modelos de movimientos.
En 2002, López, A. Critica este tipo de modelo, refiriéndose a que en elproceso de enseñanza – aprendizaje el alumno es un ente pasivo, que se limitaa procesar la información y a ejecutar acciones hasta lograr el dominio de loque se le enseña.
El método tradicional se basa en la lógica del pensamiento del adulto, enun proceso de análisis, asociación y síntesis, primeramente una acción seenseña desde la repetición fraccionada donde se analizan las partes delmovimiento, seguidamente se asocian en la medida que se van asimilando hasta laejecución global de la acción de juego, donde se sintetizan las partes en untodo único, sólo cuando se ha dominado un gesto es que se puede pasar alaprendizaje de otro y finalmente continúa el encadenamiento de las diferentesacciones.
López, A (2000) expone que a partir de la revitalización de las Olimpiadasde la era moderna el deporte se ha difundido y ha ejercido una gran influenciaen la Educación Física, pasando a integrar los currículos escolares, esto haprovocado la introducción del modelo deportivo, que tiene sus raíces en larepetición y automatización de los hábitos motores.
Al respecto Cagigal (1972) citado por Rodríguez, J (1995: 35) concluye:
"La perfecta ejecución de un movimiento se logra con repetición yautomatización. Para el rendimiento en el deporte, la automatización esnecesaria. ¿Es verdaderamente educativa la automatización? Esta "puedeser negativa en la medida en que le quita tiempo de disfrute de la verdadera prácticadel juego y en la medida en que limite su expresión personal, necesidad ecológicay antitécnicista ".
La enseñanza con el modelo tradicional se aleja de los intereses de los niñosen edad escolar, ellos requieren de una motivación en la tarea, que mediante larepetición fraccionada de determinados gestos es difícil de lograr. Además,la eficacia en cuanto a la asimilación de destrezas deportivas queda enentredicho, pues el niño accede al conocimiento por organización progresiva deestructuras y la interacción con el medio, va proporcionando las bases para lacreación de una estructura global (Blázquez, 1995).
Hernández, J (1998: 17) sobre la corriente pedagógica tradicional exponeque "tiene como idea central el análisis de los elementos y sudescomposición en parte, con lo que el deporte que se pretende enseñar sesecuencializa y divide en partes que son enseñadas al individuo, primero porpartes que se van agrupando o uniendo entre sí a medida que el individuoprogresa en su aprendizaje".
La idea de Hernández, J (1998) es similar a la de los autores analizados conanterioridad.
El modelo tradicional se apoya en las teorías asociacionistas, basadofundamentalmente en la formación de la técnica previo paso al aprendizaje tácticoy al juego en situación real.
En 1990, Antón J reconoce este tipo de enfoque como "mecanicista-analítico",centrado en la técnica, es decir, en la búsqueda del gesto preciso y exacto enrelación con un "modelo" de referencia.
La enseñanza centrada en la racionalidad técnica en el modelo de objetivos,donde los médicos son instrumentos para conseguir un fin conductualespecificado, acabó repasando la teoría de la práctica, condición física dela técnica y ésta de la táctica y la habilidad técnica del contexto real deljuego (Devís, 1992)
El hecho de entrenar un deporte de cooperación oposición sin tener en cuentafactores tales como: la complejidad, la adaptabilidad y la incertidumbre en queestos se desarrollan alejan al alumno del contexto real del juego.
Devís, J (1992) cita del trabajo de Brenda Read (1988) "el modeloaislado" (figura 1). Este tipo de modelo también parte de la formación dehabilidades técnicas fuera del contexto del juego mediante un entrenamiento técnico,estas habilidades técnicas logradas mediante la repetición consecutiva seincorporaron en situaciones simuladas predeterminadas y que también sonaislados de juego, las acciones realizadas tienen un objetivo puramente técnico,todo esto conduce a que cuando el alumno llega al contexto de juego susexperiencias técnicas no permiten solucionar los problemas del juego, debido aque estas no cumplen una lógica real del contexto donde se realizan.
Figura 1 Modelo aislado.
Evidentemente la práctica deportiva analítica hace perder el contacto conel contexto global y real del juego, la enseñanza tradicional se caracterizapor un excesivo directivismo por parte del profesor basada en explicacionesdetalladas de aspectos anatómicos y biomecánicos. En este sentido lasestrategias metodológicas han sido heredadas de deportes cíclicos; donde losmovimientos se aprenden a partir del corte técnico y coordinativo. Losejercicios que se realizan son con o sin colaboración y sin oposicióninteligente, reduciendo la creatividad e iniciativa de los alumnos, estos tiposde ejercicios reducen la formación táctica influyendo negativamente en losmecanismos perceptivos y decisionales.
Blázquez, D (1995) agrupa los nombres por los cuales se conoce el modelo deenseñanza tradicional.
Nombres habitualmente utilizados
Método analítico.
Método pasivo.
Método mecanicista.
Método directivo.
Método instructivo.
Método asociacionista.
Es decir que con cualquiera de estos nombres puede aparecer en la literaturael modelo tradicional para la iniciación deportiva, incluyendo aquellos quefueron tratados al inicio del análisis de este epígrafe.
Una critica al modelo tradicional del deporte es realizada por Sánchez, Bañuelos,F (en Blázquez, 1995: 258) sobre los siguientes elementos:
* Su carácter analítico. … ¡pérdida de contacto con el contexto global y real!
* El directivismo. ¡Pérdida de iniciativa por parte del niño!
* El desencanto. ¡No es tan divertido como el principiante creía!
* Retrasa la culminación del aprendizaje. …¡No se juega hasta que no se dominan los gestos técnicos!
* Produce aburrimientos. …¡Prefiere jugar a…!
* Focaliza el aprendizaje en consecución del éxito ante los demás!. Sólo se reconocen los resultados demostrados.
4. Los modelos alternativos de iniciación.
Los profesionales de la Educación Física y el Deporte en los últimos añoshan tratado de desarrollar procesos de enseñanza más motivadores, con nuevasperspectivas se proyectan los programas a partir de las características y la lógicainterna de cada deporte.
Desde los años 60 hasta el 80 se organizaron nuevas corrientes o tendenciaspara la enseñanza y aprendizaje de las habilidades motrices, una de ellas es elmodelo psicoeducativo, éste tiene una fundamentación básicamente psicológicay vivencial del sujeto. El modelo enfatiza en la motivación y aprendizaje delalumno, más que en la enseñanza del profesor (López, A (2000).
Una de las características del modelo psico-educativo es que propicia lascondiciones para que el alumno pueda elegir y tomar decisiones, descubrir a travésdel movimiento, en este sentido el alumno deja de ser un ente pasivo, convirtiéndoseen el propio constructor de sus conocimientos.
López, A (2000) expresa la importancia de la Psicocinética de Jean LeBoulch, cuya concepción del cuerpo humano surgida de los nuevos datos neurológicos,psicológicos y sociológicos, le llevan a proponer nuevos sistemas deaprendizaje motor, diferenciados del tipo mecánico, propuesto por el modelodeportivo o el tradicional, ya que éstos crean estereotipos o rigidez que, ensu opinión, anulan la calidad de adecuación del sujeto a situaciones nuevas.
El modelo psicocinético se apoya en las vivencias del alumno como elementoenriquecedor del esquema corporal. Este tipo de aprendizaje desarrolla los modosde acción, lo que permite la adaptación a las diversas situaciones, aunque éstemétodo es definido por su autor como "un método general de educación queutiliza como material pedagógico el movimiento humano en todas las formas"(Le Boulch, 1991), en el trabaja se valora que puede contribuir al desarrollo delas capacidades motrices básicas y el conocimiento del deporte, así comofavorecer el mecanismo perceptivo en lo que se sitúa la relación espaciotiempo, lateralidad, orientación espacial y estructura espacial y ritmo.
Los métodos alternativos coinciden con las prácticas deportivas, no comouna suma de técnicas, sino como un sistema de relaciones entre los diferenteselementos de juego, lo que permite determinar la estructura de estas actividades(Blázquez, 1995).
Se basan en las características del practicante y se proponen situacionespedagógicas a partir del juego donde el protagonismo lo tiene el equipo, demanera que el conocimiento de la actividad tiene un carácter grupal,racionalizador, independientemente de que las habilidades son personalizadas.
Hernández, J (1998) define como principios que caracterizan las corrientesalternativas, que la enseñanza del deporte parte de situaciones de juegosimplificadas de acuerdo con el nivel de capacidad de los alumnos, paraprogresivamente ir alcanzando la práctica del deporte en su estructurafuncional.
En este sentido se aprecia la obra de Andux, C (1996) sus estudios sugierenuna práctica racionalizadora, donde lo más importante es el resultado a partirde la solución de problemas tácticos en Situaciones Simplificadas del Juego,la progresión de las acciones de juego se desarrollan desde la estructura y lógicainternas del deporte, apoyándose en la teoría de la zona de desarrollo próximode los alumnos, para considerar el nivel real de probabilidades motrices de losgrupos heterogéneos.
Los modelos alternativos están respaldados por las teorías cognitivistas,se fundamentan en la enseñanza de los principios tácticos comunes, utilizan laenseñanza de técnicas de búsqueda o indagación, independientemente de que endeterminados momentos se utilicen intervenciones pedagógicas de carácterdirectivo.
En 1990, Antón expone algunas características de dos enfoques para la enseñanzadel Balonmano:
* El primero: El enfoque funcional cuyo objetivo está asentado en la mejora de la motricidad general y la riqueza de las manifestaciones del movimiento.
Durante la enseñanza de diferentes contenidos, a veces, se confunden con laactividad del sujeto, pues son elaborados sobre la base de la evolución de lasconductas motrices.
* El segundo: El enfoque conductual-contructivista que evalúa simultáneamente las características esenciales del deporte, los conocimientos del joven y las manifestaciones observables de las conductas de aprendizaje.
Con relación a estos enfoques de enseñanza Antón, J (1990) reconoce alsegundo como el más importante, en este caso se comparten estos puntos devista, pues durante el aprendizaje del alumno es necesario dejar a un lado eltecnicismo que conduce a un modelo ideal, lo más significativo es el dominio delas posibilidades de movimiento ajustadas al objetivo del juego o la soluciónde un problema táctico en una Situación Simplificada del Juego.
Devís, J (1992) refiriéndose a Brenda Read (1988) sobre el modelo integradopresenta algunas consideraciones con las cuales se comparte, el modelo integradoes cíclico y continuo. De manera que los aspectos contextuales crean demandas oexigencias problemáticas de juego que deben solucionarse de la mejor formaposible.
Las acciones que se realizan no están en función de la ejecución, sino dela reflexión del problema sobre el resultado logrado, para valorar laimportancia instrumental de la técnica una vez entendida la naturaleza delmismo. Aún este modelo no se separa de las exigencias de la técnica, a pesarde destacar la importancia de la táctica. Como se aprecia en la figura 2 elmodelo integrado en el trasfondo mantiene el desarrollo de la habilidad aisladacon una concepción tradicional.
RUTA 2 RUTA 1
Figura 2. Modelo integrado (tomado de Devís, J, 1992).
Entre los modelos alternativos surgió el comprensivo hacia los juegos deportivos, el cual tiene como máximos exponentes en (Thorpe y Bunker; 1982), por otra parte también son promotores de este modelo otros autores como Blázquez, D (1986), Devís y Peiró (1992) y Hernández, J (1994). "El enfoque considera los juegos modificados como instrumentos óptimos para estimular la comprensión y el descubrimiento de la lógica subyacente a los juego deportivos" (Contreras, 1998: 228).En una investigación que recientemente realizamos, se trató de utilizar de forma mínima los modelos verticales de aprendizaje del juego, ya que sus características siguen una lógica que va desde los juegos simplificados, los minideportes hasta la forma de los adultos. Por otra parte se retomaron elementos de los modelos horizontales y comprensivos, a los que nosadscribimos, proponiendo tres fases importantes de aprendizaje que quedan resumidas en la figura 3. Fase 1 Fase 2Fase 3Figura 3. Enfoque comprensivo para llegar al juego de Balonmano.
Andux, C (2003) se refiere a que uno de los principios que caracterizan lasSituaciones Simplificadas del Juego y que la diferencian de otros modelos es elde la formación horizontal y vertical, significa que es posible su aplicacióndesde la iniciación escolar en todos los juegos deportivos y representan tambiénlo rector del proceder metodológico en los deportes, en los niveles delentrenamiento deportivo, por cuanto posibilita organizar con mayor precisión lacarga específica, referencia para formular los objetivos y el rendimientocompetitivo
En el aprendizaje del juego se comparte con el criterio de (Contreras, 1998)de que el planteamiento comprensivo horizontal, presupone las existencias deciertas transferencias desde los juegos a los deportes que comparten similitudestácticas y estructurales; y que, como enfoque pedagógico, utiliza la técnicacomo un medio para realizar las acciones tácticas, por lo que su enseñanza noes el objetivo básico, sino como solución motriz a un problema contextual.
En este tipo de aprendizaje las técnicas de enseñanza tienen un carácterpoco directivo, asumiéndose las técnicas por indagación o búsqueda.
Las corrientes constructivistas para el aprendizaje de los deportes mediantesituaciones contextuales suponen la adquisición de estrategias cognitivas quepermiten la resolución de los problemas planteados y favorecen la capacidad parpoder actuar (Contreras, 1998).
Entre los modelos y corrientes alternativas de iniciación deportiva apareceen los últimos años la "Praxiología Motriz", que tiene en Parlebas,P (1981) su precursor, esta teoría propone la "conducta motriz" comoelemento rector para su estudio y tiene el interés de tener en cuenta simultáneamentelas dos vertientes de la actividad física:
"Por una parte los datos observables y objetivos de los comportamientosmotores (desplazamientos en el espacio y el tiempo, gestos aparentes, contactosy relaciones con los otros), por otra los rasgos subjetivos de la persona enacción (sus percepciones, sus motivaciones, sus toma de información y decisión,su afectividad y sus fenómenos inconscientes". (Rodríguez, 1995: 7-8).
Con relación a la "Praxiología Motriz" resulta muy oportunoreconocer los estudios realizados por los seguidores de esta teoría quepretende con sus aportes instalarse como una ciencia. De esta teoría se haconsiderado muy importante para el trabajo, el proceso de adaptación delindividuo al juego (proceso tan primitivo como la existencia del hombre en elplaneta), y otros elementos como la estructura y lógica interna del juego,aspectos utilizados en los deportes de cooperación/oposición por (Hernández,1998).
A modo de resumen los modelos alternativos se basan en estrategias metodológicascon alta significación táctica; la técnica constituye un medio que favorecela consecución de los objetivos tácticos. Se centra la atención en la mejorade la adaptación inteligente de las diferentes acciones y modos de ejecutarlas,en situaciones reales de juego.
Una búsqueda continua hacia el desarrollo de los aspectos que estructuran eljuego de Balonmano, tales como: relaciones con el balón, relación colaboracióncon los compañeros de juego, relación de oposición frente al adversario,relación entre el jugador y el espacio.
Se plantean situaciones de enseñanza con un alto componente lúdico-participativo-creativo,donde predomina la estimulación de los procesos perceptivos decisionales sobrelos ejecutivos; existe claramente una búsqueda de transferencias entre losjuegos y el deporte que van progresando de forma aleatoria según evoluciona eljuego.
Los métodos alternativos tienen diversas denominaciones. Sin embargo contrarioa los métodos tradicionales sus nombres no son sinónimos, constituyendomodalidades de aplicación próximas, pero diferenciadas (Blázquez, 1995).
Métodos alternativos.
O JOGO DE ANDEBOL, POR ONDE COMEÇAR? COMO COMEÇAR? ONDE COMEÇAR? Antonio cunha
O JOGO DE ANDEBOL, POR ONDE COMEÇAR? COMO COMEÇAR? ONDE COMEÇAR?
António Alberto Dias da Cunha
O desporto não é hoje, o mesmo de há 5 ou 6 anos atrás, a sua constante evolução, quer no plano técnico ou táctico como regulamentar, obriga as Federações, Instituições de ensino superior, secundário e básico, colectividades, e todos os agentes desportivos envolvidos, numa contínua actualização.
Habitualmente, e apesar da mudança estrutural do plano mental do técnico/ professor que procura neste momento combater a tradicional forma de ensino, para muitos, o ensino do andebol reduz-se à aprendizagem de um conjunto de habilidades motrizes, por vezes sem qualquer sentido ou progressão, cujo objectivo está encaminhado para a consecução das técnicas desportivas e muito orientadas para o rendimento motor, rendimento esse que é exigido pelo padrões do andebol de competição.
O andebol evoluiu tanto que é necessário reciclarmos toda a nossa aprendizagem e evoluir para outro patamar de conhecimento, este conhecimento, pretensamente emanado das Instituições de Ensino Superior aquando da nossa formação continua a ser alvo de contestação dentro das próprias instituições, é alvo de profundas pesquisas e estudos que levam a que neste preciso momento toda a sua estrutura actual seja colocada em causa.
Temos que parar para pensar e adaptar o nosso conhecimento ao nível de desenvolvimento das crianças que iniciam a prática do Andebol e que se nos aparecem pela frente, já que neste momento as soluções que se nos apresentam, como forma de dinamização do Andebol no Clube e também na Escola promove um confronto entre diferentes práticas do Andebol, foi neste sentido que foi elaborado o presente estudo que relata as principais conclusões e objectivos a desenvolver para que cada vez o Andebol se torne mais claro e motivante.
A - POR ONDE COMEÇAR?
Após a aprendizagem das técnicas básicas do passe, recepção, remate e drible, e também do ensino das regras básicas (passos, 3 segundos, violação da área e dribles), conjuntamente com as Regras Complementares (Lei da Vantagem, Jogo Passivo e Falta Atacante, podemos, a partir daqui pensar em fomentar o desenvolvimento do jogo a partir da variadas práticas:
2 x 2 - campos reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 2x1.
3 x 3 - campos reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 3x2
4 x 4 - campo reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 4x3
JOGO FORMAL
5 x 5 - campos reduzidos
Com 3 períodos de 10 minutos em que os dois primeiros são jogo livre (desenvolvimento da criatividade e autonomia nas decisões tomadas pelos praticantes no plano táctico e estratégico), posição em campo de acordo com a largura e profundidade, ataque 1x2x2 e defesa 1x4, sendo o ultimo período com marcação individual a partir do meio campo para desenvolver qualidades volitivas e resistência especifica para a pratica do andebol.
