segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Morfologia de atletas de handebol,Daniel Giordani Vasques

Morfologia de atletas de handebol: comparação
por posição ofensiva e defensiva de jogo


*Bolsista de extensão CDS/UFSC
**Bolsista PIBIC/Cnpq
***Prof. Dr. CDS/UFSC


Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC

Daniel Giordani Vasques*
Priscilla de Cesaro Antunes*
Tiago José Silva**
Adair da Silva Lopes**
dgvasques@hotmail.com
(Brasil)
Resumen A modalidade esportiva handebol caracteriza-se pela alternância entre ataque e defesa. O sistema ofensivo mais utilizado no handebol é o 3x3, onde joga-se com três armadores, dois extremas e um pivô. O sistema defensivo mais utilizado, por sua vez, é o 6x0, no qual todos os atletas posicionam-se perto da linha dos 6m, denominando-se 1, 2 ou 3, de acordo com a proximidade do posicionamento com o centro da quadra. Este estudo objetivou comparar a morfologia dos atletas de handebol juvenil masculino do Estado de Santa Catarina por posição de jogo ofensiva e defensiva. Foram mensurados 73 atletas juvenis titulares das 12 equipes participantes dos 17o Joguinhos Abertos de Santa Catarina de handebol masculino (2004), com exceção dos goleiros. As variáveis analisadas foram: idade (ID), massa corporal (MC), estatura (ES), envergadura (ENV), diâmetro palmar (DPA), diâmetro rádio-ulnar (DRU), perímetro do antebraço (PA), somatório das duas dobras cutâneas (S2DC), percentual de gordura (%G), massa de gordura (MG) e massa corporal magra (MCM). Ao comparar os atletas por posição ofensiva de jogo, verificou-se que os extremas foram morfologicamente menores que os pivôs e que os armadores, principalmente nas variáveis MC, PA e MCM. Quando comparados por posição defensiva de jogo, verificou-se que houve aumento de todas as variáveis do marcador 1 para o marcador 3. Os marcadores 3 foram morfologicamente avantajados em relação aos marcadores 1 e 2, principalmente, nas variáveis MC, ES, ENV, DPA, DRU, PA e MCM. Os atletas que jogam nas posições mais centrais da quadra, tanto no ataque quanto na defesa, são mais avantajados morfologicamente.
Unitermos: Handebol. Posição de jogo. Morfologia.


http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 10 - N° 81 - Febrero de 2005

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Introdução

A dinâmica de jogo da modalidade esportiva handebol pode ser caracterizada pela alternância entre a parte ofensiva e a defensiva. Significa dizer que, em uma parte do jogo, os atletas atacam a equipe adversária com o objetivo de realizarem o gol e em outra, os atletas marcam o ataque da equipe adversária.

Os principais tipos de sistemas ofensivos são: o ataque em circulação, no qual os atletas estão em constante movimentação e troca de posicionamento; o ataque combinado, onde alguns jogadores têm posição fixa e outros, em circulação; e o ataque posicionado, no qual os jogadores têm posição fixa e quem circula é a bola. Exemplos desse sistema são o 3x3, onde se joga com três armadores, dois extremas e um pivô e o 4x2, onde se jogam com dois armadores, dois extremas e dois pivôs. No entanto, o mais utilizado, principalmente nas categorias de base, é o sistema posicionado 3x3 (MARTINI, 1980; BAYER, 1987; TENROLER, 2004).

Os tipos de sistemas defensivos mais utilizados são: o 4x2, onde quatro jogadores se posicionam perto da linha dos 6m e dois perto da linha dos 9m; o 5x1, quando os cinco jogadores se posicionam nos 6m e um nos 9m; e o 6x0, sistema no qual os seis jogadores de linha se posicionam perto da linha dos 6m. O 6x0 é o sistema mais utilizado, por ser considerado o mais "fechado" (MARTINI, 1980; BAYER, 1987; TENROLER, 2004). Neste sistema, quem marca mais perto das linhas laterais denomina-se "1", quem marca mais perto do centro denomina-se "3", e os intermediários denominam-se "2".

Nem sempre em uma partida de handebol existem somente sete atletas que podem ser considerados titulares. Em decorrência da especialização posicional decorrente da busca pelo rendimento máximo, algumas equipes possuem atletas somente de marcação e atletas somente de ataque.

Devido ao treinamento a que o atleta é submetido, ele adquire certas características que o diferenciam da população normal e de outras modalidades esportivas (PIRES NETO, 1986). No entanto, cada modalidade requer um determinado tipo de atleta (GLANER, 1996). Pode-se destacar, então, que o handebol possui atletas com características específicas.

Os fatores que influenciam na capacidade de jogo dos atletas são, segundo RUIZ & RODRÍGUEZ (2001): os fatores de capacidade física (condição física geral e específica), psíquicos (personalidade), técnico-táticos (técnica e tática de jogo) e corporais (morfologia corporal: estatura, envergadura, comprimento dos membros inferiores...). As características morfológicas são muito importantes no handebol, pois são elas que dão condição para o treinamento das qualidades físicas necessárias para um bom rendimento, além de auxiliarem diretamente nas ações de jogo. Existem estudos que indicam que equipes melhores colocadas em competições possuem atletas morfologicamente avantajados (BAYER, 1987; GLANER, 1996).

Distintas qualidades morfológicas para atletas de handebol são discutidas na literatura. A estatura destaca-se: o jogador deve ser alto e forte (BAYER, 1987). É importante, pois proporciona vantagem defensiva, por ocasionar um bloqueio mais elevado (MARQUES, 1987). Entretanto, um jogador de estatura mediana pode compensar sua relativa inferioridade morfológica com uma velocidade de execução muito grande ou com uma considerável mobilidade, ou com ambas (BAYER, 1987).

A massa corporal é fundamental, principalmente nas situações de 1x1, no ataque (fintas) e na marcação (MORENO, 1997). Para tanto, seleções de alto nível recorrem a jogadores mais pesados (BAYER, 1987), principalmente se esta massa corporal for predominantemente decorrente da massa corporal magra.

A envergadura facilita o arremesso ao gol, pois quanto maior for o raio de ação, maior será a potência do arremesso. Facilita também a marcação, tanto para bloqueios quanto na realização de faltas. Cercel apud MARQUES (1987) cita que a envergadura deve superar a estatura em 6% nos jogadores de handebol.

Um grande diâmetro palmar facilita ações de ataque como o manejo da bola, dribles, fintas, passes e arremessos (MARTINI, 1980). O diâmetro de atletas de handebol masculino deve variar entre 24-26cm (FISCHER et al, 1991-92).

O handebol do Estado de Santa Catarina possui um nível elevado de resultados em relação à média brasileira. Os Joguinhos Abertos de Santa Catarina são a maior competição do esporte no Estado para atletas até 18 anos e o handebol é uma de suas principais modalidades coletivas (FESPORTE, 2004).

Este estudo objetivou comparar a morfologia dos atletas de handebol juvenil masculino do Estado de Santa Catarina por posição de jogo ofensiva e defensiva.


Metodologia

Os sujeitos deste estudo foram atletas juvenis do sexo masculino, que participaram dos 17º Joguinhos Abertos de Santa Catarina da modalidade de handebol. Foram mensurados 73 atletas, sendo os 6 titulares de cada uma das 12 equipes, com exceção dos goleiros, que não participaram da amostra. Um atleta não participou da amostra do ataque, por jogar somente na defesa e outro atleta não participou da amostra da defesa, por jogar somente no ataque. Isso porque esta equipe foi a única que apresentou essa característica.

O termo de consentimento livre e esclarecido, além de autorizar a participação dos atletas, teve como objetivo esclarecer ao técnico ou responsável, o objetivo da pesquisa e as variáveis a serem analisadas. Foi requisitada para o técnico ou responsável, de cada uma das 12 equipes participantes do campeonato de handebol masculino, a mensuração dos atletas titulares de sua equipe.

A coleta de dados foi realizada nos dias 19 e 20 de Setembro de 2004. Os materiais e equipamentos necessários foram deslocados até os locais de mensuração.

Os protocolos utilizados para mensuração das variáveis foram: GLANER (1996) para diâmetro palmar; LOHMAN et al (1991) para envergadura e PETROSKI (2003) para massa corporal (MC), estatura (ES), diâmetro biestilóide rádio-ulnar (DRU), perímetro do antebraço (PA), dobras cutâneas subescapular (SE) e abdominal (AB). Também foi calculado o somatório das duas dobras cutâneas (2DC). A ficha de coleta conteve, além das variáveis mensuradas, os dados demográficos: nome, idade (ID), equipe, posições ofensiva e defensiva e a data da avaliação.