6 x 6 - jogo formal com o desenvolvimento de dois princípios no ataque e na defesa:
ATAQUE
“Ataque rápido” ou “contra ataque”, após ganhar a bola e ataque contra defesa - utilizando o sistema ofensivo 1x2x3
DEFESA
“Zona Press” após perda da bola, defesa organizada 1x4x1
Nota: incluímos o guarda-redes na nomenclatura dos sistemas de jogo pela importância do mesmo quer na primeira fase do ataque (contra ataque), quer na primeira fase da defesa (paragem do contra ataque) do adversário e organização da defesa contra o ataque adversário.
Nota: todas as exclusões de 2” minutos serão substituídas (substituição pedagógica) quando a equipa tiver a “Posse da Bola”.
7 x 7 - Jogo formal adulto com o espaço 40x20 metros
B - COMO COMEÇAR?
A abordagem ao Andebol deve obedecer a um conjunto de preocupações por parte do responsável pela sua estrutura:
-O número de jogadores
-O campo
-O tamanho da bola
-As regras básicas e simplificadas
C - ONDE COMEÇAR?
Na escola, clubes ou associações desportivas de carácter educativo no 5º, 6º, 7º, e 8º ano de escolaridade, ou nos escalões bambis, minis e infantis a nível dos clubes federados.
Para ser possível o funcionamento nas escolas é importante a marcação de 3 campos reduzidos de 20x18 metros com balizas normais e com uma área de baliza circular de 5 metros, 6 metros do pénalti e 7 metros da linha do tracejado.
Número de atletas ou alunos inscritos por equipa:
Andebol de 5 - 7 jogadores inscritos
Andebol de 7 - 10 jogadores inscritos
Andebol de 7 - Oficial
António Alberto Dias da Cunha
O desporto não é hoje, o mesmo de há 5 ou 6 anos atrás, a sua constante evolução, quer no plano técnico ou táctico como regulamentar, obriga as Federações, Instituições de ensino superior, secundário e básico, colectividades, e todos os agentes desportivos envolvidos, numa contínua actualização.
Habitualmente, e apesar da mudança estrutural do plano mental do técnico/ professor que procura neste momento combater a tradicional forma de ensino, para muitos, o ensino do andebol reduz-se à aprendizagem de um conjunto de habilidades motrizes, por vezes sem qualquer sentido ou progressão, cujo objectivo está encaminhado para a consecução das técnicas desportivas e muito orientadas para o rendimento motor, rendimento esse que é exigido pelo padrões do andebol de competição.
O andebol evoluiu tanto que é necessário reciclarmos toda a nossa aprendizagem e evoluir para outro patamar de conhecimento, este conhecimento, pretensamente emanado das Instituições de Ensino Superior aquando da nossa formação continua a ser alvo de contestação dentro das próprias instituições, é alvo de profundas pesquisas e estudos que levam a que neste preciso momento toda a sua estrutura actual seja colocada em causa.
Temos que parar para pensar e adaptar o nosso conhecimento ao nível de desenvolvimento das crianças que iniciam a prática do Andebol e que se nos aparecem pela frente, já que neste momento as soluções que se nos apresentam, como forma de dinamização do Andebol no Clube e também na Escola promove um confronto entre diferentes práticas do Andebol, foi neste sentido que foi elaborado o presente estudo que relata as principais conclusões e objectivos a desenvolver para que cada vez o Andebol se torne mais claro e motivante.
A - POR ONDE COMEÇAR?
Após a aprendizagem das técnicas básicas do passe, recepção, remate e drible, e também do ensino das regras básicas (passos, 3 segundos, violação da área e dribles), conjuntamente com as Regras Complementares (Lei da Vantagem, Jogo Passivo e Falta Atacante, podemos, a partir daqui pensar em fomentar o desenvolvimento do jogo a partir da variadas práticas:
2 x 2 - campos reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 2x1.
3 x 3 - campos reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 3x2
4 x 4 - campo reduzidos
Com um dos defensores a guarda-redes, jogamos no ataque em superioridade numérica absoluta ou seja 4x3
JOGO FORMAL
5 x 5 - campos reduzidos
Com 3 períodos de 10 minutos em que os dois primeiros são jogo livre (desenvolvimento da criatividade e autonomia nas decisões tomadas pelos praticantes no plano táctico e estratégico), posição em campo de acordo com a largura e profundidade, ataque 1x2x2 e defesa 1x4, sendo o ultimo período com marcação individual a partir do meio campo para desenvolver qualidades volitivas e resistência especifica para a pratica do andebol.
6 x 6 - jogo formal com o desenvolvimento de dois princípios no ataque e na defesa:
ATAQUE
“Ataque rápido” ou “contra ataque”, após ganhar a bola e ataque contra defesa - utilizando o sistema ofensivo 1x2x3
DEFESA
“Zona Press” após perda da bola, defesa organizada 1x4x1
Nota: incluímos o guarda-redes na nomenclatura dos sistemas de jogo pela importância do mesmo quer na primeira fase do ataque (contra ataque), quer na primeira fase da defesa (paragem do contra ataque) do adversário e organização da defesa contra o ataque adversário.
Nota: todas as exclusões de 2” minutos serão substituídas (substituição pedagógica) quando a equipa tiver a “Posse da Bola”.
7 x 7 - Jogo formal adulto com o espaço 40x20 metros
B - COMO COMEÇAR?
A abordagem ao Andebol deve obedecer a um conjunto de preocupações por parte do responsável pela sua estrutura:
-O número de jogadores
-O campo
-O tamanho da bola
-As regras básicas e simplificadas
C - ONDE COMEÇAR?
Na escola, clubes ou associações desportivas de carácter educativo no 5º, 6º, 7º, e 8º ano de escolaridade, ou nos escalões bambis, minis e infantis a nível dos clubes federados.
Para ser possível o funcionamento nas escolas é importante a marcação de 3 campos reduzidos de 20x18 metros com balizas normais e com uma área de baliza circular de 5 metros, 6 metros do pénalti e 7 metros da linha do tracejado.
Número de atletas ou alunos inscritos por equipa:
Andebol de 5 - 7 jogadores inscritos
Andebol de 7 - 10 jogadores inscritos
Andebol de 7 - Oficial
Circulaçao da bola juan Anton Garcia
JUAN ANTÓN GARCIA
“LUGAR E IMPORTANCIA DE LA CIRCULACIÓN DE BALÓN EN EL DESARROLLO DE MEDIOS TÁCTICOS EN EL JUEGO DE ATAQUE”
A CIRCULAÇÃO DA BOLA
é mais do que uma sucessão de passes
a bola é a atracção de todos no jogo e ambas as equipas lutam pela sua posse
Como mantê-la?
Como conquistá-la?
Se o ataque se desloca para um lado, a defesa deve deslocar-se para esse lado como uma unidade.
A defesa trabalha em favor da própria defesa.
A bola, como circulação táctica, obriga a defesa a reagir.
Qual a importância da Circulação da bola?
Normalmente entramos na utillização dos meios tácticos de grupo (colectivos). Os atletas treinam isto mecanicamente, o trabalho de 2x2 ou 2x1 é robotizado. Estes trabalhos devem estar integrados nos trabalhos de equipa e não isolados.
IV Acção Técnica de Andebol - Almada, 2 e 3 de Abril de 1999
JUAN ANTÓN GARCIA
“LUGAR E IMPORTANCIA DE LA CIRCULACIÓN DE BALÓN EN EL DESARROLLO DE MEDIOS TÁCTICOS EN EL JUEGO DE ATAQUE”
A situação de 2x1 deve ser resolvida a 100%, não na eficácia de remate, mas sim rematar isolado (rematar comodamente).
Depois a situação de 1x1, esta situação é diferente, é a dialéctica REMATADOR - GUARDA-REDES.
Meios Simples
Qualquer atleta utiliza estes meios (novos e grandes jogadores).
1. CIRCULAÇÃO DA BOLA
2. CIRCULAÇÃO DE JOGADORES
Devem ter um sentido táctico e não mecanizado, robotizado.
Circular a bola 2 ou 3 vezes não é nada, leva ao automatismo negativo.
Circulação de jogadores: Porquê? Qual o objectivo e a que momento se deve fazer.
É importante que cada jogador, individualmente, saiba o que está a fazer, porque quando se circula a bola o jogador é muito importante.
A Circulação de Jogadores não é correr, deve-se utilizar os seguintes meios tácticos:
Passe e Vai
Progressões Sucessivas
Bloqueios
Cruzamentos
Troca de Posto Específico
Écran
Etc...
A circulação da bola no contexto táctico
“LUGAR E IMPORTANCIA DE LA CIRCULACIÓN DE BALÓN EN EL DESARROLLO DE MEDIOS TÁCTICOS EN EL JUEGO DE ATAQUE”
A CIRCULAÇÃO DA BOLA
é mais do que uma sucessão de passes
a bola é a atracção de todos no jogo e ambas as equipas lutam pela sua posse
Como mantê-la?
Como conquistá-la?
Se o ataque se desloca para um lado, a defesa deve deslocar-se para esse lado como uma unidade.
A defesa trabalha em favor da própria defesa.
A bola, como circulação táctica, obriga a defesa a reagir.
Qual a importância da Circulação da bola?
Normalmente entramos na utillização dos meios tácticos de grupo (colectivos). Os atletas treinam isto mecanicamente, o trabalho de 2x2 ou 2x1 é robotizado. Estes trabalhos devem estar integrados nos trabalhos de equipa e não isolados.
IV Acção Técnica de Andebol - Almada, 2 e 3 de Abril de 1999
JUAN ANTÓN GARCIA
“LUGAR E IMPORTANCIA DE LA CIRCULACIÓN DE BALÓN EN EL DESARROLLO DE MEDIOS TÁCTICOS EN EL JUEGO DE ATAQUE”
A situação de 2x1 deve ser resolvida a 100%, não na eficácia de remate, mas sim rematar isolado (rematar comodamente).
Depois a situação de 1x1, esta situação é diferente, é a dialéctica REMATADOR - GUARDA-REDES.
Meios Simples
Qualquer atleta utiliza estes meios (novos e grandes jogadores).
1. CIRCULAÇÃO DA BOLA
2. CIRCULAÇÃO DE JOGADORES
Devem ter um sentido táctico e não mecanizado, robotizado.
Circular a bola 2 ou 3 vezes não é nada, leva ao automatismo negativo.
Circulação de jogadores: Porquê? Qual o objectivo e a que momento se deve fazer.
É importante que cada jogador, individualmente, saiba o que está a fazer, porque quando se circula a bola o jogador é muito importante.
A Circulação de Jogadores não é correr, deve-se utilizar os seguintes meios tácticos:
Passe e Vai
Progressões Sucessivas
Bloqueios
Cruzamentos
Troca de Posto Específico
Écran
Etc...
A circulação da bola no contexto táctico
História andebol António Cunha
História andebol
António Cunha
O Andebol, na sua forma presente tem uma eventual história. Conhecidos historiadores da modalidade afirmam que o “Andebol” remonta à Antiguidade e, em todas as civilizações, sob uma forma ou outra, o jogo da bola à mão tem sido praticado em todos os tempos. Admite-se a invenção dos jogos com bola aos Lidios e Sardos, antigos povos da Ásia Menor, ou ainda aos habitantes de Lición, povo que se situava junto àqueles, como ainda aos Lacedemónios ou Espartanos, ao sul da Grécia, tendo-se até conhecimento dum tratado de jogo de bola, da autoria do lacedemónio TIMÓCRATES.
Há ainda conhecimento de muitos jogos praticados na antiga Grécia, citados até na “Odisseia”, de Homero como adiante veremos e entre os aficcionados desses jogos contam-se Alexandre Magno, Dionísio, Tirano de Siracusa e Sófocles.
Os gregos chamavam “esferistica”, ao jogo de bola e “esfaira” à bola, que em Roma tinha o nome de “Pila”.
As bolas eram feitas de diversas peças de pele ou tela, cosidas entre si, formando uma espécie de bolsa que se enchia de lã, farinha ou areia. Tinham diversas cores e eram enfeitadas com bordados e desenhos.
Conhecem-se as seguintes:
HARPASTA - de origem grega
TRIGON ou PILA TRIGONALIS - romana
FOLLIS - romana, de grandes dimensões, cheia de ar
FOLLICULUS - idêntica à anterior, mas mais pequena
PAGÁNICA - de tamanho médio e cheia de plumas
Quanto aos jogos em que estes esféricos foram utilizados, conhecem-se os seguintes:
EFÉBICO ou EPICENO
FENINDE
HARPASTON (GREGOS)
HARPASTUM (ROMANOS)
APORRAXIS
URANIA
Contudo, todas estas formas de jogo pouco têm de semelhante ao Andebol de hoje.
Em 1882, aparece na Checoslováquia um jogo de bola com muitas analogias com o Andebol de 7. Este jogo, criado e divulgado por Joseph Klenker, Inspector de Educação Física, e posteriormente codificado por Karas, tinha balizas com 2 metros de largura e 2,40 metros de altura e área de baliza com 2 metros de raio e dimensões de campo sensivelmente iguais. Este jogo baptizado de Hazena popularizou-se de tal maneira e dada a sua semelhança com o Andebol de 7, que este ainda hoje é designado naqueles países (República Checa e Eslovaca), por Hazena. Por outro lado consta também que em 1890, o Professor de Ginástica Konrad Koch, criou o “Raffballspiel” com características muito semelhantes ás do Andebol. Por volta do ano 1900, na Dinamarca, o Professor de Educação Física do Colégio de Ordrup, Holger Nielsen, cria e divulga um jogo de bola a que deu o nome de Hand-Bold, jogado por questões climatéricas em sala. Este jogo foi criado pela necessidade de corresponder ás necessidades lúdicas das raparigas, que durante as aulas de Educação Física se aborreciam vendo os seus colegas jogar o Futebol, jogo que não as atraia. As primeiras regras deste jogo foram publicadas em 1906, a área de jogo tinha 45 metros de comprimento por 30 metros de largura, 11 a 16 pessoas eram as recomendadas para jogar em cada equipa, só ao Guarda-Redes era permitido jogar a bola com os pés, os restantes jogadores tinham que lançar a bola com as mãos. Puxar o oponente era permitido para fazê-lo perder a bola e, era permitido ao jogador com bola correr com a bola nas mãos até à linha de golo como acontece no Râguebi.
Na Bélgica, em 1913, aparece no curso normal Provincial de Educação Física de Liége, pelas mãos do Professor Lucien Dehoux, o “Andebol das Três Casas”, que depressa se expandiu, chegando entre 1915 e 1918 a organizarem-se campeonatos.
Em 1915 na Alemanha, Max Heiser inventou e fixou as regras de um jogo de campo ao que chamou “Torball”, certamente inspirado pela literatura da época clássica (vide Odisseia), pois o jogo era praticado só por raparigas. Deste jogo vejamos algumas regras: praticava-se num terreno de 40x20, com uma bola medicinal ou uma bola de futebol revestida com pelos. A corrida com a bola na mão não deveria exceder os três segundos. A área estava situada a 4 metros da baliza que media 2,50x2,00 metros. O número de jogadores não era preciso.
Entre 1917 e 1919 Carl Schelenz e depois Carl Diem, interessaram-se por este jogo “Torball” e adaptaram-no para os rapazes. Carl Schelenz fez a codificação das Regras de Andebol, assim, o campo aumenta, o número de jogadores é fixado em 11, a área passa a medir 11 metros e a baliza semelhante á do futebol. A bola era de volei ou de futebol e no contexto de jogo introduz-se a corrida em drible e a luta pela posse da bola o que deu um carácter mais dinâmico e espectacular ao jogo.
Há quem atribua também a Hirschman, alemão como os seus compatriotas, a criação do Andebol.
Vem no entanto da América do Sul outra versão sobre a origem do Andebol. É o Uruguai a reivindicar para si a paternidade do jogo através do Professor de Educação Física António Valeta, criador aliás de muitos outros jogos nacionais uruguaios, que no final de 1916 idealiza u0m jogo como réplica do Futebol, mas onde são apenas utilizadas as mãos. Deu-lhe o nome de “Balon”. O jogo popularizou-se de tal maneira que, em 1918, se disputou o primeiro jogo oficial no Estádio Higiene e Salud de Montevideu.
Segundo os uruguaios, o Andebol tinha entrado na Europa, através de alguns marinheiros pertencentes a vários navios, detidos no porto de Montevideu. Ao iniciarem-se as hostilidades da Primeira Grande Guerra e internados em campos de concentração, estes marinheiros eram praticantes entusiastas da Educação Física e ao tomarem contacto com o Balon, desde logo se entusiasmaram. Mais tarde, ao serem repatriados, teriam difundido aquele jogo, e teria sido então Carl Schelenz o autor da compilação das suas regras, o que deu origem à suposição de haverem sido os alemães os criadores do Andebol.
Em defesa desta teoria temos o facto de em 1936, a própria Federação Internacional, aproveitando-se de o Andebol ter sido admitido, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos, nomear o Professor Valeta seu Sócio Honorário. Um facto todavia deve ser assinalado. Todos os criadores dos jogos que deram origem ao Andebol foram Professores de Educação Física, que os utilizavam nas suas aulas para compensar o estatismo exagerado da Ginástica na época.
Podemos também concluir que cabe aos alemães a honra de serem os criadores do Andebol como desporto de competição e ao mesmo tempo serem os principais responsáveis pela grande expansão que ele hoje atinge.
Em 1934 são editadas as primeiras regras do Andebol de 7, jogo já então muito popular nos países nórdicos, principalmente na Dinamarca, pois devido ao rigor do clima, o Andebol de 11 não podia ser praticado no Inverno, pelo que se utilizavam os pavilhões para o seu treino, com a diminuição do número de jogadores e adaptação das dimensões do recinto e das balizas. Estas regras foram também aprovadas pela IAHF.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o Andebol está presente na grande competição. O Andebol (11) faz a sua estreia nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, com a participação de seis equipas, com 105 jogadores, que foram divididos em duas séries:
(A) Alemanha, Hungria e U. S. A.
(B) Áustria, Roménia e Suíça
Em 1938, ao comemorar o seu 10º aniversário, a Federação já com 28 países inscritos, organiza o primeiro Campeonato do Mundo em Berlim e Leipzing. Em Andebol de 7, participam 4 países com a vitória a pertencer também à Alemanha.
A Segunda Grande Guerra levou no entanto à dissolução da IAHF, sendo em 1946 criada em Copenhaga a actual Federação Internacional de Andebol (IHF), com filiados de todos os Continentes.
Para este desenvolvimento muito contribuiu o aparecimento da variante de 7 jogadores, que o tornaram um dos desportos de equipa mais rápidos, contributo decisivo para a sua vertiginosa expansão. O Andebol de 11 começa então a perder significado.
A partir do ano de 1952 a prática do Andebol de 7 inicia um longo período de desenvolvimento em vários países, especialmente na Suécia. Na Checoslováquia e Roménia, o Andebol de 7 afirmou-se de tal maneira que, depois da Segunda Grande Guerra, lograram romper várias vezes a supremacia Sueca.
Munique, 1972,“O Andebol passou a desporto Olímpico”.
Finalmente, neste ano o Comité Olímpico Internacional determinou que o Andebol de 7 fosse englobado nos quinze desportos obrigatórios da mais alta competição desportiva mundial. Era o triunfo final, pelo qual se bateram os pioneiros da modalidade.
O Andebol em Portugal foi introduzido por ARMANDO TSHOP. O entusiasmo criado no Porto pela modalidade levou-o a publicar em Novembro de 1929 as regras da modalidade no já extinto jornal “Os Sports”. Ele foi o principal responsável e verdadeiro “suporter” pelo lançamento da modalidade no nosso pais.
A 31 de Janeiro de 1931 dá-se a apresentação oficial do Andebol na cidade do Porto, como número de abertura dum programa desportivo organizado pela Casa dos Jornalistas.
O Andebol de “Onze”, pela sua beleza, começava a atrair adeptos, praticantes e clubes. Modalidade que em beleza suplantava o Futebol, pela precisão dos seus passes e pela força e localização dos remates à baliza. Abriu a rivalidade Lisboa-Porto e estes encontros disputavam-se anualmente nas duas cidades.
Por acção conjunta das Associações de Lisboa, Porto e Coimbra, em Maio de 1938 é fundada a Federação Portuguesa de Andebol (F. P. A. ), surgiu como corolário dum primeiro e decisivo arranque das referidas Associações, tornando realidade, a nível nacional, a definitiva oficialização do nosso Andebol.
Em Janeiro de 1945, no Campo das Salésias, em Lisboa, o Andebol Português finalmente vê concretizada a sua estreia internacional ao derrotar a equipa representativa de Madrid por 8 - 1.
O andebol de 7 passou a ser praticado oficialmente em 1949 e novamente através do contributo de outro alemão, HENRIQUE FEIST, num torneio realizado em Cascais.
Resumindo...
Evolução do Jogo (Anos 60 a 00)
No plano táctico e estratégico poderíamos considerar que:
Década de 60
. fim da existência entre o clássico e a variante
. inicio do processo de desenvolvimento autónomo da modalidade na variante de sete
. inicio do recuo dos sistemas defensivos para as respectivas áreas de baliza, motivado pela melhoria das capacidades técnicas dos atacantes e pela redução do espaço de jogo
. alterações ás regras no âmbito técnico
Década de 70
. especialização do praticante de acordo com o lugar que ocupava no terreno
. reforço do processo de desenvolvimento do Andebol de Sete
. procura de jogadores de grande estatura, envergadura e peso
. especialização defesa/ataque com substituições sistemáticas
. reconhecimento internacional com a presença da modalidade nos Jogos Olímpicos de Munique (1972)
. degeneração da imagem do jogo por actos de dureza e brutalidade pondo em duvida o futuro da modalidade
. utilização de sistemas defensivos pouco agressivos (muro) - Jogos Olímpicos de 76 (Montreal)
Década de 80
. alteração da filosofia da generalidade dos desportos colectivos
. avanço gradual dos sistemas defensivos no terreno de jogo
. maior intervenção perante o ataque com o advento do conceito de “Agressividade” e que teve como consequência a melhoria das capacidades técnico-tácticas defensivas
. alterações às regras após os Jogos Olímpicos de Moscovo (1980) face à dureza e brutalidade dos jogos realizados
. contributo de novos países como a Jugoslávia, a Argélia, a Espanha e a Coreia do Sul, para uma nova formula de praticar a modalidade
Década de 90
. maior espectacularidade e beleza devido à evolução dos atletas no plano técnico e táctico, e ás características dos pisos que protegem os atletas nas quedas (jogo acrobático)
. maior disputa de espaços entre atacantes e defensores
. aumento da agressividade dos defensores no terreno para diminuir o rendimento dos atacantes (defesas mais abertas)
. maior numero de ataques e golos devido à melhoria do treino e disponibilidade dos atletas
. continuação das alterações nas regras com vista à importância do marketing e sponsorização, de modo a aumentar os orçamentos financeiros para aquisição e reforço do plantel
. importância na utilização de meios técnicos audiovisuais para transmissões televisivas, chamando a atenção de novos praticantes e adeptos
. maior objectividade na aplicação das regras do jogo por parte dos Árbitros
. domínio por parte dos atletas da ansiedade e o stress competitivo, que em cada momento põe em causa a eficácia nas acções realizadas
. capacidade de superação e motivação dos jogadores, treinadores e dirigentes nas metas a atingir devido concorrência de outras estruturas desportivas com os mesmos objectivos.
Década de 00
. melhoria substancial na relação treinadores/ atletas na estratégia de jogo a desenvolver dentro de campo
. cultura desportiva por parte dos atletas em situações criticas de jogo. Leque de situações multifacetadas
. organização das competições nacionais e internacionais de modo sistemático para obtenção da melhor forma desportiva
. inovação das estratégias de jogo:
. zonas criticas de remate sem oposição
. ”portas” para remates apoiados ou remates rápidos
. passes “rasgados” como forma de surpreender as defesas organizadas
. disciplina táctica/ estratégia em situações de inferioridade numérica
. alternância do tempo e ritmo de jogo em situações de inferioridade numérica
. redefinida a interpretação e oportunidade das decisões da arbitragem sobre a lei da vantagem, falta atacante e jogo passivo.
António Cunha
O Andebol, na sua forma presente tem uma eventual história. Conhecidos historiadores da modalidade afirmam que o “Andebol” remonta à Antiguidade e, em todas as civilizações, sob uma forma ou outra, o jogo da bola à mão tem sido praticado em todos os tempos. Admite-se a invenção dos jogos com bola aos Lidios e Sardos, antigos povos da Ásia Menor, ou ainda aos habitantes de Lición, povo que se situava junto àqueles, como ainda aos Lacedemónios ou Espartanos, ao sul da Grécia, tendo-se até conhecimento dum tratado de jogo de bola, da autoria do lacedemónio TIMÓCRATES.
Há ainda conhecimento de muitos jogos praticados na antiga Grécia, citados até na “Odisseia”, de Homero como adiante veremos e entre os aficcionados desses jogos contam-se Alexandre Magno, Dionísio, Tirano de Siracusa e Sófocles.
Os gregos chamavam “esferistica”, ao jogo de bola e “esfaira” à bola, que em Roma tinha o nome de “Pila”.
As bolas eram feitas de diversas peças de pele ou tela, cosidas entre si, formando uma espécie de bolsa que se enchia de lã, farinha ou areia. Tinham diversas cores e eram enfeitadas com bordados e desenhos.
Conhecem-se as seguintes:
HARPASTA - de origem grega
TRIGON ou PILA TRIGONALIS - romana
FOLLIS - romana, de grandes dimensões, cheia de ar
FOLLICULUS - idêntica à anterior, mas mais pequena
PAGÁNICA - de tamanho médio e cheia de plumas
Quanto aos jogos em que estes esféricos foram utilizados, conhecem-se os seguintes:
EFÉBICO ou EPICENO
FENINDE
HARPASTON (GREGOS)
HARPASTUM (ROMANOS)
APORRAXIS
URANIA
Contudo, todas estas formas de jogo pouco têm de semelhante ao Andebol de hoje.
Em 1882, aparece na Checoslováquia um jogo de bola com muitas analogias com o Andebol de 7. Este jogo, criado e divulgado por Joseph Klenker, Inspector de Educação Física, e posteriormente codificado por Karas, tinha balizas com 2 metros de largura e 2,40 metros de altura e área de baliza com 2 metros de raio e dimensões de campo sensivelmente iguais. Este jogo baptizado de Hazena popularizou-se de tal maneira e dada a sua semelhança com o Andebol de 7, que este ainda hoje é designado naqueles países (República Checa e Eslovaca), por Hazena. Por outro lado consta também que em 1890, o Professor de Ginástica Konrad Koch, criou o “Raffballspiel” com características muito semelhantes ás do Andebol. Por volta do ano 1900, na Dinamarca, o Professor de Educação Física do Colégio de Ordrup, Holger Nielsen, cria e divulga um jogo de bola a que deu o nome de Hand-Bold, jogado por questões climatéricas em sala. Este jogo foi criado pela necessidade de corresponder ás necessidades lúdicas das raparigas, que durante as aulas de Educação Física se aborreciam vendo os seus colegas jogar o Futebol, jogo que não as atraia. As primeiras regras deste jogo foram publicadas em 1906, a área de jogo tinha 45 metros de comprimento por 30 metros de largura, 11 a 16 pessoas eram as recomendadas para jogar em cada equipa, só ao Guarda-Redes era permitido jogar a bola com os pés, os restantes jogadores tinham que lançar a bola com as mãos. Puxar o oponente era permitido para fazê-lo perder a bola e, era permitido ao jogador com bola correr com a bola nas mãos até à linha de golo como acontece no Râguebi.
Na Bélgica, em 1913, aparece no curso normal Provincial de Educação Física de Liége, pelas mãos do Professor Lucien Dehoux, o “Andebol das Três Casas”, que depressa se expandiu, chegando entre 1915 e 1918 a organizarem-se campeonatos.
Em 1915 na Alemanha, Max Heiser inventou e fixou as regras de um jogo de campo ao que chamou “Torball”, certamente inspirado pela literatura da época clássica (vide Odisseia), pois o jogo era praticado só por raparigas. Deste jogo vejamos algumas regras: praticava-se num terreno de 40x20, com uma bola medicinal ou uma bola de futebol revestida com pelos. A corrida com a bola na mão não deveria exceder os três segundos. A área estava situada a 4 metros da baliza que media 2,50x2,00 metros. O número de jogadores não era preciso.
Entre 1917 e 1919 Carl Schelenz e depois Carl Diem, interessaram-se por este jogo “Torball” e adaptaram-no para os rapazes. Carl Schelenz fez a codificação das Regras de Andebol, assim, o campo aumenta, o número de jogadores é fixado em 11, a área passa a medir 11 metros e a baliza semelhante á do futebol. A bola era de volei ou de futebol e no contexto de jogo introduz-se a corrida em drible e a luta pela posse da bola o que deu um carácter mais dinâmico e espectacular ao jogo.
Há quem atribua também a Hirschman, alemão como os seus compatriotas, a criação do Andebol.
Vem no entanto da América do Sul outra versão sobre a origem do Andebol. É o Uruguai a reivindicar para si a paternidade do jogo através do Professor de Educação Física António Valeta, criador aliás de muitos outros jogos nacionais uruguaios, que no final de 1916 idealiza u0m jogo como réplica do Futebol, mas onde são apenas utilizadas as mãos. Deu-lhe o nome de “Balon”. O jogo popularizou-se de tal maneira que, em 1918, se disputou o primeiro jogo oficial no Estádio Higiene e Salud de Montevideu.
Segundo os uruguaios, o Andebol tinha entrado na Europa, através de alguns marinheiros pertencentes a vários navios, detidos no porto de Montevideu. Ao iniciarem-se as hostilidades da Primeira Grande Guerra e internados em campos de concentração, estes marinheiros eram praticantes entusiastas da Educação Física e ao tomarem contacto com o Balon, desde logo se entusiasmaram. Mais tarde, ao serem repatriados, teriam difundido aquele jogo, e teria sido então Carl Schelenz o autor da compilação das suas regras, o que deu origem à suposição de haverem sido os alemães os criadores do Andebol.
Em defesa desta teoria temos o facto de em 1936, a própria Federação Internacional, aproveitando-se de o Andebol ter sido admitido, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos, nomear o Professor Valeta seu Sócio Honorário. Um facto todavia deve ser assinalado. Todos os criadores dos jogos que deram origem ao Andebol foram Professores de Educação Física, que os utilizavam nas suas aulas para compensar o estatismo exagerado da Ginástica na época.
Podemos também concluir que cabe aos alemães a honra de serem os criadores do Andebol como desporto de competição e ao mesmo tempo serem os principais responsáveis pela grande expansão que ele hoje atinge.
Em 1934 são editadas as primeiras regras do Andebol de 7, jogo já então muito popular nos países nórdicos, principalmente na Dinamarca, pois devido ao rigor do clima, o Andebol de 11 não podia ser praticado no Inverno, pelo que se utilizavam os pavilhões para o seu treino, com a diminuição do número de jogadores e adaptação das dimensões do recinto e das balizas. Estas regras foram também aprovadas pela IAHF.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o Andebol está presente na grande competição. O Andebol (11) faz a sua estreia nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, com a participação de seis equipas, com 105 jogadores, que foram divididos em duas séries:
(A) Alemanha, Hungria e U. S. A.
(B) Áustria, Roménia e Suíça
Em 1938, ao comemorar o seu 10º aniversário, a Federação já com 28 países inscritos, organiza o primeiro Campeonato do Mundo em Berlim e Leipzing. Em Andebol de 7, participam 4 países com a vitória a pertencer também à Alemanha.
A Segunda Grande Guerra levou no entanto à dissolução da IAHF, sendo em 1946 criada em Copenhaga a actual Federação Internacional de Andebol (IHF), com filiados de todos os Continentes.
Para este desenvolvimento muito contribuiu o aparecimento da variante de 7 jogadores, que o tornaram um dos desportos de equipa mais rápidos, contributo decisivo para a sua vertiginosa expansão. O Andebol de 11 começa então a perder significado.
A partir do ano de 1952 a prática do Andebol de 7 inicia um longo período de desenvolvimento em vários países, especialmente na Suécia. Na Checoslováquia e Roménia, o Andebol de 7 afirmou-se de tal maneira que, depois da Segunda Grande Guerra, lograram romper várias vezes a supremacia Sueca.
Munique, 1972,“O Andebol passou a desporto Olímpico”.
Finalmente, neste ano o Comité Olímpico Internacional determinou que o Andebol de 7 fosse englobado nos quinze desportos obrigatórios da mais alta competição desportiva mundial. Era o triunfo final, pelo qual se bateram os pioneiros da modalidade.
O Andebol em Portugal foi introduzido por ARMANDO TSHOP. O entusiasmo criado no Porto pela modalidade levou-o a publicar em Novembro de 1929 as regras da modalidade no já extinto jornal “Os Sports”. Ele foi o principal responsável e verdadeiro “suporter” pelo lançamento da modalidade no nosso pais.
A 31 de Janeiro de 1931 dá-se a apresentação oficial do Andebol na cidade do Porto, como número de abertura dum programa desportivo organizado pela Casa dos Jornalistas.
O Andebol de “Onze”, pela sua beleza, começava a atrair adeptos, praticantes e clubes. Modalidade que em beleza suplantava o Futebol, pela precisão dos seus passes e pela força e localização dos remates à baliza. Abriu a rivalidade Lisboa-Porto e estes encontros disputavam-se anualmente nas duas cidades.
Por acção conjunta das Associações de Lisboa, Porto e Coimbra, em Maio de 1938 é fundada a Federação Portuguesa de Andebol (F. P. A. ), surgiu como corolário dum primeiro e decisivo arranque das referidas Associações, tornando realidade, a nível nacional, a definitiva oficialização do nosso Andebol.
Em Janeiro de 1945, no Campo das Salésias, em Lisboa, o Andebol Português finalmente vê concretizada a sua estreia internacional ao derrotar a equipa representativa de Madrid por 8 - 1.
O andebol de 7 passou a ser praticado oficialmente em 1949 e novamente através do contributo de outro alemão, HENRIQUE FEIST, num torneio realizado em Cascais.
Resumindo...
Evolução do Jogo (Anos 60 a 00)
No plano táctico e estratégico poderíamos considerar que:
Década de 60
. fim da existência entre o clássico e a variante
. inicio do processo de desenvolvimento autónomo da modalidade na variante de sete
. inicio do recuo dos sistemas defensivos para as respectivas áreas de baliza, motivado pela melhoria das capacidades técnicas dos atacantes e pela redução do espaço de jogo
. alterações ás regras no âmbito técnico
Década de 70
. especialização do praticante de acordo com o lugar que ocupava no terreno
. reforço do processo de desenvolvimento do Andebol de Sete
. procura de jogadores de grande estatura, envergadura e peso
. especialização defesa/ataque com substituições sistemáticas
. reconhecimento internacional com a presença da modalidade nos Jogos Olímpicos de Munique (1972)
. degeneração da imagem do jogo por actos de dureza e brutalidade pondo em duvida o futuro da modalidade
. utilização de sistemas defensivos pouco agressivos (muro) - Jogos Olímpicos de 76 (Montreal)
Década de 80
. alteração da filosofia da generalidade dos desportos colectivos
. avanço gradual dos sistemas defensivos no terreno de jogo
. maior intervenção perante o ataque com o advento do conceito de “Agressividade” e que teve como consequência a melhoria das capacidades técnico-tácticas defensivas
. alterações às regras após os Jogos Olímpicos de Moscovo (1980) face à dureza e brutalidade dos jogos realizados
. contributo de novos países como a Jugoslávia, a Argélia, a Espanha e a Coreia do Sul, para uma nova formula de praticar a modalidade
Década de 90
. maior espectacularidade e beleza devido à evolução dos atletas no plano técnico e táctico, e ás características dos pisos que protegem os atletas nas quedas (jogo acrobático)
. maior disputa de espaços entre atacantes e defensores
. aumento da agressividade dos defensores no terreno para diminuir o rendimento dos atacantes (defesas mais abertas)
. maior numero de ataques e golos devido à melhoria do treino e disponibilidade dos atletas
. continuação das alterações nas regras com vista à importância do marketing e sponsorização, de modo a aumentar os orçamentos financeiros para aquisição e reforço do plantel
. importância na utilização de meios técnicos audiovisuais para transmissões televisivas, chamando a atenção de novos praticantes e adeptos
. maior objectividade na aplicação das regras do jogo por parte dos Árbitros
. domínio por parte dos atletas da ansiedade e o stress competitivo, que em cada momento põe em causa a eficácia nas acções realizadas
. capacidade de superação e motivação dos jogadores, treinadores e dirigentes nas metas a atingir devido concorrência de outras estruturas desportivas com os mesmos objectivos.