A composição corporal foi estimada pelo método antropométrico de dobras cutâneas. A densidade corporal (D) foi estimada (em g/ml) por meio da equação generalizada de FORSYTH & SINNING (1973), a qual é recomendada por PETROSKI (1995) para atletas do sexo masculino:

O percentual de gordura (%G) foi estimado pela equação de SIRI (1961):

Para a obtenção da massa de gordura (MG) e massa corporal magra (MCM), foram utilizadas, respectivamente, as seguintes equações:





Utilizou-se estatística descritiva (médias e desvios padrões para caracterizar a amostra) por posição de jogo (ofensiva e defensiva), e análises de variância ANOVA one-way e testes post-hoc de Scheffe (p<0,05) entre os atletas por posição de jogo ofensiva e defensiva.


Resultados e discussão

Com o objetivo de caracterizar a amostra estudada, na TABELA 1 são apresentados os valores médios e desvios padrões dos atletas de handebol masculino dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina de 2004 (n = 73).

TABELA 1 - Valores médios e desvios padrões dos atletas de handebol masculino
dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina de 2004.

A TABELA 2 mostra e compara, por meio do ANOVA one-way e teste post-hoc de Scheffe, os valores médios e desvios padrões dos atletas dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina 2004 por posição ofensiva de jogo.

TABELA 2 - Valores médios, desvios padrões e comparação dos atletas
dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina por posição ofensiva de jogo.


*p<0,05 na ANOVA one-way; letras distintas representam médias significativamente diferentes por meio do teste post-hoc de Sheffe.

Pôde-se verificar, ao analisar os atletas por posição ofensiva de jogo, que os extremas possuíram os valores médios de todas as variáveis abaixo dos pivôs e dos armadores. Isto confirma outros estudos nos quais os extremas foram morfologicamente menores (GLANER, 1996; GLANER, 1999). BAYER (1987) destaca que os jogadores menores compensam sua inferioridade morfológica com uma maior velocidade e mobilidade e este, provavelmente, é o caso do extrema.

As variáveis que diferiram significativamente entre as posições ofensivas de jogo foram a MC, o PA e a MCM. A MC é muito importante na parte ofensiva, principalmente nas situações de 1x1 (fintas) (MORENO, 1997). A MCM é uma variável da composição corporal diretamente relacionada à MC. Os armadores e pivôs obtiveram valores médios da MC e da MCM superiores aos extremas e provavelmente obtiveram maior vantagem nas situações de 1x1. Os armadores possuíram os valores médios do PA significativamente superiores aos dos extremas.

A TABELA 3 mostra e compara, por meio do ANOVA one-way e teste post-hoc de Scheffe, os valores médios e desvios padrões dos atletas dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina 2004 por posição defensiva de jogo.

TABELA 3 - Valores médios, desvios padrões e comparação dos atletas
dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina por posição defensiva de jogo.


*p<0,05 na ANOVA one-way; letras distintas representam médias significativamente diferentes por meio do teste post-hoc de Sheffe.

Pôde-se verificar, ao comparar os atletas por posição defensiva de jogo, que houve aumento de todas as variáveis do marcador 1 para o marcador 3. Demonstrando assim, que o marcador mais próximo do centro da quadra (3) apresenta morfologia mais avantajada do que os das demais posições (1 e 2). Possivelmente isso se deve ao fato de o maior número de arremessos e fintas ocorrer a partir da região central.

As variáveis que diferiram significativamente entre as amostras foram: MC, ES, ENV, DPA, DRU, PA e MCM. O marcador 3 obteve os valores médios da MC, da ES, do PA e da MCM significativamente superiores aos marcadores 1 e 2. A MC é muito importante na marcação de fintas (MORENO, 1997). Por isso, os marcadores centrais (3) provavelmente tiveram mais facilidade nas marcações deste tipo que os demais. A MCM, diretamente relacionada à MC, provavelmente, também facilitou marcações de fintas. A ES é muito importante na realização de bloqueios mais elevados (BAYER, 1987) e, provavelmente, os marcadores 3 obtiveram maior êxito neste quesito que os outros marcadores. Por conseguinte, a região central da quadra (3) é a que mais favorece as fintas e os arremessos, em razão de os atacantes possuírem maior ângulo para arremates ao gol e, por isso, os técnicos possivelmente tenham posicionado seus atletas com maior MC e ES nesta região.

Os marcadores 3 obtiveram valores médios da ENV, DPA e DRU significativamente superiores aos marcadores 1. A ENV é diretamente proporcional à ES e facilita a marcação, tanto para bloqueios como na realização de faltas. Os técnicos possivelmente tenham posicionado seus atletas com maior ENV na região 3.

Verificou-se que as três variáveis que diferiram significativamente entre as posições ofensivas diferiram também entre as defensivas: MC, PA e MCM. Enfim, estas variáveis, assim como a ES, a ENV, o DPA e o %G, são muito importantes para que os atletas que jogam no ataque e na defesa consigam obter um maior rendimento (MARTINI, 1980; BAYER, 1987; MARQUES, 1987; FISCHER et al, 1991-92; GLANER, 1996; MORENO, 1997).


Conclusões

Com base nos resultados encontrados, pode-se concluir que os atletas diferem mais quando comparados por posição defensiva do que quando comparados por posição ofensiva de jogo.

Quando comparados por posição ofensiva de jogo, verificou-se que os extremas foram morfologicamente menores que os armadores e os pivôs (principalmente nas variáveis MC, PA e MCM). A inferioridade morfológica dos extremas pode ter sido compensada por outras qualidades físicas inerentes a jogadores desta posição, como agilidade, velocidade e mobilidade.

Ao comparar os atletas por posição defensiva de jogo, verificou-se que houve aumento de todas as variáveis do marcador 1 para o marcador 3. Os marcadores do centro da quadra, região onde mais ocorrem fintas e arremessos, são morfologicamente avantajados em relação aos demais, principalmente nas variáveis MC, ES, ENV, DPA, DRU, PA e MCM.

Os atletas que jogam nas posições mais centrais da quadra são morfologicamente avantajados em relação aos demais, enquanto que os que jogam mais próximos das laterais da quadra são morfologicamente menores.

Em decorrência da inferioridade morfológica apresentada pelos extremas e pelos marcadores 1, supõe-se que, em sua maioria, sejam os mesmos atletas, assim como ocorre com os armadores e os marcadores 3. Recomenda-se, portanto, que sejam realizados estudos com o objetivo de identificar as possíveis relações entre posição ofensiva e defensiva de atletas de handebol.


Referências

*

BAYER, C. Técnica del balonmano: la formación del jugador. Barcelona, Espanha: Ed. Hispano Europea, 1987.
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FESPORTE. Jogos Abertos de Santa Catarina. Disponível em: acessado em 10 set 2004.
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FISCHER, G.; HOFMANN, H.; PABST, S. et al. La escuela de porteros en balonmano. In: SECO, J.D.R. Estudio monográfico sobre el portero. Madrid, Espanha: INEF, 1991-92.
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FORSYTH, H.L. & SINNING, W.E. The anthropometric estimation of body density and lean body weight of male athletes. Med. Sci. Sports. v.5, n.3, p.174-180, 1973.
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GLANER, M.F. Morfologia de atletas pan-americanos de handebol adulto masculino. [Dissertação de mestrado - Mestrado em Ciência do Movimento Humano] Santa Maria (RS): Universidade Federal de Santa Maria, 1996.
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_____. Perfil morfológico dos melhores atletas pan-americanos de handebol por posição de jogo. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. v.1, n.1, 69-81, 1999.
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LOHMAN, T.G.; ROCHE, A.F. & MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. USA: Human Kinetics, 1991.
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MARQUES, A.T. A importância dos parâmetros antropométricos e das qualidades físicas no rendimento. Setemetros. v.5, 1987.
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MARTINI, K. Andebol: técnica - tática - metodologia. Trad. de Ana Prudente. Portugal: Publicações Europa-América Lda, 1980.
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MORENO, F.M.A. Detección de talentos en balonmano. Educación Física y Deportes [periódico on line] v.2, n.6, 1997. Disponível em: acessaod em 15 mar 2004.
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PETROSKI, E.L. Desenvolvimento e validação de equações generalizadas para a estimativa da densidade corporal em adultos. [Tese de doutorado - Doutorado em Ciência do Movimento Humano] Santa Maria (RS): Universidade Federal de Santa Maria, 1995.
*

_____ [organizador]. Antropometria: técnicas e padronizações. Porto Alegre: Pallotti, 2003.
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PIRES NETO, C.S. Comparações antropométricas entre sexos e intraesporte na posição de jogo de jovens handebolistas brasileiros. Revista Kinesis. v.2, n.2, 195-205, 1986.
*

RUIZ, L. & RODRÍGUEZ, J.E. Estudio del somatotipo en jugadoras de balonmano por puestos y categorias. Apunts. Medicina Deportes. v.137, p.25-31, 2001.
*

SIRI, W.E. Body composition from fluid space and density. In: BROZEK, J. & HANSCHEL, A. Techniques for measuring body composition. Washington DC: National Academy of Science, 1961.
*

TENROLER, C.A. Handebol: teoria e prática. Rio de Janeiro: Sprint, 2004.