Década de 00
. melhoria substancial na relação treinadores/ atletas na estratégia de jogo a desenvolver dentro de campo
. cultura desportiva por parte dos atletas em situações criticas de jogo. Leque de situações multifacetadas
. organização das competições nacionais e internacionais de modo sistemático para obtenção da melhor forma desportiva
. inovação das estratégias de jogo:
. zonas criticas de remate sem oposição
. ”portas” para remates apoiados ou remates rápidos
. passes “rasgados” como forma de surpreender as defesas organizadas
. disciplina táctica/ estratégia em situações de inferioridade numérica
. alternância do tempo e ritmo de jogo em situações de inferioridade numérica
. redefinida a interpretação e oportunidade das decisões da arbitragem sobre a lei da vantagem, falta atacante e jogo passivo.
O guarda-redes de Andebol Emanuel Casimiro
O guarda-redes de Andebol
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
(Portugal)
Emanuel Casimiro
Este trabalho foi no âmbito da disciplina de Opção I - ANDEBOL, do terceiro ano da
Licenciatura em Educação Física e Desporto da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, leccionada pela Dr.ª Isabel Gomes.
“Intervenções desequilibradas e positivas em circunstâncias desfavoráveis,
fora das normais, definem a condição e qualidade internacional dos Guarda-redes.”
Domingo Barcenas
Agradecimentos
Este trabalho foi o produto de algumas horas de esforço e dedicação para cumprir um objectivo desde há algum tempo planeado. Sem a colaboração de algumas pessoas não teria sido possível a elaboração de um trabalho desta envergadura.
Em primeiro lugar gostaria de agradecer à Dr.ª Isabel Gomes, docente responsável pelo Gabinete de ANDEBOL da UTAD e nossa docente da Opção I - ANDEBOL pela disponibilidade ajuda preciosa e pelo esclarecimento prestado acerca de alguns itens integrantes deste trabalho.
Ao Herlander Silva pelas horas incansáveis de discussão acerca de variados temas e pela bibliografia de apoio ao trabalho que me facilitou.
Ao Sérgio Cabrita pela disponibilidade demonstrada e pela ajuda prestada na pesquisa bibliográfica.
Ao João Varejão pela disponibilidade que demonstrou desde o inicio em me poder ajudar.
Ao Mestre António Cunha pelos elogios prestados, pelo apoio demonstrado e pela documentação prestada.
A todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização deste documento.
a todas estas pessoas o meu muito obrigado.
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 8 - N° 57 - Febrero de 2003
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I. Introdução
“O Guarda-Redes de ANDEBOL é o elemento mais importante da equipa”, deve ser uma das frases mais conhecidas no mundo do ANDEBOL. Infelizmente sabemos que na maioria dos casos os guarda-redes estão, muitas vezes, privados de uma preparação específica e sistemática. É, de certa forma, um panorama não muito animador mas que tem vindo a ser alterado ao longo dos anos muito por força do surgimento de grandes guarda-redes de classe mundial que começaram por ter um peso superior a 50% no rendimento final das equipas em competição, Czerwinski (1993); Equisoain (2000); González e Seco (1991); Gutierrez (2000); Pinto (s/d). Hoje em dia já se fazem alguns trabalhos só sobre o guarda-redes de ANDEBOL, abordando-o, assim, de uma forma especial. Apesar de ser considerado especial devemos ter em conta que o seu treino não deve ser completamente isolado, este é membro de uma equipa com mais seis jogadores, o que pretendemos dizer é que o guarda-redes deve sim ter um treino especializado diferente dos outros jogadores mas, também deve ser tido em conta o treino conjunto de determinadas situações, tais como a colaboração com a defesa e a capacidade de iniciar tanto o ataque rápido como o contra-ataque da sua equipa em situação de jogo, Equisoain (2000).
De todos os estudos que analisamos na elaboração deste trabalho a maior concordância existente entre eles é a escassa bibliografia que existe publicada sobre o assunto, especialmente em Portugal.
Com este trabalho pretendemos abordar de uma forma clara e objectiva qual a importância do guarda-redes de ANDEBOL na sua equipa, como escolher um guarda-redes na iniciação e de que forma deve ser treinado/ensinado. Tentámos simplificar os conceitos, explicando-os e fazendo alguns comentários pessoais em relação a estes, tendo como base toda a nossa experiência como “andebolistas” e a nossa posição como formandos de uma especialização nesta modalidade num curso superior de Educação Física e Desporto.
Não pretendemos, assim, sermos possuidores da verdade absoluta, pois também não é o que se pretende, mas podemos sim tentar alhear todo o conhecimento adquirido ao longo desta pesquisa a experiência adquirida ao longo de alguns anos e tentar partilhá-la de forma que nós mesmos ou outros colegas possamos no futuro dar continuidade a todo este trabalho, que aqui iniciamos. Se todos pensássemos da mesma forma não haveria evolução.
A todos aqueles que estudam ou que estão ligados ao ANDEBOL aqui deixamos o nosso sincero contributo.
II. Objectivos
Este trabalho teve como principais objectivos:
*
Esclarecer de forma clara, sucinta e objectiva qual o papel do guarda-redes de ANDEBOL numa equipa hoje em dia;
*
Apresentar quais as principais características que devemos procurar num guarda-redes ;
*
Esclarecer quais os aspectos técnico-tácticos do guarda-redes, passando pelas escolas de guarda-redes e origem das técnicas.
III. A importância do Guarda-Redes de ANDEBOL
Ao longo dos tempos o guarda-redes tem vindo a ocupar um lugar de grande destaque numa equipa de ANDEBOL. É considerado por todos como o jogador mais importante e onde, na maior parte das vezes, se centram todas as atenções de um jogo devido ao facto de este poder ser o elemento mais desequilibrador e influenciador do resultado final.
Não podemos, de qualquer forma, dar uma importância exagerada a este posto específico menosprezando os índices de rendimento dos outros colegas de equipa, Barcenas (s/d); Pinto (s/d);). Assim, para definir o autentico sentido da sua importância poderemos afirmar que num jogo equilibrado um maior número de intervenções positivas por parte do guarda-redes pode influenciar decisivamente o resultado, Barcenas (s/d).
Na actualidade um bom guarda-redes pode influenciar decisivamente um jogo. Durante os períodos críticos do jogo pode defender a retaguarda da sua equipa transmitindo confiança e segurança aos seus colegas podendo, também, criar alguma insegurança e instabilidade aos adversários quando rematam à baliza, Barcenas (s/d); Federhoff e Stein (1995); Czerwinski e Taborsky (1997). Este ocupa uma posição excepcional na sua equipa. Por cada erro que comete este é castigado com um golo sem que ninguém o possa emendar, mas por sua vez tem a capacidade de poder corrigir os erros de todos os seus colegas de equipa, Equisoain (2000); Gutierrez (2000); Martini (1980); Pinto (s/d).
Um outro papel importante que o guarda-redes tem é o de tentar manter uma boa harmonia entre a defesa e o seu trabalho, visto que o ANDEBOL é, essencialmente, um jogo colectivo. Nestas situações a sua função é influenciar a defesa de forma a que esta corresponda de acordo com as suas exigências específicas de forma a adaptar-se às suas qualidades formando, desta forma, um bloco defensivo com elevado grau de transposição. Pode-se dizer que um guarda-redes é meia equipa, Equisoain (2000). Verifica-se, assim que o trabalho do guarda-redes não se limita apenas à defesa da baliza, este também toma parte do resto do jogo sendo desde o inicio o primeiro atacante pela sua capacidade de lançar os ataques rápidos (e contra-ataques), organiza a defesa em conjunto com os seus colegas e pode interceptar os contra-ataques da equipa contrária, Czerwinski e Taborsky (1997); Pinto (s/d).
Um guarda-redes de baixa qualidade pode transformar uma equipa competitiva numa equipa medíocre, podendo o contrário também acontecer, i.e. um bom guarda-redes pode transformar uma equipa de fraca qualidade numa equipa competitiva. Clanton e Dwight (1997).
Num jogo em que o guarda-redes alcance uma grande percentagem de acções defensivas pode influenciar decisivamente o resultado final, desta forma ele influencia positivamente os seus colegas transmitindo-lhes confiança e desmoralizando o adversário ao ponto de comprometer o desenvolvimento das suas acções técnico-tácticas ofensivas. Nestas situações temos que ter em conta que o inverso também pode acontecer, o guarda-redes pode ser o responsável pela desmotivação dos seus companheiros e pela crescente confiança ofensiva dos adversários, Pinto (s/d).
O papel do guarda-redes é, assim, decisivo para o sucesso e para a prestação desportiva da equipa na medida em que, através de acções individuais pode influenciar os seus colegas e toda a organização ofensiva adversária. As suas intervenções são, muitas vezes, o principal contribuinte para a espectacularidade de um jogo.
IV. Principais qualidades de um guarda-redes de ANDEBOL
Este capitulo do nosso trabalho foca vários aspectos relacionados com as características especificas do guarda-redes. De todas as posições dentro do campo o guarda-redes é aquele que desempenha as tarefas mais específicas e um trabalho mais isolado. Assim, podemos concluir que determinadas variáveis podem, de certa forma, ter uma enorme incidência na prestação deste jogador. Desta forma podemos dividir em quatro grupos as qualidades que pretendemos encontrar num guarda-redes de ANDEBOL:
*
Qualidades Somáticas;
*
Qualidades Psicológicas;
*
Qualidades Sensório-motoras;
1. Qualidades Somáticas
Os critérios de eleição dos guarda-redes numa equipa de iniciação dependem em muito dos treinadores, estes têm muitas vezes normas determinadas de acordo com os escalões etários, nestes critérios estão incluídos não só as variáveis somáticas mas também as psicológicas e as sensório-motoras.
Variáveis como (i) a altura, (ii) envergadura, (iii) diâmetro palmar e o (iv) peso desempenham, no campo das qualidades somáticas, um papel importante pois vão ter influência na técnica do guarda-redes, na sua capacidade de se deslocar dentro e fora da baliza, no acto da defesa em si e na própria pega da bola.
Dentro de todos os jogadores que têm para “trabalhar” uns treinadores dão mais importância a umas características ou a outras. Por exemplo uns treinadores dão mais importância à altura enquanto que outros dão à envergadura ou ao diâmetro palmar e plantar, Gutierrez (2000). Infelizmente outros há que não têm qualquer tipo de critério e elegem o guarda-redes como aquele que não sabe fazer mais nada.
È difícil eleger quais as características físicas ideais para um bom guarda-redes. Acerca deste facto Gutierrez (2000), afirma que jogadores mais altos tendem a ter os reflexos mais lentos do que os mais baixos.
Actualmente os melhores guarda-redes apresentam elevados índices ao nível da altura e envergadura, estas são variáveis sobre as quais o treinador não pode ter qualquer tipo de influência. Desta forma ocupam um maior espaço diminuindo o angulo de remate dos seus opositores, têm mais facilidade em alcançar os ângulos da baliza. Estes são, assim, considerados factores não decisivos mas importantes no desenvolvimento de um bom rendimento das suas acções de defesa da baliza, Lemos (2001). Czerwinski (1993), acrescenta ainda que nos últimos dez anos a média de altura dos guarda-redes subiu mais do que sete centímetros, o que permite a um número elevado de guarda-redes uma maior eficácia defensiva dos remates aos seis e aos nove metros.
Na relação altura/envergadura, Czerwinski (1993); Latiskevits (1991) cit. em Lemos (2001) referem que a envergadura deve ser sempre superior à altura, contudo entram em desacordo no que se refere à distância que a envergadura deve ter em relação à altura.
No quadro que se segue apresentamos as qualidades somáticas que se esperam encontrar nos guarda-redes do sexo masculino segundo os vários autores analisados:
Quadro 1 - Qualidades somáticas que se esperam encontrar no guarda-redes masculino.1
Lemos (2001) refere, nas conclusões do seu estudo, que as variáveis antropometrias altura e envergadura não são condicionantes da eficácia dos guarda-redes portugueses. No entanto, sabe-se que os guarda-redes de elevado nível internacional apresentam elevados valores de envergadura e altura. Este autor considera, assim, que estes factores não são decisivos mas sim importantes na obtenção de uma elevada performance por parte do guarda-redes de ANDEBOL.
2. Qualidades Psicológicas
A nível psicológico as qualidades apresentadas não são, de forma alguma, estranhas a qualquer tipo de desportista. No guarda-redes estas têm um peso maior pois o este para além de ter que controlar os seus níveis de ansiedade, motivação e atenção durante um jogo tem como tarefa adicional provocar um efeito de tranquilidade nos seus colegas de equipa transmitindo-lhes confiança, motivação e segurança.
“Independentemente dos valores estatísticos que objectivam a sua actuação, desde o ponto de vista psicológico, o seu comportamento influi de maneira decisiva, motivando os seus companheiros com as suas intervenções” (Lemos, 2001; pp. 27).
Uma característica comum a todos os autores é o facto de consideram que o guarda-redes para além da sua condição física, das suas características somáticas e deve ser muito forte a nível psicológico. Christian Gaudin refere que sem a componente física nada poderia ser feito, mas a parte psicológica ocupa cerca de 80% do total das capacidades, Bem-Ismail (2001).
Equisoain (2000), refere que um guarda-redes com uma elevada personalidade pode exercer uma superioridade psicológica decisiva sobre a sua ou sobre a outra equipa, i.e. mediante o seu comportamento activo influenciado pela sua superioridade psicológica, no desempenhar das suas tarefas, pode demonstrar que este se sente seguro e mais forte, ou não, em todas as situações. Ao demonstrar este tipo de segurança pode influenciar os jogadores contrários de forma a que estes cada vez falhem mais remates, é de ter em conta que o contrário também pode acontecer, se o guarda-redes demonstrar alguma insegurança os jogadores contrários ganham mais confiança para rematar à baliza.
Toda esta estabilidade psicológica pode ser inata num guarda-redes, mas também deve ser um factor a ter em conta no processo de treino visto que estas qualidades podem ser exercitadas por forma a interagirem com as suas restantes qualidades, Gutierrez (2000).
Pinto (s/d), no estudo que efectuou, refere-se às qualidades volitivas do guarda-redes: Coragem, Combatividade, Concentração, Atenção, Espírito de Decisão, Autoridade, Autonomia, Vontade, Disciplina, Auto-disciplina, Responsabilidade, Sacrifício e Controlo das emoções.
Pensamos que estas qualidades não são de todo treináveis pois a conclusão a que chegamos prende-se com o facto de todas estas se poderem evidenciar mais ou menos em função das qualidades psicológicas do guarda-redes a que fizemos referência anteriormente.
3. Qualidades Sensório-motoras
Já desde há algum tempo que o guarda-redes é reconhecido como ocupando um lugar de mais de 50% no “peso” de uma equipa de ANDEBOL. Bayer, (1987) refere que o treinador deve ter em conta as qualidades necessárias para que se jogue como guarda-redes das quais destaca: as morfológicas (referidas anteriormente), o tempo de reacção, a coordenação geral e a resistência geral.
Na pesquisa bibliográfica efectuada encontramos um conjunto de qualidades sensório-motoras referidas pelos autores como sendo as mais importantes a desenvolver no guarda-redes: (i) tempo de reacção complexo, (ii) velocidade de antecipação, (iii) velocidade de execução, (iv) mobilidade, (v) potência (vi) flexibilidade, (vii) coordenação, (viii) agilidade, (ix) resistência específica, (x) força e (xi) impulsão. Quando procuramos um jogador que possa ocupar a posição de guarda-redes devemos ter em conta algumas qualidades a procurar, no entanto temos que ter em atenção que não existe um guarda-redes que evidencie todas as qualidades que procuramos a nível sensório-motor e não só, Martini (1980). Zeier (1987) acrescenta que só com uma base de preparação física sólida e o exaltar das capacidades podem dar origem à técnica e que através dela os outros factores exigidos podem ser desenvolvidos harmoniosamente.
Olson (2001), refere que todas as técnicas exigem do guarda-redes uma boa condição física que se pode operacionalizar num bom nível de resistência, força, agilidade e flexibilidade.
Na proposta de formação do guarda-redes que apresentam González e Seco (1991), referem que ao nível das exigências motoras um bom guarda-redes deve possuir:
Uma boa mobilidade a nível de:
*
Articular;
*
Flexibilidade;
*
Elasticidade
*
Agilidade.
Uma boa coordenação:
*
Global;
*
Viso-motora;
*
Óculo-manual.
Uma boa velocidade:
*
De reacção;
*
De deslocamento.
Bons níveis de força:
*
Geral;
*
De pernas.
Uma boa resistência:
*
Geral;
*
Especifica.
Estas são assim como as qualidades sensório-motoras prioritárias que devem ser desenvolvidas em treino, mediante as características dos atletas com quem estamos a trabalhar.
Segundo Czerwinski (1993) o elemento mais importante que tem influência na eficácia do jogo do guarda-redes é o tempo de reacção.
O tempo de reacção é definido como o tempo que decorre entre o inicio do estímulo e o inicio da resposta solicitada. Este tempo de reacção pode ser dividido em dois tipos:
*
Tempo de reacção simples -» É o tempo que separa uma excitação sensorial de uma resposta motriz que o atleta já conhece previamente. Implica uma resposta simples a um estímulo já conhecido;
*
Tempo de reacção complexo -» É uma variante do tempo de reacção que se manifesta muito na actividade física em que a sua característica mais significativa é a variedade de estímulos a que o atleta tem que atender, bem como às suas enormes possibilidades de resposta. De entre uma variedade de estímulos o atleta terá que eleger, dentro das várias respostas possíveis, a mais adequada para alcançar o máximo rendimento desportivo.