Outro artigos em Portugués

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revista digital · Año 10 · N° 81 | Buenos Aires, Febrero 2005
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Práctica deportiva en edad escolar. Ideas y actitudes -Sergio Barba Gamero

Práctica deportiva en edad escolar. Ideas y actitudes

erróneas por parte de entrenadores, profesores y padres


Licenciado en Ciencias de la Actividad Física y el Deporte

Universidad de Granada

(España)


Sergio Barba Gamero
Resumen

Aunque son muchos los beneficios que la práctica deportiva aporta a la salud tanto física como psicológica de niños y adolescentes, su práctica, apoyada en falsas concepciones y actitudes por parte de padres, entrenadores y profesores, provoca que tales beneficios se disminuyan en gran medida o incluso se transformen en efectos perjudiciales. En este sentido el presente artículo aborda cuáles son las principales ideas y actitudes erróneas relacionadas con la práctica deportiva en niños y adolescentes que actualmente persisten en la sociedad y que son asumidas por padres, entrenadores y profesores, llevándose a cabo una descripción de las mismas y añadiéndose maneras o estrategias para su afrontación y superación.

Palabras clave: Práctica deportiva. Edad escolar. Padres. Entrenadores. Profesores. Concepciones erróneas

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 139 - Diciembre de 2009

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Introducción

Son muchos los beneficios que la práctica deportiva brinda al desarrollo físico, psicomotor, emocional, afectivo, social y mental de los niños. Se ha comprobado que quienes practican un deporte son más saludables en todo sentido.

Ahora bien, el desarrollo de los mismos no siempre se lleva a cabo de la forma más correcta posible y muchos de tales beneficios se ven reducidos, eliminados e incluso se tornan en efectos perjudiciales sobre el niño.

Entre las causas que provocan tales circunstancias, quizás las de mayor protagonismo e influencia se relacionan con la falta de formación, actitud o motivación por parte de todas aquellas personas que rodean al niño durante el desarrollo de su práctica deportiva, fundamentalmente padres, profesores y entrenadores.

Así, podemos encontrar como algunos padres fuerzan la iniciación deportiva de sus hijos en determinadas disciplinas en la búsqueda de crear un nuevo Nadal o Casillas, o también se pueden ver actitudes agresivas por parte de entrenadores y padres con el objetivo de fortalecer el carácter de los niños y que lejos de conseguir tales efectos, lo más que van a conseguir es que el niño se desmotive y relegue u olvide la práctica deportiva a un segundo plano o para siempre de sus vidas.

En este sentido el presente artículo aborda cuáles son las principales ideas y actitudes erróneas relacionadas con la práctica deportiva en niños y adolescentes que actualmente persisten en la sociedad, llevándose a cabo una descripción de las mismas y añadiéndose maneras o estrategias para su afrontación y superación.

Ideas y actitudes erróneas de entrenadores, profesores y padres

1. Los deportes de equipo son mejores para los niños que los deportes individuales

La verdad es que uno podría argumentar que uno no es mejor que el otro. Existe un deporte para cada edad, para cada tipo de personalidad, y para cada necesidad que tengan los niños. Así, por ejemplo, a través de los deportes de equipo los niños aprenderán el valor de trabajar juntos en un grupo, en deportes individuales, aprenderán el valor de la autodisciplina y la motivación personal.

El resultado final es que todos los deportes pueden enseñar multitud de cosas que tienen beneficios a largo plazo.

A continuación se muestran algunos de los beneficios que los diferentes tipos de deportes pueden proporcionar al niño, así como diferentes cuestiones a tener en cuenta para al llevarlos a la práctica (Revista Consumer Eroski, 2009):

Individuales

*

Si el deporte por el que se inclina el menor es individual, es importante que parte de la actividad se desarrolle en grupo, de esta manera se promoverá una mínima socialización a partir de juegos colectivos.
*

Las personas más tímidas se sienten más cómodas en actividades deportivas en las que no participe un gran número de personas.
*

Muchos niños y adolescentes se desenvuelven y rinden mejor cuando no dependen de los demás.
*

Los deportes individuales ofrecen más oportunidades para fomentar la autonomía y la creatividad, lo que aumenta la confianza en uno mismo.
*

A los jóvenes más impulsivos y transgresores con las normas, discriminados en el contexto de un equipo, les favorece depender sólo de ellos mismos, aunque reciban atención individualizada por parte del entrenador.
*

Los padres son los responsables de ayudar a digerir los errores o las derrotas si se practica ejercicio de forma individual, ya que el menor que no cuenta con un equipo que le apoye ante las dificultades puede sentirse sobrecargado.
*

A los menores más extrovertidos no les convienen los deportes individuales, puesto que podrían aburrirse con facilidad y dejar de practicarlos.

Colectivos

*

Ofrecen la oportunidad de interaccionar con otras personas que comparten un interés común fomentando la amistad duradera con lo cual se fortalecen las dimensiones sociales y emocionales del bienestar.
*

Ser miembro de un equipo implica responsabilidad, respeto a compañeros, adversarios, reglas y jueces.
*

A nivel grupal, el deporte puede contribuir al desarrollo de confianza entre los pares. El joven debe ser capaz de confiar en los otros, experimentar un sentido de comunidad y conocer suposición dentro del grupo.
*

Permiten a los jóvenes más tímidos una interacción y comunicación con un grupo nuevo de personas fomentando la amistad y relación futura con niños de edad parecida.

Por lo tanto, ya sea individual, de adversario o colectivo, habrá que promover entre los alumnos el interés por el deporte, para que puedan beneficiarse los múltiples beneficios (fisiológicos, psicológicos y sociales) que su práctica les va a proporcionar en sus vidas presentes y futuras.

El hecho de que sea un deporte individual o colectivo no es relevante. Lo importante es que el niño lo practique porque le gusta, porque disfruta cada momento.

Lo ideal y aconsejable, ya que cada deporte tiene distintos beneficios, y sobre todo en el caso del deporte infantil, será ejercitar y probar diferentes modalidades antes de decidirnos por una determinada especialidad. Unos les resultarán más atractivos y sugerentes, otros despertarán su curiosidad y su entusiasmo, mientras que sólo unos pocos se ajustarán a sus aptitudes y a su constitución física.

2. Enseñar a los niños a jugar mientras se encuentran lesionados les construye el carácter

Como ya se ha comentado, los deportes pueden proveer múltiples beneficios al niño: físicos, como el mantenimiento del peso, coordinación, aptitud; emocionales: como una mayor confianza, autodisciplina, amor propio,… Sin embargo, los riesgos de lesión existen, son reales, pero son mucho menores que la cantidad de beneficios que nos ofrecen.

Ahora bien, cuando la lesión acontece, enseñar, obligar a los niños a jugar mientras transcurre la misma para nada les va a servir para construir su carácter, sino todo lo contrario, lo único que podemos ocasionar será una lesión que provoque en el niño dolor y desconfianza e incluso miedo a la práctica posterior de la misma actividad que acarreó la lesión y con ello el posible abandono de la práctica del deporte o actividad en cuestión.

Aunque la gran mayoría de lesiones deportivas en los niños son de menor importancia que las producidas en personas de mayor edad, el continuar sólo puede empeorar la misma lo que puede acarrear condiciones graves y dificultades quizás de por vida para su salud. Por lo tanto, nunca se deberá de forzar a un niño a seguir jugando mientras se sufre una lesión deportiva.

3. Permitir que los niños abandonen un deporte supondrá toda una vida de llena abandonos

El abandono de la actividad física y deportiva entre los jóvenes es un acontecimiento complejo, en el que pueden influir numerosos factores. A veces la práctica deportiva para el niño supondrá una obligación más que un hobby y los niños apenas van a disfrutar de su práctica. En este momento la mejor solución será el abandono, lo cual no va a suponer nada negativo ni va a ser un factor desencadenante para nuevos abandonos, sino todo lo contrario, su abandono debe de orientarnos hacia la elección de un nuevo deporte que si sea el adecuado para el niño, que le guste y motive. De ese modo conseguiremos que su práctica se convierta en algo continuo e importante en la vida del niño.

Ahora bien, si de nuevo fallamos en la elección del deporte, de seguro que se producirá otro abandono del mismo en el futuro.

Siguiendo a Trepode (2001), algunas de las causas de abandono de la práctica deportiva por parte de los niños son las siguientes:

Causas psicológicas

*

Interés en otras actividades deportivas.
*

Falta de diversión.
*

Aburrimiento.
*

Mala relación con el entrenador.
*

Juego brusco.
*

Stress competitivo
*

Actitudes acerca de ganar a cualquier precio.
*

Atribuciones a capacidad: esfuerzo.

Causas físicas

*

Por no ser lo “suficiente bueno”.
*

Sin mejorías en las destrezas.

Causas de situación

*

Nunca jugó.
*

Énfasis en el programa (demasiado serio).
*

Organización deficiente.
*

Pobre comunicación.
*

Poco sentido de pertenencia.
*

Falta de apoyo social (padres, maestros).
*

Estilo de liderazgo del entrenador (autoritario).

Teniendo en cuenta esta gran cantidad de factores que pueden afectar a los niños en su continuidad de práctica deportiva, tanto a la hora de involucrarlos en su práctica, así como tras la decisión de abandono del mismo por parte del niño, tendrá que llevarse a cabo un análisis de dichos factores a fin de ajustarse lo máximo posible a las preferencias, necesidades y capacidades de nuestros niños.

Demasiados padres pasan del análisis de tales factores y nunca preguntan a sus hijos si quieren hacer tal o cual deporte, simplemente pagan la inscripción y les comunican su nueva actividad. Entonces ocurrirá que, si a ese niño no le atrae ese deporte, o simplemente no está listo para su práctica y se ve obligado a jugar, su abandono va a ser una realidad en poco tiempo.

Por lo tanto, empujar a un niño para jugar antes de que él o ella estén dispuestos realmente aumenta la probabilidad de deserción y no volver a jugar y será vital respetar el gusto y el interés de los pequeños, y jamás obligarles a que hagan algo que no les guste.

Es más, en la etapa adolescente y juventud si no se adquieren los hábitos de realización de manera sistemática y continua de actividades físico-deportivas, lo más probable es que esos jóvenes posteriormente serán adultos sedentarios, con toda la problemática de salud que ello lleva consigo.

4. Cuanto más joven comience un niño a practicar un determinado deporte, mejor será su rendimiento en el futuro

La importancia del entrenamiento en edades tempranas es defendido por algunos autores apoyándose en diversas razones (Hahn, 1988):

*

El adelanto de la edad de rendimiento a nivel nacional e internacional.
*

El desarrollo de un sistema de competición para niños.
*

El enfoque hacia el éxito de los entrenadores, padres, clubes etc.
*

El traslado de programas de entrenamiento de los adultos a los niños.

Todas estas afirmaciones son ajenas a los niños y se originan en ambiciones de éxito de los padres, deporte y sociedad, no satisfaciendo las necesidades ó aspiraciones de los niños (Hahn, 1988). La abrumadora mayoría de los niños maduran socialmente, físicamente y emocionalmente a diferentes edades, así que no hay “derecho de edad” para iniciar a los niños en los deportes. Como las flores, algunos niños tardan más en florecer que otros.

Teniendo esto en consideración, Kaminski (1982), citado por Hahn (1988), indica que existen una serie de inconvenientes y contraindicaciones para el entrenamiento con niños:

*

Excesivo tiempo invertido en los entrenamientos.
*

Se cuestiona el daño a la salud del deporte orientado al rendimiento
*

Efectos secundarios negativos para la génesis de la personalidad y equilibrio interno.
*

Relaciones sociales problemáticas.

Por lo tanto, la formación deportiva debería estar orientada a la salud y al proceso más que al rendimiento deportivo (Devís y col, 1992; Delgado y Tercedor, 2002). El ejercicio y el entrenamiento deportivo cuando se orientan al rendimiento muchas veces no guardan relación con la salud. Ahora bien, cuando se aplica y se controla el entrenamiento desde el punto de vista médico y pedagógico, teniendo en cuenta la edad biológica del niño y un correcto aporte nutricional, se logra el éxito deportivo y lo que es más importante aún, el deporte puede jugar un papel importante dentro de la salud del deportista (Pancorbo, 1995).

Dado que el niño no es un adulto en miniatura sino un ser en evolución, habrá que adaptar la actividad al niño y no viceversa, no sometiéndolo a esfuerzos superiores a su capacidad (Pancorbo, 1995). Así, no habrá impedimentos en contra de la especialización temprana, desde los puntos de vista psicológico, médico y pedagógico, siempre y cuando la selección y dedicación deportiva de los niños, se apoye en correctas bases biológicas y pedagógicas.

5. El comportamiento agresivo de los entrenadores es aceptable ya que la finalidad de tales actitudes van encaminadas a la consecución del éxito por parte de los niños

El comportamiento agresivo se mantiene bastante estable desde la infancia hasta la edad adulta (Farrington, 1991, citado en Pelegrín (2002).

Según Eron y Huesmann (1990), citado en Pelegrín (2002), la presencia de diferentes patrones de conducta en edad adulta es probable que se deban tanto a la constitución del niño (factores genéticos) como al ambiente.

Así, aquellos sujetos que han sido problemáticos en la infancia tienen mayor probabilidad de exhibir conductas antisociales en la etapa adulta (Farrington, 1989, citado en Pelegrín, 2002)

En general, el deporte tiene un nuevo significado para los niños y las niñas cuando llegan a 10-12 años de edad. En este punto, los niños han decidido que los deportes son para ellos y las cosas que van con el deporte, tales como la disciplina, la formación, la dedicación, el compromiso o el comportamiento agresivo de algunos entrenadores entran a formar parte de este paquete.

Por ello la experiencia deportiva mal desarrollada puede tener efectos trascendentales de por vida en la personalidad y desarrollo psicológico de los niños.

En este sentido, son varios los factores que conllevan a que se desencadenen actos agresivos y violentos, tanto dentro (originados por los propios deportistas), como fuera (espectadores o entrenador) del terreno de juego.

En relación al entrenador, se debe tener siempre presente que éste actúa como modelo pues influye con su comportamiento en la actividad y ejecución de esos deportistas, y también influye en ellos a nivel personal, siendo uno de los agentes socializadores más importantes del niño que practica deporte (Pelegrín, 2002)

Por lo tanto para que las competiciones deportivas lleguen a ser un elemento educativo para los niños, habría que dotar a aquellas personas que actúan como modelos (entrenadores, padres,…), de actitudes y valores que beneficien al joven deportista desde la base ((Pelegrín, 2002).

Sólo cuando estos agentes proporcionan modelos adecuados, la práctica deportiva infantil se convertirá en un instrumento eficaz para el aprendizaje de destrezas físicas y de unos valores socialmente deseables (Cruz et al., 1996).

6. Está bien que los padres se enfaden con sus hijos si se ponen a jugar mejor

Como consecuencia de esta crítica por parte del padre el niño se sentirá completamente cohibido, presionado, y lo que es peor, estará empezando a asociar el juego con la necesidad de hacerlo bien, de ganar a toda costa, y si no lo hace, tanto él como su entorno se sentirán mal, decepcionados (Hernández, 2005).

Así mismo, ese enfado y comportamiento agresivo de los padres, como ya se dijo en el apartado anterior, modelo de comportamiento al igual que el entrenador, influenciará a los niños en la adquisición de patrones de conducta agresivos y orientados exclusivamente al resultado y que perdurarán en su comportamiento futuro, no sólo en el terreno deportivo, sino también en el resto de ámbitos (familiar, escolar,…).

Ser negativo con los niños casi nunca da resultados positivos, y es lo mismo en este caso. Los padres deben mantener siempre una actitud positiva acerca de las experiencias de sus hijos el deporte, ya que es más probable que se agobie, estrese y desilusione con el deporte si usted va a la ofensiva.

Se trata de deporte escolar donde el juego y acercamiento al mundo del deporte debería de primar. La meta es conseguir que el niño disfrute realizando una actividad deportiva, que relaciones diversión con victoria y que este hábito saludable forme parte de su vida futura.