Castelo (1998).
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
(Portugal)
Emanuel Casimiro
Este trabalho foi no âmbito da disciplina de Opção I - ANDEBOL, do terceiro ano da
Licenciatura em Educação Física e Desporto da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, leccionada pela Dr.ª Isabel Gomes.
“Intervenções desequilibradas e positivas em circunstâncias desfavoráveis,
fora das normais, definem a condição e qualidade internacional dos Guarda-redes.”
Domingo Barcenas
Agradecimentos
Este trabalho foi o produto de algumas horas de esforço e dedicação para cumprir um objectivo desde há algum tempo planeado. Sem a colaboração de algumas pessoas não teria sido possível a elaboração de um trabalho desta envergadura.
Em primeiro lugar gostaria de agradecer à Dr.ª Isabel Gomes, docente responsável pelo Gabinete de ANDEBOL da UTAD e nossa docente da Opção I - ANDEBOL pela disponibilidade ajuda preciosa e pelo esclarecimento prestado acerca de alguns itens integrantes deste trabalho.
Ao Herlander Silva pelas horas incansáveis de discussão acerca de variados temas e pela bibliografia de apoio ao trabalho que me facilitou.
Ao Sérgio Cabrita pela disponibilidade demonstrada e pela ajuda prestada na pesquisa bibliográfica.
Ao João Varejão pela disponibilidade que demonstrou desde o inicio em me poder ajudar.
Ao Mestre António Cunha pelos elogios prestados, pelo apoio demonstrado e pela documentação prestada.
A todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização deste documento.
a todas estas pessoas o meu muito obrigado.
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 8 - N° 57 - Febrero de 2003
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I. Introdução
“O Guarda-Redes de ANDEBOL é o elemento mais importante da equipa”, deve ser uma das frases mais conhecidas no mundo do ANDEBOL. Infelizmente sabemos que na maioria dos casos os guarda-redes estão, muitas vezes, privados de uma preparação específica e sistemática. É, de certa forma, um panorama não muito animador mas que tem vindo a ser alterado ao longo dos anos muito por força do surgimento de grandes guarda-redes de classe mundial que começaram por ter um peso superior a 50% no rendimento final das equipas em competição, Czerwinski (1993); Equisoain (2000); González e Seco (1991); Gutierrez (2000); Pinto (s/d). Hoje em dia já se fazem alguns trabalhos só sobre o guarda-redes de ANDEBOL, abordando-o, assim, de uma forma especial. Apesar de ser considerado especial devemos ter em conta que o seu treino não deve ser completamente isolado, este é membro de uma equipa com mais seis jogadores, o que pretendemos dizer é que o guarda-redes deve sim ter um treino especializado diferente dos outros jogadores mas, também deve ser tido em conta o treino conjunto de determinadas situações, tais como a colaboração com a defesa e a capacidade de iniciar tanto o ataque rápido como o contra-ataque da sua equipa em situação de jogo, Equisoain (2000).
De todos os estudos que analisamos na elaboração deste trabalho a maior concordância existente entre eles é a escassa bibliografia que existe publicada sobre o assunto, especialmente em Portugal.
Com este trabalho pretendemos abordar de uma forma clara e objectiva qual a importância do guarda-redes de ANDEBOL na sua equipa, como escolher um guarda-redes na iniciação e de que forma deve ser treinado/ensinado. Tentámos simplificar os conceitos, explicando-os e fazendo alguns comentários pessoais em relação a estes, tendo como base toda a nossa experiência como “andebolistas” e a nossa posição como formandos de uma especialização nesta modalidade num curso superior de Educação Física e Desporto.
Não pretendemos, assim, sermos possuidores da verdade absoluta, pois também não é o que se pretende, mas podemos sim tentar alhear todo o conhecimento adquirido ao longo desta pesquisa a experiência adquirida ao longo de alguns anos e tentar partilhá-la de forma que nós mesmos ou outros colegas possamos no futuro dar continuidade a todo este trabalho, que aqui iniciamos. Se todos pensássemos da mesma forma não haveria evolução.
A todos aqueles que estudam ou que estão ligados ao ANDEBOL aqui deixamos o nosso sincero contributo.
II. Objectivos
Este trabalho teve como principais objectivos:
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Esclarecer de forma clara, sucinta e objectiva qual o papel do guarda-redes de ANDEBOL numa equipa hoje em dia;
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Apresentar quais as principais características que devemos procurar num guarda-redes ;
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Esclarecer quais os aspectos técnico-tácticos do guarda-redes, passando pelas escolas de guarda-redes e origem das técnicas.
III. A importância do Guarda-Redes de ANDEBOL
Ao longo dos tempos o guarda-redes tem vindo a ocupar um lugar de grande destaque numa equipa de ANDEBOL. É considerado por todos como o jogador mais importante e onde, na maior parte das vezes, se centram todas as atenções de um jogo devido ao facto de este poder ser o elemento mais desequilibrador e influenciador do resultado final.
Não podemos, de qualquer forma, dar uma importância exagerada a este posto específico menosprezando os índices de rendimento dos outros colegas de equipa, Barcenas (s/d); Pinto (s/d);). Assim, para definir o autentico sentido da sua importância poderemos afirmar que num jogo equilibrado um maior número de intervenções positivas por parte do guarda-redes pode influenciar decisivamente o resultado, Barcenas (s/d).
Na actualidade um bom guarda-redes pode influenciar decisivamente um jogo. Durante os períodos críticos do jogo pode defender a retaguarda da sua equipa transmitindo confiança e segurança aos seus colegas podendo, também, criar alguma insegurança e instabilidade aos adversários quando rematam à baliza, Barcenas (s/d); Federhoff e Stein (1995); Czerwinski e Taborsky (1997). Este ocupa uma posição excepcional na sua equipa. Por cada erro que comete este é castigado com um golo sem que ninguém o possa emendar, mas por sua vez tem a capacidade de poder corrigir os erros de todos os seus colegas de equipa, Equisoain (2000); Gutierrez (2000); Martini (1980); Pinto (s/d).
Um outro papel importante que o guarda-redes tem é o de tentar manter uma boa harmonia entre a defesa e o seu trabalho, visto que o ANDEBOL é, essencialmente, um jogo colectivo. Nestas situações a sua função é influenciar a defesa de forma a que esta corresponda de acordo com as suas exigências específicas de forma a adaptar-se às suas qualidades formando, desta forma, um bloco defensivo com elevado grau de transposição. Pode-se dizer que um guarda-redes é meia equipa, Equisoain (2000). Verifica-se, assim que o trabalho do guarda-redes não se limita apenas à defesa da baliza, este também toma parte do resto do jogo sendo desde o inicio o primeiro atacante pela sua capacidade de lançar os ataques rápidos (e contra-ataques), organiza a defesa em conjunto com os seus colegas e pode interceptar os contra-ataques da equipa contrária, Czerwinski e Taborsky (1997); Pinto (s/d).
Um guarda-redes de baixa qualidade pode transformar uma equipa competitiva numa equipa medíocre, podendo o contrário também acontecer, i.e. um bom guarda-redes pode transformar uma equipa de fraca qualidade numa equipa competitiva. Clanton e Dwight (1997).
Num jogo em que o guarda-redes alcance uma grande percentagem de acções defensivas pode influenciar decisivamente o resultado final, desta forma ele influencia positivamente os seus colegas transmitindo-lhes confiança e desmoralizando o adversário ao ponto de comprometer o desenvolvimento das suas acções técnico-tácticas ofensivas. Nestas situações temos que ter em conta que o inverso também pode acontecer, o guarda-redes pode ser o responsável pela desmotivação dos seus companheiros e pela crescente confiança ofensiva dos adversários, Pinto (s/d).
O papel do guarda-redes é, assim, decisivo para o sucesso e para a prestação desportiva da equipa na medida em que, através de acções individuais pode influenciar os seus colegas e toda a organização ofensiva adversária. As suas intervenções são, muitas vezes, o principal contribuinte para a espectacularidade de um jogo.
IV. Principais qualidades de um guarda-redes de ANDEBOL
Este capitulo do nosso trabalho foca vários aspectos relacionados com as características especificas do guarda-redes. De todas as posições dentro do campo o guarda-redes é aquele que desempenha as tarefas mais específicas e um trabalho mais isolado. Assim, podemos concluir que determinadas variáveis podem, de certa forma, ter uma enorme incidência na prestação deste jogador. Desta forma podemos dividir em quatro grupos as qualidades que pretendemos encontrar num guarda-redes de ANDEBOL:
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Qualidades Somáticas;
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Qualidades Psicológicas;
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Qualidades Sensório-motoras;
1. Qualidades Somáticas
Os critérios de eleição dos guarda-redes numa equipa de iniciação dependem em muito dos treinadores, estes têm muitas vezes normas determinadas de acordo com os escalões etários, nestes critérios estão incluídos não só as variáveis somáticas mas também as psicológicas e as sensório-motoras.
Variáveis como (i) a altura, (ii) envergadura, (iii) diâmetro palmar e o (iv) peso desempenham, no campo das qualidades somáticas, um papel importante pois vão ter influência na técnica do guarda-redes, na sua capacidade de se deslocar dentro e fora da baliza, no acto da defesa em si e na própria pega da bola.
Dentro de todos os jogadores que têm para “trabalhar” uns treinadores dão mais importância a umas características ou a outras. Por exemplo uns treinadores dão mais importância à altura enquanto que outros dão à envergadura ou ao diâmetro palmar e plantar, Gutierrez (2000). Infelizmente outros há que não têm qualquer tipo de critério e elegem o guarda-redes como aquele que não sabe fazer mais nada.
È difícil eleger quais as características físicas ideais para um bom guarda-redes. Acerca deste facto Gutierrez (2000), afirma que jogadores mais altos tendem a ter os reflexos mais lentos do que os mais baixos.
Actualmente os melhores guarda-redes apresentam elevados índices ao nível da altura e envergadura, estas são variáveis sobre as quais o treinador não pode ter qualquer tipo de influência. Desta forma ocupam um maior espaço diminuindo o angulo de remate dos seus opositores, têm mais facilidade em alcançar os ângulos da baliza. Estes são, assim, considerados factores não decisivos mas importantes no desenvolvimento de um bom rendimento das suas acções de defesa da baliza, Lemos (2001). Czerwinski (1993), acrescenta ainda que nos últimos dez anos a média de altura dos guarda-redes subiu mais do que sete centímetros, o que permite a um número elevado de guarda-redes uma maior eficácia defensiva dos remates aos seis e aos nove metros.
Na relação altura/envergadura, Czerwinski (1993); Latiskevits (1991) cit. em Lemos (2001) referem que a envergadura deve ser sempre superior à altura, contudo entram em desacordo no que se refere à distância que a envergadura deve ter em relação à altura.
No quadro que se segue apresentamos as qualidades somáticas que se esperam encontrar nos guarda-redes do sexo masculino segundo os vários autores analisados:
Quadro 1 - Qualidades somáticas que se esperam encontrar no guarda-redes masculino.1
Lemos (2001) refere, nas conclusões do seu estudo, que as variáveis antropometrias altura e envergadura não são condicionantes da eficácia dos guarda-redes portugueses. No entanto, sabe-se que os guarda-redes de elevado nível internacional apresentam elevados valores de envergadura e altura. Este autor considera, assim, que estes factores não são decisivos mas sim importantes na obtenção de uma elevada performance por parte do guarda-redes de ANDEBOL.
2. Qualidades Psicológicas
A nível psicológico as qualidades apresentadas não são, de forma alguma, estranhas a qualquer tipo de desportista. No guarda-redes estas têm um peso maior pois o este para além de ter que controlar os seus níveis de ansiedade, motivação e atenção durante um jogo tem como tarefa adicional provocar um efeito de tranquilidade nos seus colegas de equipa transmitindo-lhes confiança, motivação e segurança.
“Independentemente dos valores estatísticos que objectivam a sua actuação, desde o ponto de vista psicológico, o seu comportamento influi de maneira decisiva, motivando os seus companheiros com as suas intervenções” (Lemos, 2001; pp. 27).
Uma característica comum a todos os autores é o facto de consideram que o guarda-redes para além da sua condição física, das suas características somáticas e deve ser muito forte a nível psicológico. Christian Gaudin refere que sem a componente física nada poderia ser feito, mas a parte psicológica ocupa cerca de 80% do total das capacidades, Bem-Ismail (2001).
Equisoain (2000), refere que um guarda-redes com uma elevada personalidade pode exercer uma superioridade psicológica decisiva sobre a sua ou sobre a outra equipa, i.e. mediante o seu comportamento activo influenciado pela sua superioridade psicológica, no desempenhar das suas tarefas, pode demonstrar que este se sente seguro e mais forte, ou não, em todas as situações. Ao demonstrar este tipo de segurança pode influenciar os jogadores contrários de forma a que estes cada vez falhem mais remates, é de ter em conta que o contrário também pode acontecer, se o guarda-redes demonstrar alguma insegurança os jogadores contrários ganham mais confiança para rematar à baliza.
Toda esta estabilidade psicológica pode ser inata num guarda-redes, mas também deve ser um factor a ter em conta no processo de treino visto que estas qualidades podem ser exercitadas por forma a interagirem com as suas restantes qualidades, Gutierrez (2000).
Pinto (s/d), no estudo que efectuou, refere-se às qualidades volitivas do guarda-redes: Coragem, Combatividade, Concentração, Atenção, Espírito de Decisão, Autoridade, Autonomia, Vontade, Disciplina, Auto-disciplina, Responsabilidade, Sacrifício e Controlo das emoções.
Pensamos que estas qualidades não são de todo treináveis pois a conclusão a que chegamos prende-se com o facto de todas estas se poderem evidenciar mais ou menos em função das qualidades psicológicas do guarda-redes a que fizemos referência anteriormente.
3. Qualidades Sensório-motoras
Já desde há algum tempo que o guarda-redes é reconhecido como ocupando um lugar de mais de 50% no “peso” de uma equipa de ANDEBOL. Bayer, (1987) refere que o treinador deve ter em conta as qualidades necessárias para que se jogue como guarda-redes das quais destaca: as morfológicas (referidas anteriormente), o tempo de reacção, a coordenação geral e a resistência geral.
Na pesquisa bibliográfica efectuada encontramos um conjunto de qualidades sensório-motoras referidas pelos autores como sendo as mais importantes a desenvolver no guarda-redes: (i) tempo de reacção complexo, (ii) velocidade de antecipação, (iii) velocidade de execução, (iv) mobilidade, (v) potência (vi) flexibilidade, (vii) coordenação, (viii) agilidade, (ix) resistência específica, (x) força e (xi) impulsão. Quando procuramos um jogador que possa ocupar a posição de guarda-redes devemos ter em conta algumas qualidades a procurar, no entanto temos que ter em atenção que não existe um guarda-redes que evidencie todas as qualidades que procuramos a nível sensório-motor e não só, Martini (1980). Zeier (1987) acrescenta que só com uma base de preparação física sólida e o exaltar das capacidades podem dar origem à técnica e que através dela os outros factores exigidos podem ser desenvolvidos harmoniosamente.
Olson (2001), refere que todas as técnicas exigem do guarda-redes uma boa condição física que se pode operacionalizar num bom nível de resistência, força, agilidade e flexibilidade.
Na proposta de formação do guarda-redes que apresentam González e Seco (1991), referem que ao nível das exigências motoras um bom guarda-redes deve possuir:
Uma boa mobilidade a nível de:
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Articular;
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Flexibilidade;
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Elasticidade
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Agilidade.
Uma boa coordenação:
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Global;
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Viso-motora;
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Óculo-manual.
Uma boa velocidade:
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De reacção;
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De deslocamento.
Bons níveis de força:
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Geral;
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De pernas.
Uma boa resistência:
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Geral;
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Especifica.
Estas são assim como as qualidades sensório-motoras prioritárias que devem ser desenvolvidas em treino, mediante as características dos atletas com quem estamos a trabalhar.
Segundo Czerwinski (1993) o elemento mais importante que tem influência na eficácia do jogo do guarda-redes é o tempo de reacção.
O tempo de reacção é definido como o tempo que decorre entre o inicio do estímulo e o inicio da resposta solicitada. Este tempo de reacção pode ser dividido em dois tipos:
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Tempo de reacção simples -» É o tempo que separa uma excitação sensorial de uma resposta motriz que o atleta já conhece previamente. Implica uma resposta simples a um estímulo já conhecido;
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Tempo de reacção complexo -» É uma variante do tempo de reacção que se manifesta muito na actividade física em que a sua característica mais significativa é a variedade de estímulos a que o atleta tem que atender, bem como às suas enormes possibilidades de resposta. De entre uma variedade de estímulos o atleta terá que eleger, dentro das várias respostas possíveis, a mais adequada para alcançar o máximo rendimento desportivo.
Castelo (1998).
Forma Básica de Jogo 1 Amandio Graça
Forma Básica de Jogo 1
Forma Básica de Jogo 1 jogo 3x3 / situação 3x2 com três jogadores na organização do ataque
Receber + armar o braço = 1
Tudo em movimento
Acção orientada para a baliza
Recuperar profundidade após passe
Rematar à baliza quando surge uma oportunidade (remate por cima – remate por cima em salto)
Jogar sem drible – é permitido 1 drible unitário
Forma Básica de Jogo 1: Descrição
Durante muito tempo, o andebol foi entendido como uma soma de habilidades, tais como correr, passar, rematar, saltar...
Jogar andebol, contudo, é muito mais do que isso. Jogar andebol requer a capacidade de se adaptar a um envolvimento de jogo que está continuamente a mudar em função das acções de colegas e adversários.
Para além disso, os jogadores têm que ter a capacidade de interagir com aquilo que acontece e que é observado. Muitas situações de jogo e em especial muitas actividades de aprendizagem são em grande parte “actividades de passe e remate” e prendem-se quase em exclusivo com a exercitação das técnicas de passe e de remate. “Jogar em equipa”, que faz parte integrante da essência do jogo, é muitas vezes deixado de lado.
Só é possível aprender a jogar um determinado jogo se tivermos oportunidade de jogar esse jogo. Por isso, é fundamental incluir “o jogo” desde o início da aprendizagem.