Disfrutar con el deporte que practican los hijos, apoyarlos, aplaudir, sonreír, liberarlos de la presión de hacerlo todo perfecto, supondrá haber ganado una batalla muy importante para su permanencia en el mundo del deporte (Hernández, 2005)

7. Los padres que verbalmente o físicamente ataquen a entrenadores no pueden ser culpados por su comportamiento, ya que son la protección de los intereses de sus hijos

Claro, como padres, consideran una gran injusticia si el niño no está recibiendo suficiente tiempo de juego o el árbitro toma una decisión controvertida que afecte a su hijo. Pero el comportamiento violento y muy agresivo recibirá lo mismo a cambio, y al final, todos pierden. Además, esta es la razón por la que deportes infantiles, juveniles organizados han adquirido una mala reputación a lo largo de los años.

Tan importante como acompañar al hijo a realizar la actividad que está desarrollando es que una vez allí, el comportamiento de los padres sea modélico. Ante un comportamiento inapropiado y como hemos comentado, el niño puede actuar igual (Hernández, 2005).

Muchos entrenadores y padres no tienen la madurez emocional para dar un paso atrás y mirar las cosas desde un punto de vista racional. El comportamiento violento de los padres asustará y avergonzará a sus hijos y hará, sin ningún tipo de duda, daño a largo plazo.

El entrenador perderá prestigio delante del niño y al mismo tiempo el niño aprenderá que existe un recurso fácil al que culpar de los fracasos: se estará convirtiendo a los entrenadores y árbitros en los causantes de los “fracasos deportivos” sin analizar las acciones, destreza o actitudes que se pueden mejorar en los participantes (Hernández, 2005).

Por tanto, antes de actuar será necesario reflexionar, ser consciente de que a estas edades los padres son un modelo para sus hijos y que es muy importante para ellos que su comportamiento sea correcto y que sea capaz de mantener la calma, analizar la situación y dar una respuesta correcta.

Así, ante cualquier duda, lo padres deberían de dar ejemplo y comentarla de forma cordial con los entrenadores, los cuales podrán explicar lo que motiva sus decisiones y seguro que todos aprenderán algo de ello.

Así mismo, habrá que tratar de valorar y reforzar cuando alguna de las decisiones tomadas por el entrenador se considera acertada y ayude al buen desarrollo del juego, fomentará un clima positivo que sin duda resultará enormemente beneficioso para la relación entre todos los participantes (Hernández, 2005).

8. Los padres asumen que todos los entrenadores de deportes para jóvenes han tenido una preparación suficiente para ejercer su labor

Los padres asumen que esto es cierto porque, si los maestros tienen que pasar los controles, pruebas, oposiciones para llegar a ejercer, los entrenadores, creen los padres, habrán tenido que pasarlas también. Muchos padres no se dan cuenta que la mayoría de las ligas o competiciones son organizadas por voluntarios, con un presupuesto muy pequeño. Ligas que tienden a no llevar a cabo verificaciones de antecedentes a fondo debido a los gastos involucrados.

Es por eso que necesitamos una oleada de apoyo por parte de los gobiernos locales para el desarrollo de un sistema que posibilite que los niños sean entrenados por personal cualificado y que a su vez identifique a las personas que no cumplen los requisitos para entrenar niños.

Por otro lado son muchas las ocasiones en las que los niños son entrenados por los padres de uno de los niños del equipo. El hecho de que sean los padres no necesariamente significa que serán buenos entrenadores. Las personas que trabajan con niños siempre deben someterse a un programa simple pero eficaz que les forme para un dominio total sobre el trabajo con niños y el deporte que entrenarán.

Se debe garantizar que el entrenador, monitor sea una persona que esté bien formada y preparada con experiencia en estas tareas. En este sentido, siguiendo aportaciones de autores como Muñiz (2005) y Buceta (2004) se ofrecen una serie aspectos a tener en cuenta para ser un buen entrenador y obtener éxito en el entrenamiento con niños:

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Saber motivar. Esto es sencillo cuando se trata de equipos y jugadores ganadores, pero cuando no es así, es fundamental el papel del entrenador ilusionando y motivando a los niños, realzando sus cualidades y buscando objetivos y logros adecuados a sus capacidades.
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Conocimiento de los niños a su cargo. Un buen entrenador debe saber cómo es cada uno de sus pupilos, cada niño o adolescente es un mundo y tienen reacciones y comportamientos diferentes. El buen entrenador ha de tener mucho de psicólogo y saber dar el tratamiento adecuado a los problemas y características de cada uno, sin que ello signifique tratamientos de favor ni agravios comparativos dentro de un equipo.
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Tener un comportamiento correcto en todo momento. Una faceta fundamental del entrenador respecto de los jóvenes jugadores es la de dar un buen ejemplo. Por lo tanto, su actitud en la competición, tanto ante los contrarios como ante los árbitros, debe ser correcta y educada.
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Aplicar la formación adecuada para cada edad. Un buen entrenador no sólo debe tener unos buenos conocimientos específicos en su deporte sino que también ha de saber qué necesidades de formación y qué cantidad de ejercicio puede practicar el joven deportista según su edad. Debe ser consciente de que en los primeros años ha de primar el componente lúdico y será, poco a poco, cuando se empezarán a desarrollar las actitudes físicas, técnicas y tácticas de los deportistas.
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Percibir antes y durante la clase que es lo que más desean y/o necesitan los niños ese día en cuanto a desenvolvimiento emocional y corporal.
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Evitar la imposición de un objetivo o contenido, mejor convencer, persuadir de una o mil maneras a los niños de la importancia de los mismos.
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Provocar la creatividad y libre desenvolvimiento en los ejercicios durante la clase respetando las individualidades psicológicas, intelectuales y motoras de los niños.
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Dar a los discípulos durante la clase la posibilidad de sentirse profesores, de saberse conocedores de su deporte.
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Cuando no están cumpliendo correctamente con los ejercicios no buscar la responsabilidad absoluta en ellos, sino analizar inmediatamente la metodología de la enseñanza y del trabajo en todos los aspectos. No olvidar que el equivocado siempre es el profesor no el alumno.
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Evitar la irritación porque los alumnos estén desconcentrados o indisciplinados en la clase, mejor acudir a los dos recursos eficientes para mejorar la participación de ellos en las actividades: incrementar mi participación activa en las mismas o, aumentar la esencia lúdicra de las tareas orientadas.
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En los ejercicios que exigen de elevada manifestación de las cualidades volitivas, lo primero es estimular la conciencia del niño, hacerle ver la importancia de los mismos.
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Evitar llamar la atención de forma crítica y hacerlo más incentivando la ejercitación del discípulo; ejemplo, es preferible decirle: ¡salta! o, ¡realiza con más fuerza el movimiento de los brazos!, a decirle, ¿por qué lo estás haciendo de esa manera?, ¡hazlo como yo lo orienté!
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Comprender a los niños, las características de su edad, participar también de sus chistes, bromas y ocurrencias durante la clase, tener siempre despierto al niño que se lleva dentro.

Bibliografía

*

Buceta, JM. (2004). Estrategias psicológicas para entrenadores de deportistas jóvenes. Dykinson. Madrid.
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Cruz, J. et al. (1996). “¿Existe un deporte educativo? Papel de las competiciones deportivas en el proceso de socialización del niño” en Revista de Sociología del Deporte, nº 9-10, 111-132.
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Devis, J y Peiró, C. (1992). El ejercicio físico y la promoción de la salud en la infancia y en la juventud. Gaceta sanitaria, 6, 33, 263-267.
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Hahn, E (1988). Entrenamiento con niños. Barcelona. Ed. Martínez Roca.
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Hernández Núñez, E. (2005). Guía para Padres: Deporte Escolar. Ayuntamiento de Valencia. Fundación Deportiva Municipal.
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Muñiz Sanabria, A. (2005). Premisas para ser un buen entrenador de niños y adolescentes. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 10 - N° 86 - Julio de 2005. http://www.efdeportes.com/efd86/premisas.htm
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Nuviala Nuviala, A. y Nuviala Nuviala, R. (2005). Abandono y continuidad de la práctica deportiva escolar organizada desde la perspectiva de los técnicos de una comarca aragonesa. Revista Internacional de Medicina y Ciencias de la Actividad Física y el Deporte vol. 5 (19) pp.295-307.
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Pancorbo, S (1995). Entrenamiento deportivo y conducción biológica de los talentos de alta competición. En: Indicadores para la selección de talentos deportivos. Consejo superior de deportes. Madrid. 147-156.
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Pelegrín Muñoz, A. (2002). Conducta agresiva y deporte. Cuadernos de Psicología del Deporte. 2002. Vol. 2, núm. 1.
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Revista Consumer Eroski. Junio 2009 - Nº 133. 29-30.
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Tercedor Sánchez, P. y Delgado Fernández, M. (2002). Estrategias en intervención para la salud desde la Educación Física. Inde. Barcelona.
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Trepode, NF (2001). Abandono del deporte en los jóvenes. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 7 - N° 40 - Setiembre de 2001. http://www.efdeportes.com/efd40/aband.htm

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Regras do Handebol 19 regras

Regras do Handebol

REGRA 1 - A QUADRA(campo)
1.1 A quadra é de forma retangular: compreende uma superfície de jogo e duas áreas de gol e mede 40m de comprimento e 20m de largura.
Os grandes lados são chamados linhas laterais; os pequenos, linhas de gol. O estado da quadra não deve ser modificado de forma nenhuma em benefício de só uma equipe.

1.2 O gol ou baliza e colocado no meio da linha de gol. Ele deve ser solidamente fixado ao solo. Mede no interior 2m de altura e 3m de largura.

1.3 A área de gol é delimitada por uma linha reta de 3m, traçada 6m à frente da baliza, paralelamente à linha de gol e continuada em cada extremidade por um quarto de círculo de 6m de raio, tendo por centro o ângulo interno, inferior e posterior de cada poste da baliza. A linha delimitando a superfície é chamada área de gol

1.4 A linha de tiro livre, descontínua, se inscreve sobre uma reta de 3m traçada 9m à frente da baliza, paralelamente à linha da área de gol. Os traços da linha de tiro livre medem 15cm, assim como os intervalos

1.5 A marca de 7m é constituída por uma linha e 1m traçada á frente do meio da baliza, paralelamente à linha de gol, a uma distância de 7m a partir do lado exterior da linha de gol.

1.6 Uma marca de 15cm de comprimento é traçada à frente do meio de cada baliza e paralelamente a esta, a uma distância de 4m a partir do lado exterior da linha de gol. É a linha de limitação do goleiro, antes de a bola sair das mãos do cobrador, quando da execução de um tiro de 7 metros.

1.8 De cada lado e a 4,50m da linha central, uma marca de 15cm delimitando cada uma das zonas de substituição, respectivamente, para as equipes que estiverem ocupando os respectivos bancos de reservas.

REGRA 2 - A DURAÇÃO DO JOGO
2.1 Para equipes masculinha e femininas de mais de 18 anos, a duração do jogo é de 2 X 30 minutos com 10 minutos de intervalo.

2.2 O jogo começa pelo apito do árbitro central autorizando o tiro de saída, e termina pelo sinal do cronometrista. As infrações e condutas anti-desportivas cometidas antes do sinal do cronometrista, devem ser punidas pelos árbitros, mesmo depois de se ter sinalizado o final do jogo.

2.3 Após o intervalo, as equipes trocam de quadra.

2.4 Os árbitros decidem quando o tempo deve ser interrompido e quando ele deve ser retomado.
Eles assinalam ao cronometrista o instante da parada dos cronômetros e os da reposição em jogo.

2.5 Se um tiro livre ou um tiro de 7m é assinalado pouco antes do intervalo ou do final do jogo, o cronometrista deve esperar o resultado imediato do tiro antes de sinalizar o encerramento do jogo mesmo se o jogo estiver terminado.

2.6 Se os árbitros constatam que o jogo foi interrompido antes do tempo regulamentar pelo cronometrista, devem reter os jogadores na quadra e se ocupar do reinício do jogo, para completar o tempo que resta por jogar.

2.7 Se o jogo empatado deve ter a sua continuação até que haja um vencedor, após 5 minutos de intervalo, a escolha da quadra ou do tiro de saída deve ser novamente sorteada.
A prorrogação dura 2 X 5 minutos para todas as equipes (troca de quadra sem intervalo). Se o jogo continuar empatado após esta primeira prorrogação, uma segunda é jogada após 5 minutos de intervalo e um novo sorteio, com duração de2 X 5 minutos (troca de quadra sem intervalo). Se o jogo continuar empatado, proceder-se-á de acordo com o regulamento particular da competição em curso.

REGRA 3 - A BOLA
3.1 A bola é constituída por um invólucro de couro ou de matéria plástica de cor uniforme. É de forma redonda. Bolas brilhantes ou lisas não serão permitidas.

3.2 Para os homens, a bola deve medir no início do jogo de 58 a 60 cm de circunferência e pesar de 425 a 475g. Para as mulheres a bola deve medir no início do jogo de 54 a 56cm de circunferência de pesar de 325 a 400g.

REGRA 4 - OS JOGADORES
4.1 Uma equipe se compõe de 12 jogadores (10 jogadores de quadra e 2 goleiros). Em todos os casos, a equipe é obrigada a jogar com 1 goleiro, 7 jogadores no máximo (6 jogadores de quadra e 1 goleiro) que podem se encontrar na quadra ao mesmo tempo, os quais devem ser inscritos na súmula da partida. Os outros jogadores são reservas.

4.4 Durante o jogo os reservas podem entrar na quadra a qualquer momento e repetidamente, sem avisar o cronometrista, desde que os jogadores substituídos tenham abandonado a quadra. Isto vale igualmente para a substituíção do goleiro.

4.7 O uniforme dos jogadores de quadra de uma equipe deve ser igual, sendo que a cor do uniforme do goleiro deve diferir claramente das duas equipes.

REGRA 5 - O GOLEIRO
5.1 Um goleiro nunca pode substituir um outro jogador, no entanto qualquer outro jogador pode substituir um goleiro. O jogador de quadra deve vestir o uniforme do goleiro antes de substituí-lo pela zona de substituíção.

É permitido ao goleiro : 5.2 Tocar a bola na área de gol numa tentativa de defesa, com todas as partes do corpo. OBS: Exceto chutar a bola, mesmo em tentativa de defesa.

5.3 Deslocar-se na área de gol com a bola na mão, sem restrição.

5.4 Sair da área de gol, numa ação defensiva, e continuar a jogar, poder, e tomar parte do jogo. Neste caso, estará sujeito às regras dos demais jogadores de quadra.

5.5 Sair da área de gol, numa ação defensiva, e continuar a jogar, desde que não tenha a bola dominada.

5.7 Jogar intencionalmente a bola dominada atrás da linha de gol, por fora da baliza (tiro livre).

5.9 Tocar a bola na área de gol, depois de um tiro de meta, se a bola não tiver sido tocada por outro jogador (tiro livre).

5.10 Tocar a bola na área de gol, parada ou rolando no solo, fora da área de gol, desde que ele se encontre dentro de sua área de gol (tiro livre).

5.12 Voltar com a bola da quadra de jogo para dentro de sua própria área de gol (tiro de 7m).

REGRA 6 - A ÁREA DE GOL
6.1 Somente o goleiro tem o direito de permanecer na área de gol. Ela é violada, desde que um jogador de quadra a toque, inclusive em sua linha, com qualquer parte do corpo.

6.2 A violação da área de gol por um jogador de quadra é punida da seguinte forma:
A) Tiro livre, se um jogador de quadra a invade com a bola.
B) Tiro livre, se um jogador de quadra a invade sem a bola e disso leva vantagem.
C) Tiro de 7m, se um jogador da equipde que defende e invade intencionalmente, e desta maneira coloca em desvantagem o jogador atacante que tem a posse da bola.

6.7 O lançamento intencional da bola para sua própria área de gol é punido da seguinte forma: A) Gol, se a bola penetra no gol.
B) Tiro de 7m, se o goleiro toca a bola evitando que esta entre no gol.
C) Tiro livre, se a bola permanecer na área de gol ou ultrapassar a linha de gol por fora da baliza.

REGRA 7 - O MANEJO DA BOLA
É permitido :
7.1 Lançar, bater, empurrar, socar, parar e pegar a bola com a ajuda das mãos, braços, cabeça, tronco e joelhos.

7.2 Segurar a bola no máximo durante 3 segundos, mesmo que ela esteja no solo.

7.3 Fazer no máximo 3 passos com a bola na mão. Um passo é feito:
A) Quando o jogador, tendo os dois pés no solo, levanta um dos pés e torna a pousá-lo (não importa a direção ou distãncia) ou o desloca (deslizar).
B) Quando um jogador, tendo um pé no chão, apanha a bola e em seguida toca o solo com o segundo pé.
C) Quando o jogador em suspensão toca o solo com um pé e salta no mesmo pé ou toca o chão com o segundo pé.
D) Quando o jogador em suspensão toca o solo com os dois pés ao mesmo tempo, levanta em seguida um dos pés e torna a pousá-lo ou deslocá-lo. Nota: Quando um pé é deslocado no chão, o segundo pé pode ser trazido junto ao primeiro.