No entanto, quando se coloca de imediato jovens aprendizes a jogar o dito andebol “real”, o mais certo é assistir-se a um jogo caótico, com inúmeras perdas de bola e repleto de acções muito pouco estruturadas. É por isso importante encontrar formas adaptadas de jogo, que coloquem os aprendizes a jogar andebol dentro de uma área delimitada, na qual se possam movimentar livremente e jogar em equipa em interacção constante com os adversários. Acima de tudo, é da maior importância que os aprendizes obtenham experiências de sucesso durante o jogo.
Na finalização, a observação da acção do guarda-redes é decisiva. Muitas vezes os aprendizes, sob pressão, rematam directamente para o guarda-redes e tentam finalizar sem observar devidamente a sua acção.
Na primeira Forma Básica de Jogo, joga-se numa situação de 3x3, com o guarda-redes a participar no ataque. Deste modo, dispõe-se de uma superioridade numérica no ataque e principalmente uma transição defesa-ataque e ataque-defesa imediata. Seja qual for o nível de experiência, os jogadores adoram este jogo de contra-ataque espontâneo e de imperiosa recuperação imediata, dado não estar ninguém na baliza.
Devido à sua equipa ter mais um jogador no ataque, cada vez que entre em posse de bola o jogador tem que assumir a responsabilidade e realizar uma acção em direcção à baliza.
As escolhas correctas para a organização do ataque são determinadas pela ocupação da posição em relação à bola e em relação ao espaço disponível no campo.
Nesta Forma Básica de Jogo, os aspectos da defesa não são abordados. Contudo, o professor deverá intervir quando houver contacto faltoso.
CONTEXTO DE JOGO
A simplificação do jogo é estabelecida pelo ajustamento de um conjunto de condições ao nível de jogo do grupo de aprendizagem.
O número de jogadores
O campo
O tamanho da bola
As regras
Forma Básica de Jogo 1: enunciado do problema
DESCRIÇÃO
Com que problemas se confrontam os jogadores quando jogam 3x3 num campo de mini-andebol pela primeira vez?
Os jogadores numa situação de jogo 3x3 num campo de mini-andebol:
- perdem a bola porque:
o recebem a bola só com uma mão
o após receberem a bola, não armam o braço imediatamente
o passam a alguém que não está a pedir a bola
- não criam oportunidades de finalização porque:
o recebem a bola parados
o não realizam qualquer acção em direcção à baliza
- Não marcam golos porque:
o não observam a acção do guarda-redes
- Não se posicionam adequadamente porque
o não utilizam o espaço disponível
o ficam demasiado perto da área de baliza
o ficam fora de acção
- Não se reposicionam porque
o ficam parados após efectuarem o passe
Como pode o professor intervir?
Forma Básica de Jogo 1: objectivos de aprendizagem
De acordo com os problemas da situação de jogo 3x3 acima formulados, o professor estabelecerá os seguintes objectivos principais:
Os jogadores, numa situação de jogo de 3x3 num campo de mini-andebol
- Mantêm a posse de bola porque:
o recebem a bola com ambas as mãos
o armam o braço logo que recebem a bola
o passam a um companheiro que pede a bola com a duas mãos e estabelece contacto visual
- Criam oportunidades de finalização porque
o recebem a bola em movimento
o movimentam-se em direcção à baliza
- Finalizam com êxito porque:
o observam a posição e a acção do guarda-redes quando rematam
- Posicionam-se:
o ocupando as posições do dispositivo de ataque
o mantendo-se atrás da linha da bola como jogador livre
- Reposicionam-se:
o repondo a posição ofensiva (movimento de “piston”)
Forma Básica de Jogo 1: actividades de aprendizagem
LINHA DE APRENDIZAGEM
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as formas parciais de jogo.
1. Tarefa
Jogar 3x3 num campo de mini-andebol com duas balizas e com uma área de baliza rectangular.
Tentar marcar o maior número de golos jogando em equipa
Durante o jogo são aplicadas as seguintes regras
o área de jogo: linhas laterais, linhas finais, áreas de baliza
o não é permitido entrar na área de baliza
o não são permitidas violações flagrantes do drible
o não é permitido contacto
o o comportamento incorrecto é punido com exclusão de 2 minutos
Reposição da bola em jogo através de:
o lançamento de reposição: com um pé sobre a linha lateral
o lançamento de saída pelo guarda-redes
o lançamento livre no local da falta
Nas primeiras fases de desenvolvimento do jogo, os jogadores são muitas vezes tentados a abusar do drible e a não colaborar com os colegas de equipa. Na medida em que desde o início da abordagem o andebol é apresentado como um jogo de equipa, o drible será proibido com uma ressalva: será permitido o drible de andebol (3 passos – 1 drible unitário – 3 passos), quando usado em circunstâncias apropriadas
Os defensores podem actuar livremente; poderão tentar interceptar a bola mas não lhes é permitido qualquer contacto físico com os atacantes.
Observamos que não finalizamos muitas vezes. Para finalizar precisamos de ter posse de bola
Durante quanto tempo conseguimos manter a posse de bola?
Objectivo de aprendizagem: manter a posse de bola recebendo-a com as duas mãos.
Instrução: Recebe a bola com as duas mãos
Quando recebemos a bola com as duas mãos, melhoramos o controlo da bola e sofremos menos perdas de bola.
Para continuar a reduzir o número de perdas de bola precisamos de ar
mar imediatamente o braço logo que a recebemos, de modo a estarmos numa posição que nos permita realizar facilmente a acção seguinte. Receber e armar o braço (▲) estão completamente interligados.
(▲) armar o braço = colocar o braço em posição de rematar ou passar
2. Como podemos armar o braço de modo a permitir realizar rapidamente a acção seguinte?
Objectivo: armar imediatamente o braço logo que se recebe a bola
Instrução: eleva a bola imediatamente atrás e acima da cabeça logo que a recebes
Para evitar perder a bola quando passamos, só devemos passar a um colega que esteja a pedir a bola
3. Como podemos reduzir o número de perdas de bola quando passamos?
Objectivo: passar a um colega que esteja a pedir a bola
Instrução: só passas a um colega que te ”peça” a bola com as duas mãos e estabeleça contacto visual contigo.
Conservamos a posse de bola durante mais tempo mas não conseguimos marcar nas tentativas de finalização porque rematamos na direcção do guarda-redes.
4. Quando temos melhores possibilidades de bater o guarda-redes?
Objectivo: finalizar observando a posição e a movimentação do guarda-redes durante o remate
Instrução: observa o guarda-redes e remata para o lado da baliza que não está protegido.
Agora, já estamos a ter em conta a posição do guarda-redes. Para continuar a melhorar as nossas possibilidades temos que de forma continuada identificar – observar – validar as nossas próprias oportunidades
5. Quando criamos as nossas próprias oportunidades de finalização?
Objectivo: criar oportunidades de finalização recebendo a bola em movimento em direcção à baliza
Instrução: recebe a bola em movimento na direcção da baliza adversária
Quando não podemos aproveitar a oportunidade de finalização e somos forçados a passar, surge a necessidade de nos reposicionarmos
6. Onde nos vamos reposicionar?
Objectivo: reposicionar-se atrás do colega que tem a posse de bola
Instrução: após passares recupera para uma posição atrás da linha da bola
7. Como podemos continuar a melhorar o nível de jogo na primeira Forma Básica de Jogo de 3x3?
Nem todos os problemas de jogo podem ser resolvidos dentro da situação de jogo de 3x3, e é necessária a introdução de outras situações de aprendizagem para o nível de jogo melhorar.
Para proporcionar melhores oportunidades de aprendizagem recorre-se a formas parciais de jogo.
Os problemas específicos da situação de jogo e consequentemente as actividades de aprendizagem são contempladas dentro de uma das três seguintes estruturas parciais, ou formas parciais de jogo:
Finalização e impedir finalização (F/IF)
Criar oportunidades de finalização e impedir oportunidades de finalização (COF/IOF)
Organizar o ataque e impedir a organização do ataque (OA/IOA)
A qualquer momento o professor pode interromper a forma parcial de jogo para voltar à forma básica de jogo, de modo a avaliar os progressos verificados no nível de jogo.
Forma parcial de Jogo relativa à FINALIZAÇÃO
Forma parcial de Jogo relativa à finalização: enunciado do problema
O maior problema relativamente à finalização deriva do facto de, apesar de os jogadores criarem várias oportunidades de finalização, marcarem poucos golos, porque o atacante perde no confronto directo com o guarda-redes. Com muita frequência o remate acerta no guarda redes, porque o aprendiz não observa para onde deve rematar.
Observar o guarda-redes é então prioridade:
- Onde é que o guarda-redes está colocado?
As situações de jogo devem ser escolhidas de modo a que os jogadores disponham de tempo suficiente e que seja possível rematar com pouca ou nenhuma oposição defensiva
No caso de haver dificuldades de execução que impeçam o sucesso do remate, teremos que recorrer a formas de exercitação do remate.
DESCRIÇÃO
Os jogadores não marcam golo porque não observam a posição do guarda-redes
Forma parcial de jogo relativa à finalização: objectivos
DESCRIÇÃO
Os jogadores marcam golo porque observam a posição do guarda-redes
Forma parcial de Jogo relativa à finalização: actividades de aprendizagem
1. Jogo da Linha - VÍDEO CD2 /
Actividade de aprendizagem
Jogar 3x3 num campo de mini-andebol. Cada equipa defende com 3 guarda-redes (▲1) que estão posicionados na área de baliza. A equipa atacante tenta rematar para além da linha (contra a parede …).
Durante o jogo aplicam-se as seguintes regras:
- os 3 guarda-redes não podem interceptar a bola aos atacantes fora da área de baliza.
- não é permitido rematar em arco nem driblar
- assim que os atacantes rematam, a equipa que defende pode sair em contra-ataque, após recuperação de bola. Porém a equipa só pode finalizar após todos os seus jogadores saírem da sua área.
(▲1) propositadamente utilizamos a designação 3 guarda-redes (3 jogadores a defender DENTRO da área de baliza) para evitar qualquer confusão sobre a possibilidade de os defensores poderem entrar na área de baliza
2. Por que é um golo anulado?
Os jogadores rematam pisando a linha da área de baliza ou entram dentro da área de baliza
Objectivo: os jogadores rematam sem pisar a área de baliza
Instrução: quando rematares não entres na área de baliza
3. Como podemos aumentar o tempo de tomada de decisão quando rematamos
Objectivo: armar o remate logo que se recebe a bola
Instrução. Coloca a bola atrás e acima da cabeça logo que a recebes.
4. Como damos prioridade à pontaria em vez da força no remate à baliza?
Objectivo: os jogadores finalizam com um remate picado
Instrução: Finaliza com a bola a bater no chão
A utilização do remate picado, por um lado favorece naturalmente coordenação do movimento correcto; por outro lado o remate clássico, assim, é menos forte e mais fácil de defender, requerendo a necessidade de uma maior precisão de remate.
5. Para onde rematamos tendo em conta a posição do guarda-redes?
Actividade de aprendizagem
Jogar 3x2 num campo de mini-andebol com 4 (2x2) balizas (colchões, bancos suecos…). Ambas as balizas são defendidas por um guarda-redes. Um defensor joga fora da área de baliza
Objectivo: rematar para fora do alcance do guarda-redes
Instrução: jogando em equipa tenta marcar o maior número de golos possível e de preferência marcando na baliza que não está ser defendida
6. Como podemos melhorar a execução do remate clássico
Para tal teremos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relacionadas com a finalização
Tarefas baseadas no jogo relacionadas com a finalização
1. Enunciado do problema: os jogadores rematam contra o guarda-redes
Objectivo: rematar para o lado aberto da baliza
Actividade de aprendizagem: observar qual é o lado aberto da baliza
- O jogador começa com a bola em ambas as mãos, ao sinal do professor (VAI!) corre em direcção à baliza. Ao mesmo tempo o guarda-redes vira-se para a bola e desloca-se para o lado esquerdo ou para o lado direito da baliza. O jogador deve rematar para o lado da baliza que ficar aberto.
- Idem, mas o guarda-redes permanece no meio da baliza e ora estende os braços para cima, ora adopta uma posição agachada. O atacante deve rematar para um dos cantos para a parte superior ou inferior da baliza em conformidade com a postura do guarda-redes
- O mesmo desenvolvimento – o jogador começa por fazer um passe para receber de volta em movimento para a baliza. O guarda-redes toca num poste e posiciona-se junto ao outro.
2. Se o aprendiz for capaz de realizar um passe de 10 a 12 metros, então qualquer das formas de jogo descritas estão dentro das suas possibilidades. Se a técnica utilizada é ou não correcta não é assunto prioritário.
No entanto, o professor pode observar que a taxa de sucesso aumenta quando a técnica de remate melhora. Então o professor pode decidir exercitar o remate
Actividades de aprendizagem: passe clássico
Descrição do passe clássico de acordo com a análise dos erros
-Descrição para o jogador dextro
O jogador segura a bola com as duas mãos na posição inicial. Durante o primeiro passo (esquerdo) e o segundo passo (direito) a bola é levada até pelo menos a altura da cabeça (de preferência ligeiramente acima) e para trás. O movimento de remate ocorre durante o terceiro passo.
Prestar atenção a:
• Boa coordenação cruzada
Para uma correcta execução do remate, é necessário realizar 3 passos, os quais permitem um óptimo armar do braço. Com um movimento de armação correcto é raro acontecer uma errada coordenação cruzada (os jogadores dextros de uma forma natural colocarão o pé esquerdo à frente, cfr. posição de tiro ao arco para os mais pequenos…)
• Cotovelo elevado
Se a bola estiver armada acima (ou pelo menos à altura) da cabeça o cotovelo estará automaticamente elevado Quando o cotovelo está baixo a bola é mais empurrada do que rematada.
• Manter uma posição alta
Durante o remate requer-se que o jogador mantenha uma posição elevada em vez de se inclinar para uma posição baixa (remata sempre por cima de uma corda, isto é ao nível do ombro)
• Ampla abertura do braço
O movimento de armação do remate deve ter uma grande amplitude (nada de braço curto, o braço de remate deve estar praticamente estendido)
Forma Parcial de Jogo relativa à CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES
Forma Parcial de Jogo relativa à criação de oportunidades: enunciado do problema
Os jogadores de andebol menos experientes são muitas vezes inseguros, pouco criativos e preferem com frequência que sejam os “melhores” a finalizar. O seu jogo não é orientado para a finalização e tentam desfazer-se da bola o mais depressa possível. Quando possuem a bola não se movem em direcção à baliza e não observam nem o defensor nem a baliza de modo a descobrir uma oportunidade de finalização. Os jogadores que não têm intenção de atacar a baliza não constituem ameaça para a defesa, que rapidamente identifica este ponto fraco do ataque e modifica o comportamento defensivo em conformidade
Também se observa que os jogadores que tentam o remate cometem determinados erros que os impedem de marcar golo. Por exemplo, acontece com frequência os jogadores receberem a bola parados. E dessa posição ainda tentam o remate, muitas vezes de distâncias demasiado afastadas da baliza. Se eventualmente repara que está demasiado afastado, dribla em direcção à baliza sem ver o que se passa à sua volta, acontecendo muitas vezes ter um defensor por perto que lhe tira a bola. Tudo isto acontece por não ter recebido a bola em movimento em direcção à baliza.
DESCRIÇÃO
Os jogadores não criam oportunidades:
porque não realizam uma acção em direcção à baliza
porque recebem a bola parados
Forma Parcial de Jogo relativa à criação de oportunidades: objectivos
A determinação dos problemas de jogo anteriormente enunciados com respeito à criação de oportunidades de finalização conduzirá à delimitação dos seguintes objectivos específicos de aprendizagem
Os jogadores criam oportunidades
recebendo a bola em movimento
realizando a acção em direcção à baliza
Forma Parcial de Jogo relativo à criação de oportunidades: actividades de aprendizagem
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as tarefas baseadas no jogo.
1. Tarefa VÍDEO CD1
Um defensor defende 3 entradas no campo. Para finalizar, o possuidor da bola terá que correr através de uma das entradas. Os jogadores apercebem-se que não conseguem atravessar a entrada quando recebem a bola em movimento, porque desta maneira eles conseguem vantagem sobre o defensor.
A seguir os atacantes realizam a mesma tarefa, mas agora só com duas entradas
2. Tarefa: jogar 3x3 para 1 baliza
Enunciado do problema: os jogadores que não têm intenção de atacar a baliza não são ameaça para a defesa.
Objectivo: O atacante com posse de bola deve realizar sempre uma acção visando a baliza
Actividade de aprendizagem: o possuidor da bola tem sempre que realizar uma acção de ataque à baliza
3. Tarefa jogar 2x2 para 2 balizas VIDEO - CD1
Podemos considerar que uma situação de 2x1 é bem sucedida quando um dos atacantes fica isolado numa posição de rematar sem oposição de um defensor.
O atacante sem bola tem que fornecer ao possuidor da bola uma oportunidade de passe. Um passe a um jogador melhor posicionado tem sempre prioridade sobre o drible ou sobre o duelo 1x1.
O ajustamento temporal é crucial (o momento em que o possuidor da bola passa ao colega).
O possuidor da bola deve esperar até que o defensor decida vir atacá-lo. (=obrigatoriamente) Isto só acontece quando o possuidor da bola se revela uma real ameaça.
4. É claro que se os jogadores ainda tiverem dificuldade em lidar com as formas parciais de jogo atrás descritas a grande lacuna pode ser encontrada na pobreza da exercitação da situação de 2x1.
Neste caso teremos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relativas à criação de oportunidades
Tarefas baseadas no jogo para a criação de oportunidades
Enunciado do Problema: os jogadores passam a bola demasiado cedo ou demasiado tarde
Objectivo: os jogadores são capazes de passar a bola no momento certo
Actividades de aprendizagem: 2 atacantes e um defensor. Não há remate à baliza. Ganha-se ponto quando o atacante com bola consegue PENETRAR em corrida na área de baliza. Por isso é permitido correr indefinidamente com a bola. O defensor pára o ataque se tocar no possuidor da bola.