REGRA 8 - CONDUTA PARA COM O ADVERSÁRIO
É permitido:

8.1 Utilizar os braços e as mãos para apoderar-se da bola.

8.2 Tirar a bola do adversário com a mão aberta, não importa de que lado.

8.3 Barrar com o tronco o caminho do adversário, mesmo que ele não esteja com a posse da bola.

É proibido:
8.4 Barrar o caminho do adversário ou contê-lo com os braços, as mãos ou as pernas.

8.6 Arrancar a bola do adversário com uma ou duas mãos, assim como bater na bola que ele tenha em suas mãos.

8.7 Utilizar o punho para tirar a bola do adversário.

8.8 Lançar a bola de modo perigoso para o adversário ou dirigir a bola contra ele numa finta perigosa.

REGRA 9 - O GOL
9.1 Um gol será marcado, quando a bola ultrapassar totalmente a linha de gol por dentro da baliza e desde que nenhuma falta tenha sido cometida pelo executor e seus companheiros. Quando um defensor comete uma infração anti-regularmente que não impeça que a bola entre na baliza, o gol é considerado marcado, desde que os árbitros tenham a certeza de que a bola ultrapassaria a linha de gol, por entre as balizas.
O gol não será válido se os árbitros ou o cronometrista assinalaram a paralisação do jogo, antes que a bola tenha ultrapassado a linha de gol, por dentro da baliza.

REGRA 10 - O TIRO DE SAÍDA
10.1 No início do jogo, o tiro de saída é executado pela equipe que ganhou o sorteio e que escolheu a saída, ou pela outra equipe, se a que ganhou o sorteio escolheu a quadra.
Após o intervalo, o tiro de saída pertence à equipe que não o fez no início do jogo. Em caso de prorrogação, a escolha da quadra ou da saída é novamente sorteada.

10.4 No momento do tiro de saída, todos os jogadores devem se encontrar na sua própria meia-quadra: os jogadores adversários devem se encontrar pelo menos a 3m do jogador executante do tiro de saída.

REGRA 11 - TIRO DE LATERAL
11.1 O tiro de lateral é ordenado quando a bola ultrapassar completamente uma linha lateral, ou quando a bola tocar por último um jogador da equipe defensora antes que ela deixe a quadra, ultrapassando a linha de gol por fora da baliza. Um tiro de meta deve ser executado no caso em que o caso, na área de gol, tenha tocado por último a bola antes que ela ultrapasse a linha de gol por fora da baliza.

11.4 O jogador que executa o tiro de lateral deve manter um pé sobre a linha lateral, até que a bola tenha deixado a sua mão. Não é permitido colocar a bola no solo e tornar a pegá-la , ou quicar a bola.

REGRA 12 - O TIRO DE META
12.1 Um tiro de meta é ordenado quando a bola ultrapassar a linha de gol, por fora da baliza (ver todavia 5.7, 7,10, 11.1)

12.2 O tiro de meta deve ser executado sem o apito do árbitro, da área de gol por sobre a linha da área de gol (ver todavia 16.3b).

REGRA 13 - O TIRO LIVRE
13.1 Um tiro livre é ordenado nos seguintes casos:
A) Substituição anti-regulamentar.
B) Faltas do goleiro.
C) Faltas dos jogadores de quadra na área de gol
D) Manejo anti-regulamentar da bola.
E) Lançamento intencional da bola por fora da linha lateral ou linha de gol por fora da baliza.
F) Jogo passivo
G) Conduta anti-regulamentar para com o adversário.
H) Tiro de saída anti-regulamentar.
I) Conduta anti-regulamentar num tiro de lateral.
J) Conduta anti-regulamentar num tiro de meta.
K) Conduta anti-regulamentar num tiro livre
L) Paralisação do jogo, sem que tenha havido nenhuma infração às regras.
M) Conduta anti-regulamentar por ocasião de um tiro de 7 metros.
N) Conduta anti-regulamentar num tiro de árbitro.
O) Execução incorreta dos tiros.
P) Conduta antidesportiva grosseira ou repetida. 13.3 Desde que, de posse da bola, o jogador que executa o tiro livre esteja pronto a executá-lo do local exato, não lhe é mais permitido colocar a bola no solo e tornar a pegá-la, ou quicar a bola.

13.4 Durante a execução de um tiro livre, os jogadores da equipe atacante não devem tocar ou ultrapassar a linha de tiro livre.

13.5 Durante a execução de um tiro livre, os jogadores adversários devem estar a pelo menos 3m do executor. Durante a sua execução na linha de tiro livre, os jogadores da equipe defensora podem se colocar na linha da área de gol.

13.7 Se o jogo foi paralisado sem que tenha havido ações anti-regulamentares e a bola estava em poder de uma determinada equipe, o jogo é reiniciado por um tiro livre ou correspondente, executado após o apito do árbitro, do local onde se encontrava a bola no momento de paralisação e pela equipe que estava com a posse da bola.

REGRA 14 - O TIRO DE 7 METROS
14.1 Um tiro de 7 metros é ordenado nos seguintes casos:
A) Quando a infração, em qualquer parte da quadra de jogo, frustra uma clara ocasião de gol, inclusive se a comete um oficial.
B) O goleiro joga, para a sua área de gol, a bola que se encontra no solo fora da área de gol, ou retorna, com a bola controlada, da quadra para a área de gol.
C) Violaçào da própria área de gol, numa tentativa de defesa, colocando em desvantagem o jogador atacante que está com a posse da bola.
D) Lançar a bola intencionalmente para o próprio goleiro na sua área de gol.

14.2 O tiro de 7m é um lançamento direto ao gol e deve ser executado dentro dos 3 segundos após o apito do árbitro.

REGRA 15 - O TIRO DE ÁRBITRO
15.1 Um tiro de árbitro é ordenado nos seguintes casos:
A) Quando os jogadores das duas equipes cometem ações anti-regulamentares ao mesmo tempo, na quadra.
B) Quando a bola toca o teto ou objeto fixado sobre a quadra (11.2, 12.3, 13.2, 18.7c)
C) Quando o jogo é interrompido sem que tenha havido qualquer infração, e a bola não esteja em poder de nenhuma equipe.
15.2 Sem apitar o árbitro central lança a bola verticalmente para cima no local onde ela se encontrava no momento da interrupção do jogo.
Se este local está situado entre as linhas de área de gol e de tiro livre, o tiro de árbitro é executado do local mais próximo fora da linha de tiro livre.

15.3 Na execução de um tiro de árbitro, todos os jogadores, salvo um de cada equipe, devem estar pelo menos 3m do árbitro (13.1o). Os dois jogadores devem estar um de cada lado do árbitro, cada um do lado de seu próprio gol. A bola somente poderá ser jogada quando atingir o seu ponto mais alto.
Obs: Os jogadores poderão tocar, ou dominar a bola para si mesmo.

REGRA 16 - A EXECUÇÃO DOS TIROS
16.1 Antes da execução de qualquer tiro, a bola deve estar na mão do executor, e todos os jogadores devem tomar posição, de acordo com as regras do tiroem questão. * Ver todavia 16.7.

16.4 Os tiros são considerados executados, assim que a bola tenha deixado a mão do executor. * Ver todavia 12.2 e 15.3.
Durante a execução de todos os tiros, a bola deve ser lançada e não deve ser entregue, nem tocada por um companheiro de equipe.

16.7 Durante a execução de um tiro de lateral, ou de tiro livre, os árbitros não devem corrigir uma posição irregular dos adversários, se, com uma execução imediata, esta incorreção não causa nenhum prejuízo à equipe atacante. Quando esta incorreção causar prejuízo, a posição irregular deve ser corrigida.
Se os árbitros apitam ordenando a execução de um tiro, apesar da posição irregular de um adversário , este tem o direito de intervir normalmente no jogo e não pode ser punido por sua ação.

REGRA 17 - AS SANÇÕES
17.1 Uma advertência pode ser dada:
A) No caso de conduta anti-regulamentar para com o adversário (5.6, 8.4-11).
Uma advertência será dada:
B) Faltas pertinentes à conduta anti-regulamentar para com o adversário são punidas progressivamente (8.13).
C) Faltas quando o adversário está executando um tiro (16.7)
D) Conduta antidesportiva de parte do jogador ou oficial (17.11, 17.12a,c)

17.3 Uma exclusão deve ser dada nos seguintes casos:
A) Substituição irregular ou entrada na quadra de jogo anti-regulamentar.
B) Por repetidas infrações no comportamento para com o adversário, sancionado progressivamente.
C) Conduta antidesportiva repetida por parte de um jogador na quadra de jogo.
D) O jogador que não liberar imediatamente a bola quando os árbitros tomam uma decisão contra sua equipe.
E) Irregularidades repetidas quando da execução dos tiros pela equipe adversária.
Em casos excepcionais, uma exclusão pode ser dada sem advertência prévia.