O jogador com posse de bola deverá prestar atenção aos seguintes princípios:
• Move-te em direcção à baliza enquanto houver espaço livre
• Passa ao colega livre quando o defensor vem ao teu encontro
• Não passes demasiado cedo – o defensor deve estar claramente mais perto de ti do que do teu colega
• Não passes a bola demasiado tarde de modo a que o defensor não tenha qualquer possibilidade de a interceptar
Instrução para o jogador sem bola:
• Move-te de maneira a poderes receber o passe do teu colega a qualquer momento. Quer isto dizer que nunca deves estar alinhado com o defensor e a bola.
Forma parcial de jogo relativa à ORGANIZAÇÃO DO ATAQUE: enunciado do problema
No andebol é necessário adoptar um posicionamento adequado no campo. Para ocupar adequadamente o espaço do campo é importante entrar em linha de conta com a amplitude e profundidade do ataque.
Os jogadores:
• correm fundo de mais e ficam parados demasiado perto área de baliza.
• posicionam-se demasiado perto uns dos outros e não ocupam toda a largura do campo
• ficam parados após efectuarem um passe
Frequentemente designado como “circundar” o defesa
Para além de um bom posicionamento, cada jogador deve apoiar permanentemente as acções dos colegas
Forma parcial de jogo relativa à organização do ataque:
A determinação dos problemas de jogo atrás formulados para organizar o ataque levará o professor a colocar os seguintes objectivos de aprendizagem
Os jogadores:
• não correm para demasiado perto da área
• utilizam toda a largura do campo
• reposicionam-se após efectuarem um passe (movimento de “piston”)
Forma parcial de jogo relativa à organização do ataque:
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as tarefas baseadas no jogo.
1. Tarefa ------Vídeo CD1
Jogar 3x3 (situação 3x2) com área restrita (só é permitida a entrada ao possuidor da bola) em frente da área de baliza.
Enunciado do problema: na maior parte das vezes os jogadores adiantam-se demasiado, provocando:
• dificuldade de recepção da bola
• impossibilidade de receber a bola em movimento
• após receber a bola pisam a área adversária devido à falta de espaço
Por isso criamos uma área de mais ou menos 3 metros onde o atacante sem bola não pode entrar
A PROFUNDIDADE no ataque permite-te manter a posse de bola (sem profundidade os jogadores não conseguem ficar livres para receber o passe) mas acima de tudo, é absolutamente necessário receber a bola em movimento.
2. Utilizar toda a largura do campo
Área onde se joga o jogo dos “10 passes” (???) – após um sinal a equipa que estiver em posse de bola passa a atacar – ocupando o mais rápido possível as três posições de primeira linha.
A AMPLITUDE no ataque é necessária para obrigar a defesa a abrir – o que implica que as posições laterais devem ser sempre ocupadas
o As posições laterais são mais importantes que as posições centrais
o As posições de trás são mais seguras que as posições próximas da área de baliza
Por isso, na nossa primeira forma básica de jogo ocupamos as 3 posições da primeira linha (lateral esquerdo, central e lateral direito)
3. Não ficar parado após efectuar um passe
Os 3 atacantes ocupam as 3 posições da primeira linha (esquerda, centro e direita). Eles têm que passar duas vezes da esquerda para a direita antes de poderem rematar à baliza
Objectivo: reposicionar-se após efectuar um passe
Os jogadores inexperientes colocam-se muitas vezes muito próximos uns dos outros ou demasiado próximos dos defensores porque não recuperam para a sua posição inicial no campo.
Nomeadamente, após passe o jogador deve reposicionar-se (▲) para depois ter possibilidade de receber a bola em movimento em direcção à baliza. No andebol isso quer dizer que o jogador dá profundidade ao ataque ao afastar-se da área de baliza (= para a primeira linha)
(▲) De modo a ficar em condições de receber a bola eu afasto-me da área de baliza para uma posição a partir da qual eu possa novamente receber a bola em movimento em direcção à baliza sem ser travado pelo defensor.
4. Como podemos continuar a melhorar o nosso posicionamento e reposicionamento
Para isso temos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relativas à organização do ataque.
Tarefas baseadas no jogo para a organização do ataque
1. Enunciado do problema: os jogadores viram costas à baliza para se reposicionar
Objectivo: os jogadores reposicionam-se de frente para a baliza
Actividade de aprendizagem:
Movimento repetido com 3 jogadores de primeira linha que continuamente regressam a um cone. O retorno ao cone faz-se sempre de frente para a baliza, isto é sem dar meia volta.
2. Enunciado do problema: os jogadores arrancam demasiado cedo
Objectivo: inicia o movimento quando puderes receber a bola, ou seja, no momento em que o teu colega arma o braço.
Actividade de aprendizagem:
Movimento repetido com 3 jogadores de primeira linha que continuamente regressam a um cone.
Quando se inicia o movimento?
O maior erro é arrancar demasiado cedo – a posição inicial é boa, mas porque antecipa demasiado o movimento o atacante vai ter o defensor muito perto quando for receber a bola
3. Enunciado do problema: a continuidade dos passes é interrompida devido a má recepção de bola.
Descrição da recepção de bola de acordo com a análise dos erros
Prestamos atenção a:
• recepção da bola em movimento
Não parar para receber a bola. Os jogadores inexperientes muitas vezes interrompem o movimento para ‘esperar’ pele bola.
• dedos a apontar para cima, polegares voltados um para o outro
Uma boa técnica é necessária para evitar lesões das mãos e dos dedos.
• os pés orientados na direcção da corrida (voltados para o alvo)
• Nota
Queremos frisar novamente que, no andebol, receber e armar o braço são inseparáveis.
AVALIAÇÃO
OBJECTIVOS BÁSICOS DE APRENDIZAGEM
O Jogador
o Não dribla desnecessariamente
o Recebe a bola com as duas mãos
o Arma o braço imediatamente após receber a bola
o Só passa a alguém que esteja a “pedir” a bola
o Recebe a bola em movimento
o Realiza uma acção orientada para a baliza quando tem a posse da bola
o Não remata para o guarda-redes
o Posiciona-se adequadamente à largura do campo e desmarca-se
o Mantém e recupera a profundidade do ataque
FPJ FINALIZAÇÃO
O Jogador
o Arma o braço imediatamente após receber a bola
o Só remata à baliza quando não há nenhum defensor no caminho
o Observa o guarda-redes durante o remate – observa a posição e a acção do guarda-redes
o Remata para o espaço livre da baliza
o Remata para o lado contrário ao deslocamento do guarda-redes
o Só tenta o remate em caso de boas oportunidades (suficientemente perto da baliza)
FPJ CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES
O jogador em posse de bola
o Tenta fixar o defensor através de ameaças credíveis
o Só passa a um colega quando o defensor vem directo a si
o Passa sempre para diante do colega em movimento para a baliza
o Realiza um passe tenso em vez de bola alta
o Apercebe-se da posição dos colegas e dos defensores
O atacante sem bola
o Oferece sempre uma oportunidade de passe ao colega com bola
o Mantém sempre contacto visual com o possuidor da bola
o Pede a bola com as duas mãos
o Movimenta-se para a área de baliza no momento certo
o Recebe a bola em movimento
FPJ ORGANIZAÇÃO DO ATAQUE
O jogador
o Mantém a amplitude do ataque
o Repõe a profundidade do ataque após ter passado
o Não vira as costas à baliza quando repõe a profundidade do ataque (não dá meia volta…)
o Mantém a visão geral do jogo e da baliza
o É paciente e não precipita o ataque demasiado cedo
PAPEL DE TREINADOR
Para além do papel de jogador, os aprendizes também podem desempenhar um importante papel auxiliar de treinador.
O papel de treinador na Forma Básica de Jogo 1 compreende as seguintes competências:
- O treinador conhece os principais pontos-chave e os princípios de jogo que fazem parte da Forma Básica de Jogo 1
- O treinador verifica se os pontos-chave e os princípios de jogo são aplicados pelos jogadores
- O treinador é capaz de interromper o jogo
- O treinador demonstra que ponto-chave ou princípio não foi aplicado
PAPEL DE ÁRBITRO
Os aprendizes desempenham o papel de árbitro na FBJ1 indicando as faltas que ocorrem durante o jogo e as respectivas sanções
O papel de árbitro na situação de jogo 3x3 num campo de mini-andebol compreende as seguintes competências:
O árbitro conhece e aplica as seguintes regras:
Passos exagerados
Linhas do campo
Entrada na área de baliza
Duplo drible
Contacto físico
- os árbitros são capazes de interromper o jogo
- os árbitros indicam e demonstram a falta ou a penalidade
Forma Básica de Jogo 1 jogo 3x3 / situação 3x2 com três jogadores na organização do ataque
Receber + armar o braço = 1
Tudo em movimento
Acção orientada para a baliza
Recuperar profundidade após passe
Rematar à baliza quando surge uma oportunidade (remate por cima – remate por cima em salto)
Jogar sem drible – é permitido 1 drible unitário
Forma Básica de Jogo 1: Descrição
Durante muito tempo, o andebol foi entendido como uma soma de habilidades, tais como correr, passar, rematar, saltar...
Jogar andebol, contudo, é muito mais do que isso. Jogar andebol requer a capacidade de se adaptar a um envolvimento de jogo que está continuamente a mudar em função das acções de colegas e adversários.
Para além disso, os jogadores têm que ter a capacidade de interagir com aquilo que acontece e que é observado. Muitas situações de jogo e em especial muitas actividades de aprendizagem são em grande parte “actividades de passe e remate” e prendem-se quase em exclusivo com a exercitação das técnicas de passe e de remate. “Jogar em equipa”, que faz parte integrante da essência do jogo, é muitas vezes deixado de lado.
Só é possível aprender a jogar um determinado jogo se tivermos oportunidade de jogar esse jogo. Por isso, é fundamental incluir “o jogo” desde o início da aprendizagem.
No entanto, quando se coloca de imediato jovens aprendizes a jogar o dito andebol “real”, o mais certo é assistir-se a um jogo caótico, com inúmeras perdas de bola e repleto de acções muito pouco estruturadas. É por isso importante encontrar formas adaptadas de jogo, que coloquem os aprendizes a jogar andebol dentro de uma área delimitada, na qual se possam movimentar livremente e jogar em equipa em interacção constante com os adversários. Acima de tudo, é da maior importância que os aprendizes obtenham experiências de sucesso durante o jogo.
Na finalização, a observação da acção do guarda-redes é decisiva. Muitas vezes os aprendizes, sob pressão, rematam directamente para o guarda-redes e tentam finalizar sem observar devidamente a sua acção.
Na primeira Forma Básica de Jogo, joga-se numa situação de 3x3, com o guarda-redes a participar no ataque. Deste modo, dispõe-se de uma superioridade numérica no ataque e principalmente uma transição defesa-ataque e ataque-defesa imediata. Seja qual for o nível de experiência, os jogadores adoram este jogo de contra-ataque espontâneo e de imperiosa recuperação imediata, dado não estar ninguém na baliza.
Devido à sua equipa ter mais um jogador no ataque, cada vez que entre em posse de bola o jogador tem que assumir a responsabilidade e realizar uma acção em direcção à baliza.
As escolhas correctas para a organização do ataque são determinadas pela ocupação da posição em relação à bola e em relação ao espaço disponível no campo.
Nesta Forma Básica de Jogo, os aspectos da defesa não são abordados. Contudo, o professor deverá intervir quando houver contacto faltoso.
CONTEXTO DE JOGO
A simplificação do jogo é estabelecida pelo ajustamento de um conjunto de condições ao nível de jogo do grupo de aprendizagem.
O número de jogadores
O campo
O tamanho da bola
As regras
Forma Básica de Jogo 1: enunciado do problema
DESCRIÇÃO
Com que problemas se confrontam os jogadores quando jogam 3x3 num campo de mini-andebol pela primeira vez?
Os jogadores numa situação de jogo 3x3 num campo de mini-andebol:
- perdem a bola porque:
o recebem a bola só com uma mão
o após receberem a bola, não armam o braço imediatamente
o passam a alguém que não está a pedir a bola
- não criam oportunidades de finalização porque:
o recebem a bola parados
o não realizam qualquer acção em direcção à baliza
- Não marcam golos porque:
o não observam a acção do guarda-redes
- Não se posicionam adequadamente porque
o não utilizam o espaço disponível
o ficam demasiado perto da área de baliza
o ficam fora de acção
- Não se reposicionam porque
o ficam parados após efectuarem o passe
Como pode o professor intervir?
Forma Básica de Jogo 1: objectivos de aprendizagem
De acordo com os problemas da situação de jogo 3x3 acima formulados, o professor estabelecerá os seguintes objectivos principais:
Os jogadores, numa situação de jogo de 3x3 num campo de mini-andebol
- Mantêm a posse de bola porque:
o recebem a bola com ambas as mãos
o armam o braço logo que recebem a bola
o passam a um companheiro que pede a bola com a duas mãos e estabelece contacto visual
- Criam oportunidades de finalização porque
o recebem a bola em movimento
o movimentam-se em direcção à baliza
- Finalizam com êxito porque:
o observam a posição e a acção do guarda-redes quando rematam
- Posicionam-se:
o ocupando as posições do dispositivo de ataque
o mantendo-se atrás da linha da bola como jogador livre
- Reposicionam-se:
o repondo a posição ofensiva (movimento de “piston”)
Forma Básica de Jogo 1: actividades de aprendizagem
LINHA DE APRENDIZAGEM
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as formas parciais de jogo.
1. Tarefa
Jogar 3x3 num campo de mini-andebol com duas balizas e com uma área de baliza rectangular.
Tentar marcar o maior número de golos jogando em equipa
Durante o jogo são aplicadas as seguintes regras
o área de jogo: linhas laterais, linhas finais, áreas de baliza
o não é permitido entrar na área de baliza
o não são permitidas violações flagrantes do drible
o não é permitido contacto
o o comportamento incorrecto é punido com exclusão de 2 minutos
Reposição da bola em jogo através de:
o lançamento de reposição: com um pé sobre a linha lateral
o lançamento de saída pelo guarda-redes
o lançamento livre no local da falta
Nas primeiras fases de desenvolvimento do jogo, os jogadores são muitas vezes tentados a abusar do drible e a não colaborar com os colegas de equipa. Na medida em que desde o início da abordagem o andebol é apresentado como um jogo de equipa, o drible será proibido com uma ressalva: será permitido o drible de andebol (3 passos – 1 drible unitário – 3 passos), quando usado em circunstâncias apropriadas
Os defensores podem actuar livremente; poderão tentar interceptar a bola mas não lhes é permitido qualquer contacto físico com os atacantes.
Observamos que não finalizamos muitas vezes. Para finalizar precisamos de ter posse de bola
Durante quanto tempo conseguimos manter a posse de bola?
Objectivo de aprendizagem: manter a posse de bola recebendo-a com as duas mãos.
Instrução: Recebe a bola com as duas mãos
Quando recebemos a bola com as duas mãos, melhoramos o controlo da bola e sofremos menos perdas de bola.
Para continuar a reduzir o número de perdas de bola precisamos de ar
mar imediatamente o braço logo que a recebemos, de modo a estarmos numa posição que nos permita realizar facilmente a acção seguinte. Receber e armar o braço (▲) estão completamente interligados.
(▲) armar o braço = colocar o braço em posição de rematar ou passar
2. Como podemos armar o braço de modo a permitir realizar rapidamente a acção seguinte?
Objectivo: armar imediatamente o braço logo que se recebe a bola
Instrução: eleva a bola imediatamente atrás e acima da cabeça logo que a recebes
Para evitar perder a bola quando passamos, só devemos passar a um colega que esteja a pedir a bola
3. Como podemos reduzir o número de perdas de bola quando passamos?
Objectivo: passar a um colega que esteja a pedir a bola
Instrução: só passas a um colega que te ”peça” a bola com as duas mãos e estabeleça contacto visual contigo.
Conservamos a posse de bola durante mais tempo mas não conseguimos marcar nas tentativas de finalização porque rematamos na direcção do guarda-redes.
4. Quando temos melhores possibilidades de bater o guarda-redes?
Objectivo: finalizar observando a posição e a movimentação do guarda-redes durante o remate
Instrução: observa o guarda-redes e remata para o lado da baliza que não está protegido.
Agora, já estamos a ter em conta a posição do guarda-redes. Para continuar a melhorar as nossas possibilidades temos que de forma continuada identificar – observar – validar as nossas próprias oportunidades
5. Quando criamos as nossas próprias oportunidades de finalização?
Objectivo: criar oportunidades de finalização recebendo a bola em movimento em direcção à baliza
Instrução: recebe a bola em movimento na direcção da baliza adversária
Quando não podemos aproveitar a oportunidade de finalização e somos forçados a passar, surge a necessidade de nos reposicionarmos
6. Onde nos vamos reposicionar?
Objectivo: reposicionar-se atrás do colega que tem a posse de bola
Instrução: após passares recupera para uma posição atrás da linha da bola
7. Como podemos continuar a melhorar o nível de jogo na primeira Forma Básica de Jogo de 3x3?
Nem todos os problemas de jogo podem ser resolvidos dentro da situação de jogo de 3x3, e é necessária a introdução de outras situações de aprendizagem para o nível de jogo melhorar.
Para proporcionar melhores oportunidades de aprendizagem recorre-se a formas parciais de jogo.
Os problemas específicos da situação de jogo e consequentemente as actividades de aprendizagem são contempladas dentro de uma das três seguintes estruturas parciais, ou formas parciais de jogo:
Finalização e impedir finalização (F/IF)
Criar oportunidades de finalização e impedir oportunidades de finalização (COF/IOF)
Organizar o ataque e impedir a organização do ataque (OA/IOA)
A qualquer momento o professor pode interromper a forma parcial de jogo para voltar à forma básica de jogo, de modo a avaliar os progressos verificados no nível de jogo.
Forma parcial de Jogo relativa à FINALIZAÇÃO
Forma parcial de Jogo relativa à finalização: enunciado do problema
O maior problema relativamente à finalização deriva do facto de, apesar de os jogadores criarem várias oportunidades de finalização, marcarem poucos golos, porque o atacante perde no confronto directo com o guarda-redes. Com muita frequência o remate acerta no guarda redes, porque o aprendiz não observa para onde deve rematar.
Observar o guarda-redes é então prioridade:
- Onde é que o guarda-redes está colocado?
As situações de jogo devem ser escolhidas de modo a que os jogadores disponham de tempo suficiente e que seja possível rematar com pouca ou nenhuma oposição defensiva
No caso de haver dificuldades de execução que impeçam o sucesso do remate, teremos que recorrer a formas de exercitação do remate.
DESCRIÇÃO
Os jogadores não marcam golo porque não observam a posição do guarda-redes
Forma parcial de jogo relativa à finalização: objectivos
DESCRIÇÃO
Os jogadores marcam golo porque observam a posição do guarda-redes
Forma parcial de Jogo relativa à finalização: actividades de aprendizagem
1. Jogo da Linha - VÍDEO CD2 /
Actividade de aprendizagem
Jogar 3x3 num campo de mini-andebol. Cada equipa defende com 3 guarda-redes (▲1) que estão posicionados na área de baliza. A equipa atacante tenta rematar para além da linha (contra a parede …).
Durante o jogo aplicam-se as seguintes regras:
- os 3 guarda-redes não podem interceptar a bola aos atacantes fora da área de baliza.
- não é permitido rematar em arco nem driblar
- assim que os atacantes rematam, a equipa que defende pode sair em contra-ataque, após recuperação de bola. Porém a equipa só pode finalizar após todos os seus jogadores saírem da sua área.
(▲1) propositadamente utilizamos a designação 3 guarda-redes (3 jogadores a defender DENTRO da área de baliza) para evitar qualquer confusão sobre a possibilidade de os defensores poderem entrar na área de baliza
2. Por que é um golo anulado?
Os jogadores rematam pisando a linha da área de baliza ou entram dentro da área de baliza
Objectivo: os jogadores rematam sem pisar a área de baliza
Instrução: quando rematares não entres na área de baliza
3. Como podemos aumentar o tempo de tomada de decisão quando rematamos
Objectivo: armar o remate logo que se recebe a bola
Instrução. Coloca a bola atrás e acima da cabeça logo que a recebes.
4. Como damos prioridade à pontaria em vez da força no remate à baliza?
Objectivo: os jogadores finalizam com um remate picado
Instrução: Finaliza com a bola a bater no chão
A utilização do remate picado, por um lado favorece naturalmente coordenação do movimento correcto; por outro lado o remate clássico, assim, é menos forte e mais fácil de defender, requerendo a necessidade de uma maior precisão de remate.
5. Para onde rematamos tendo em conta a posição do guarda-redes?
Actividade de aprendizagem
Jogar 3x2 num campo de mini-andebol com 4 (2x2) balizas (colchões, bancos suecos…). Ambas as balizas são defendidas por um guarda-redes. Um defensor joga fora da área de baliza
Objectivo: rematar para fora do alcance do guarda-redes
Instrução: jogando em equipa tenta marcar o maior número de golos possível e de preferência marcando na baliza que não está ser defendida
6. Como podemos melhorar a execução do remate clássico
Para tal teremos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relacionadas com a finalização
Tarefas baseadas no jogo relacionadas com a finalização
1. Enunciado do problema: os jogadores rematam contra o guarda-redes
Objectivo: rematar para o lado aberto da baliza
Actividade de aprendizagem: observar qual é o lado aberto da baliza
- O jogador começa com a bola em ambas as mãos, ao sinal do professor (VAI!) corre em direcção à baliza. Ao mesmo tempo o guarda-redes vira-se para a bola e desloca-se para o lado esquerdo ou para o lado direito da baliza. O jogador deve rematar para o lado da baliza que ficar aberto.
- Idem, mas o guarda-redes permanece no meio da baliza e ora estende os braços para cima, ora adopta uma posição agachada. O atacante deve rematar para um dos cantos para a parte superior ou inferior da baliza em conformidade com a postura do guarda-redes
- O mesmo desenvolvimento – o jogador começa por fazer um passe para receber de volta em movimento para a baliza. O guarda-redes toca num poste e posiciona-se junto ao outro.
2. Se o aprendiz for capaz de realizar um passe de 10 a 12 metros, então qualquer das formas de jogo descritas estão dentro das suas possibilidades. Se a técnica utilizada é ou não correcta não é assunto prioritário.
No entanto, o professor pode observar que a taxa de sucesso aumenta quando a técnica de remate melhora. Então o professor pode decidir exercitar o remate
Actividades de aprendizagem: passe clássico
Descrição do passe clássico de acordo com a análise dos erros
-Descrição para o jogador dextro
O jogador segura a bola com as duas mãos na posição inicial. Durante o primeiro passo (esquerdo) e o segundo passo (direito) a bola é levada até pelo menos a altura da cabeça (de preferência ligeiramente acima) e para trás. O movimento de remate ocorre durante o terceiro passo.
Prestar atenção a:
• Boa coordenação cruzada
Para uma correcta execução do remate, é necessário realizar 3 passos, os quais permitem um óptimo armar do braço. Com um movimento de armação correcto é raro acontecer uma errada coordenação cruzada (os jogadores dextros de uma forma natural colocarão o pé esquerdo à frente, cfr. posição de tiro ao arco para os mais pequenos…)
• Cotovelo elevado
Se a bola estiver armada acima (ou pelo menos à altura) da cabeça o cotovelo estará automaticamente elevado Quando o cotovelo está baixo a bola é mais empurrada do que rematada.
• Manter uma posição alta
Durante o remate requer-se que o jogador mantenha uma posição elevada em vez de se inclinar para uma posição baixa (remata sempre por cima de uma corda, isto é ao nível do ombro)
• Ampla abertura do braço
O movimento de armação do remate deve ter uma grande amplitude (nada de braço curto, o braço de remate deve estar praticamente estendido)
Forma Parcial de Jogo relativa à CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES
Forma Parcial de Jogo relativa à criação de oportunidades: enunciado do problema
Os jogadores de andebol menos experientes são muitas vezes inseguros, pouco criativos e preferem com frequência que sejam os “melhores” a finalizar. O seu jogo não é orientado para a finalização e tentam desfazer-se da bola o mais depressa possível. Quando possuem a bola não se movem em direcção à baliza e não observam nem o defensor nem a baliza de modo a descobrir uma oportunidade de finalização. Os jogadores que não têm intenção de atacar a baliza não constituem ameaça para a defesa, que rapidamente identifica este ponto fraco do ataque e modifica o comportamento defensivo em conformidade
Também se observa que os jogadores que tentam o remate cometem determinados erros que os impedem de marcar golo. Por exemplo, acontece com frequência os jogadores receberem a bola parados. E dessa posição ainda tentam o remate, muitas vezes de distâncias demasiado afastadas da baliza. Se eventualmente repara que está demasiado afastado, dribla em direcção à baliza sem ver o que se passa à sua volta, acontecendo muitas vezes ter um defensor por perto que lhe tira a bola. Tudo isto acontece por não ter recebido a bola em movimento em direcção à baliza.
DESCRIÇÃO
Os jogadores não criam oportunidades:
porque não realizam uma acção em direcção à baliza
porque recebem a bola parados
Forma Parcial de Jogo relativa à criação de oportunidades: objectivos
A determinação dos problemas de jogo anteriormente enunciados com respeito à criação de oportunidades de finalização conduzirá à delimitação dos seguintes objectivos específicos de aprendizagem
Os jogadores criam oportunidades
recebendo a bola em movimento
realizando a acção em direcção à baliza
Forma Parcial de Jogo relativo à criação de oportunidades: actividades de aprendizagem
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as tarefas baseadas no jogo.
1. Tarefa VÍDEO CD1
Um defensor defende 3 entradas no campo. Para finalizar, o possuidor da bola terá que correr através de uma das entradas. Os jogadores apercebem-se que não conseguem atravessar a entrada quando recebem a bola em movimento, porque desta maneira eles conseguem vantagem sobre o defensor.
A seguir os atacantes realizam a mesma tarefa, mas agora só com duas entradas
2. Tarefa: jogar 3x3 para 1 baliza
Enunciado do problema: os jogadores que não têm intenção de atacar a baliza não são ameaça para a defesa.
Objectivo: O atacante com posse de bola deve realizar sempre uma acção visando a baliza
Actividade de aprendizagem: o possuidor da bola tem sempre que realizar uma acção de ataque à baliza
3. Tarefa jogar 2x2 para 2 balizas VIDEO - CD1
Podemos considerar que uma situação de 2x1 é bem sucedida quando um dos atacantes fica isolado numa posição de rematar sem oposição de um defensor.
O atacante sem bola tem que fornecer ao possuidor da bola uma oportunidade de passe. Um passe a um jogador melhor posicionado tem sempre prioridade sobre o drible ou sobre o duelo 1x1.
O ajustamento temporal é crucial (o momento em que o possuidor da bola passa ao colega).
O possuidor da bola deve esperar até que o defensor decida vir atacá-lo. (=obrigatoriamente) Isto só acontece quando o possuidor da bola se revela uma real ameaça.
4. É claro que se os jogadores ainda tiverem dificuldade em lidar com as formas parciais de jogo atrás descritas a grande lacuna pode ser encontrada na pobreza da exercitação da situação de 2x1.
Neste caso teremos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relativas à criação de oportunidades
Tarefas baseadas no jogo para a criação de oportunidades
Enunciado do Problema: os jogadores passam a bola demasiado cedo ou demasiado tarde
Objectivo: os jogadores são capazes de passar a bola no momento certo
Actividades de aprendizagem: 2 atacantes e um defensor. Não há remate à baliza. Ganha-se ponto quando o atacante com bola consegue PENETRAR em corrida na área de baliza. Por isso é permitido correr indefinidamente com a bola. O defensor pára o ataque se tocar no possuidor da bola.
O jogador com posse de bola deverá prestar atenção aos seguintes princípios:
• Move-te em direcção à baliza enquanto houver espaço livre
• Passa ao colega livre quando o defensor vem ao teu encontro
• Não passes demasiado cedo – o defensor deve estar claramente mais perto de ti do que do teu colega
• Não passes a bola demasiado tarde de modo a que o defensor não tenha qualquer possibilidade de a interceptar
Instrução para o jogador sem bola:
• Move-te de maneira a poderes receber o passe do teu colega a qualquer momento. Quer isto dizer que nunca deves estar alinhado com o defensor e a bola.
Forma parcial de jogo relativa à ORGANIZAÇÃO DO ATAQUE: enunciado do problema
No andebol é necessário adoptar um posicionamento adequado no campo. Para ocupar adequadamente o espaço do campo é importante entrar em linha de conta com a amplitude e profundidade do ataque.
Os jogadores:
• correm fundo de mais e ficam parados demasiado perto área de baliza.
• posicionam-se demasiado perto uns dos outros e não ocupam toda a largura do campo
• ficam parados após efectuarem um passe
Frequentemente designado como “circundar” o defesa
Para além de um bom posicionamento, cada jogador deve apoiar permanentemente as acções dos colegas
Forma parcial de jogo relativa à organização do ataque:
A determinação dos problemas de jogo atrás formulados para organizar o ataque levará o professor a colocar os seguintes objectivos de aprendizagem
Os jogadores:
• não correm para demasiado perto da área
• utilizam toda a largura do campo
• reposicionam-se após efectuarem um passe (movimento de “piston”)
Forma parcial de jogo relativa à organização do ataque:
A sequência de actividades de aprendizagem corporiza a linha de aprendizagem preconizada. Se esta linha de aprendizagem se mostrar insuficiente e for necessário simplificar ainda mais, o professor introduzirá as tarefas baseadas no jogo.
1. Tarefa ------Vídeo CD1
Jogar 3x3 (situação 3x2) com área restrita (só é permitida a entrada ao possuidor da bola) em frente da área de baliza.
Enunciado do problema: na maior parte das vezes os jogadores adiantam-se demasiado, provocando:
• dificuldade de recepção da bola
• impossibilidade de receber a bola em movimento
• após receber a bola pisam a área adversária devido à falta de espaço
Por isso criamos uma área de mais ou menos 3 metros onde o atacante sem bola não pode entrar
A PROFUNDIDADE no ataque permite-te manter a posse de bola (sem profundidade os jogadores não conseguem ficar livres para receber o passe) mas acima de tudo, é absolutamente necessário receber a bola em movimento.
2. Utilizar toda a largura do campo
Área onde se joga o jogo dos “10 passes” (???) – após um sinal a equipa que estiver em posse de bola passa a atacar – ocupando o mais rápido possível as três posições de primeira linha.
A AMPLITUDE no ataque é necessária para obrigar a defesa a abrir – o que implica que as posições laterais devem ser sempre ocupadas
o As posições laterais são mais importantes que as posições centrais
o As posições de trás são mais seguras que as posições próximas da área de baliza
Por isso, na nossa primeira forma básica de jogo ocupamos as 3 posições da primeira linha (lateral esquerdo, central e lateral direito)
3. Não ficar parado após efectuar um passe
Os 3 atacantes ocupam as 3 posições da primeira linha (esquerda, centro e direita). Eles têm que passar duas vezes da esquerda para a direita antes de poderem rematar à baliza
Objectivo: reposicionar-se após efectuar um passe
Os jogadores inexperientes colocam-se muitas vezes muito próximos uns dos outros ou demasiado próximos dos defensores porque não recuperam para a sua posição inicial no campo.
Nomeadamente, após passe o jogador deve reposicionar-se (▲) para depois ter possibilidade de receber a bola em movimento em direcção à baliza. No andebol isso quer dizer que o jogador dá profundidade ao ataque ao afastar-se da área de baliza (= para a primeira linha)
(▲) De modo a ficar em condições de receber a bola eu afasto-me da área de baliza para uma posição a partir da qual eu possa novamente receber a bola em movimento em direcção à baliza sem ser travado pelo defensor.
4. Como podemos continuar a melhorar o nosso posicionamento e reposicionamento
Para isso temos que introduzir as tarefas baseadas no jogo relativas à organização do ataque.
Tarefas baseadas no jogo para a organização do ataque
1. Enunciado do problema: os jogadores viram costas à baliza para se reposicionar
Objectivo: os jogadores reposicionam-se de frente para a baliza
Actividade de aprendizagem:
Movimento repetido com 3 jogadores de primeira linha que continuamente regressam a um cone. O retorno ao cone faz-se sempre de frente para a baliza, isto é sem dar meia volta.
2. Enunciado do problema: os jogadores arrancam demasiado cedo
Objectivo: inicia o movimento quando puderes receber a bola, ou seja, no momento em que o teu colega arma o braço.
Actividade de aprendizagem:
Movimento repetido com 3 jogadores de primeira linha que continuamente regressam a um cone.
Quando se inicia o movimento?
O maior erro é arrancar demasiado cedo – a posição inicial é boa, mas porque antecipa demasiado o movimento o atacante vai ter o defensor muito perto quando for receber a bola
3. Enunciado do problema: a continuidade dos passes é interrompida devido a má recepção de bola.
Descrição da recepção de bola de acordo com a análise dos erros
Prestamos atenção a:
• recepção da bola em movimento
Não parar para receber a bola. Os jogadores inexperientes muitas vezes interrompem o movimento para ‘esperar’ pele bola.
• dedos a apontar para cima, polegares voltados um para o outro
Uma boa técnica é necessária para evitar lesões das mãos e dos dedos.
• os pés orientados na direcção da corrida (voltados para o alvo)
• Nota
Queremos frisar novamente que, no andebol, receber e armar o braço são inseparáveis.
AVALIAÇÃO
OBJECTIVOS BÁSICOS DE APRENDIZAGEM
O Jogador
o Não dribla desnecessariamente
o Recebe a bola com as duas mãos
o Arma o braço imediatamente após receber a bola
o Só passa a alguém que esteja a “pedir” a bola
o Recebe a bola em movimento
o Realiza uma acção orientada para a baliza quando tem a posse da bola
o Não remata para o guarda-redes
o Posiciona-se adequadamente à largura do campo e desmarca-se
o Mantém e recupera a profundidade do ataque
FPJ FINALIZAÇÃO
O Jogador
o Arma o braço imediatamente após receber a bola
o Só remata à baliza quando não há nenhum defensor no caminho
o Observa o guarda-redes durante o remate – observa a posição e a acção do guarda-redes
o Remata para o espaço livre da baliza
o Remata para o lado contrário ao deslocamento do guarda-redes
o Só tenta o remate em caso de boas oportunidades (suficientemente perto da baliza)
FPJ CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES
O jogador em posse de bola
o Tenta fixar o defensor através de ameaças credíveis
o Só passa a um colega quando o defensor vem directo a si
o Passa sempre para diante do colega em movimento para a baliza
o Realiza um passe tenso em vez de bola alta
o Apercebe-se da posição dos colegas e dos defensores
O atacante sem bola
o Oferece sempre uma oportunidade de passe ao colega com bola
o Mantém sempre contacto visual com o possuidor da bola
o Pede a bola com as duas mãos
o Movimenta-se para a área de baliza no momento certo
o Recebe a bola em movimento
FPJ ORGANIZAÇÃO DO ATAQUE
O jogador
o Mantém a amplitude do ataque
o Repõe a profundidade do ataque após ter passado
o Não vira as costas à baliza quando repõe a profundidade do ataque (não dá meia volta…)
o Mantém a visão geral do jogo e da baliza
o É paciente e não precipita o ataque demasiado cedo
PAPEL DE TREINADOR
Para além do papel de jogador, os aprendizes também podem desempenhar um importante papel auxiliar de treinador.
O papel de treinador na Forma Básica de Jogo 1 compreende as seguintes competências:
- O treinador conhece os principais pontos-chave e os princípios de jogo que fazem parte da Forma Básica de Jogo 1
- O treinador verifica se os pontos-chave e os princípios de jogo são aplicados pelos jogadores
- O treinador é capaz de interromper o jogo
- O treinador demonstra que ponto-chave ou princípio não foi aplicado
PAPEL DE ÁRBITRO
Os aprendizes desempenham o papel de árbitro na FBJ1 indicando as faltas que ocorrem durante o jogo e as respectivas sanções
O papel de árbitro na situação de jogo 3x3 num campo de mini-andebol compreende as seguintes competências:
O árbitro conhece e aplica as seguintes regras:
Passos exagerados
Linhas do campo
Entrada na área de baliza
Duplo drible
Contacto físico
- os árbitros são capazes de interromper o jogo
- os árbitros indicam e demonstram a falta ou a penalidade
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