17.5 Uma desqualificação será dada nos seguintes casos:
A) Entrada, na quadra de jogo, de um jogador não inscrito na súmula de jogo.
B) Irregularidades graves na conduta para com o adversário.
C) Conduta antidesportiva repetida por um oficial ou um jogador fora de quadra (17.11 e 17.12d)
D) Conduta antidesportiva grave, igualmente por parte de um oficial (17.11, 17.12b,d)
E) Depois de uma terceira exclusão de um mesmo jogador
F) Agressão fora da quadra de jogo por um jogador ou um oficial.
A desqualificação de um jogador na quadra sempre vai acompanhada de uma exclusão, ou seja, a equipe fica com menos 1 jogador por 2 minutosm podendo a equipe ser completada após esse perídodo.

17.7 Uma expulsão será dada, em caso de agressão dentro da quadra (8.15, 8.17p e 17.11) Uma expulsão considera-se uma intervenção física irregular, particularmente forte (8.15), cometida contra o corpo de um jogador, árbitro, secretário/cronometrista, oficial ou espectador.

17.11 Em caso de conduta anti-desportiva, os árbitros devem dar umaadvertência ao jogador (17.1d), encontrando-se ele dentro ou fora da quadra.
Em caso de reincidência, o jogador é excluído (17.3e) se ele se encontra na quadra. Ele é desqualificado (17.5) se encontrar-se fora dela.
O comportamento anti-desportivo de um oficial deve ser punido com advertência (17.1d) e, em caso de reincidência, com uma desqualificação. Igualmente, no segundo caso, não poderá permanecer na zona de substituições,
Por ocasião de uma conduta irregular (atitude anti-desportiva ou agressão), ocorrida durante uma interrupção de jogo ou "time-out" (paralisação do tempo de jogo), o jogo será retomado pelo tiro ordenado quando da interrupção

17.12 A conduta antidesportiva ou agressào dentro da quadra de jogo deve punir-se como se segue:
Antes do jogo:
A) No caso de conduta antidesportiva, por uma advertência (17.1d)
B) Conduta antidesportiva ou agressão, por desqualificação (17,5d,f).
Durante o intervalo:
C) No caso de conduta antidesportiva, com uma advertência (17,1d)
D) No caso de conduta antidesportiva grave ou repetida, ou agressão, por desqualificação (17,5c,d,f).
Após o jogo:
E) Relatório escrito.

REGRA 18 - OS ÁRBITROS
18.1 Cada jogo é dirigido por dois árbitros, tendo ambos os mesmos direitos. São assistidos por um secretário e um cronometrista

18.7 Em princípio, compete ao árbitro central apitar:
A) A execução do tiro de saída.
B) A execução do tiro de 7 metros.
C) A execução de todos os tiros e após a paralisação do tempo de jogo (18.11)
O árbitro de gol usará o seu apito:
D) Quando um gol tiver sido marcado (9.1).

18.11 Ambos os árbitros são encarregados e responsáveis pelo controle do tempo de jogo. Em caso de dúvida sobre a exatidão da cronometragem, a decisão caberá ao árbitro designado em primeiro lugar na convocação oficial.

REGRA 19 - O SECRETÁRIO E O CRONOMETRISTA
19.1 O secretário controla a relação dos jogadores (somente os jogadores inscritos estão qualificados) e, com o cronometrista, a entrada dos jogadores que completam sua equipe ou os jogadores excluídos.
Ele preenche a súmula, indicando os dados necessários (gols, advertências, exclusões, desqualificações e expulsões).

O cronometrista controla:
A) O tempo de jogo; os árbitros decidem quando o cronômetro deve ser parado e quando novamente será acionado.
B) O número de jogadores e oficiais no banco de reservas.
C) Com o secretário, a entrada dos jogadores que completam as equipes.
D) A entrada e saída dos substitutos
E) A entrada dos jogadores não admitidos
F) O tempo de exclusão dos jogadores.
O cronometrista indica o final do 1º tempo e o final do jogo, com um sinal claramente audível (ver, todavia, 2.2 e 2.5).


Fonte: terravista.pt

A História do Handebol II

O Handebol é mais uma das modalidades desportivas que o Velho Mundo nos enviou. Anteriormente, o handebol já apresentou grandes distinções em termos de preferência entre o que se chamou Handebol de campo e handebol de Salão. Hoje, a carência de locais no Brasil, ou melhor, a maior disponibilidade de quadras e não de campos, fez prevalecer o handebol de salão, que absorveu a prática da modalidade em todo País.

No início, quando o desporto foi introduzido no Brasil, foram creditados ao handebol de campo os méritos da organização oficial e do reconhecimento da modalidade como desporto oficial no Brasil.


A primeira Federação de handebol foi a Federação Paulista e o primeiro campeonato oficial da modalidade, disputado no Brasil, ocorreu na cidade de São Paulo, não tendo sido, entretanto, certame estadual e sim um campeonato da capital. Atualmente, nem a própria Federação Paulista de handebol promove competições de handebol de campo. Consequentemente, a Confederação Brasileira de Handebol destina-se, também, exclusivamente, ao handebol de salão.

Essa modalidade do desporto foi, em nosso País, a que mais fez sentir a influência das competições estudantis. Daí, o handebol ganhou o povo e pela prática reiterada alcançou foros de desporto comunitário de alto nível.

O handebol foi idealizado por um professor de educação Física, o alemão Karl Sshelenz que, procurando dar às suas classes femininas uma atividade alegre e movimentada, criou o handebol com base num jogo tcheco chamado “Azena”. Por volta de 1914, Berlim foi palco das primeiras disputas que se desenrolaram num campo de 40x20 metros. Depois passou a ser praticado por homens, por isso, foram modificadas algumas regras e aumentadas as dimensões do campo, passando para 40x80 metros, Mais tarde, as medidas foram igualadas às de um campo de futebol, já com onze jogadores, com a bola reduzida de tamanho, permitindo o manuseio com uma só mão. Isto proporcionou maior movimentação e satisfação na prática do jogo. Esse era o handebol de campo.

Como o idealizador foi um professor de educação física, o handebol, naturalmente tomou maior impulso no meio estudantil. Suas características, facilidade de na aprendizagem e execução natural dos fundamentos, permitiram o emprego da velocidade, movimentação, força nos arremessos, habilidade no manejo da bola, além de proporcionar aos mestres a possibilidade de educar pelo jogo. Difundiu-se na Alemanha, Áustria, Suécia, Dinamarca e Checoslováquia, países que realizavam entre si as primeiras partidas internacionais. Em 1927, foi criada a Federação Internacional de Handebol, com 39 países inscritos, mas somente em 1938 foi incluído nos Jogos Olímpicos de Berlim, sagrando-se campeão a Alemanha.

Os rigores dos inverno não permitiam a prática do handebol em campo aberto, fato que levou este esporte a uma adaptação, para que pudesse ser praticado em recinto fechado e de menor tamanho. Coube aos suecos a inovação que foi o “inne-hand-ball” (handebol no interior) ou “hallen-handeball” (handebol de salão) como o chamam os alemães, diminuindo o tamanho do campo e o numero de jogadores, que passou a ser de sete atletas. Com isso, as jogadas ganharam em movimentação e rapidez. A natureza do piso possibilitava a maior movimentação com a bola. O campo, por ser de dimensões menores, permitia a todos os jogadores em campo atacarem e defenderem em bloco, o que imprimia às jogadas uma espantosa velocidade, com grandes possibilidades de gol.

O handebol de salão tornou-se um esporte independente, com técnica e tática própria, suplantando o handebol de campo, que sofreu a concorrência do futebol, mais atraente e já implantado em todos os países do mundo.

O handebol veio para o Brasil por volta de 1930. Difundiu-se inicialmente em São Paulo onde, em 16 de fevereiro de 1940, foi fundada a Federação Paulista de Handebol. Inicialmente, o handebol foi praticado por onze jogadores isoladamente, por grupos de colônias estrangeiras e por alguns clubes classistas e equipes de firmas comerciais. Mais tarde, este esporte obteve grande difusão nos meios estudantis, graças aos professores de educação física, que desenvolveram um trabalho de profundidade nas escolas primárias. Atualmente já se consolidou em grande numero de escolas secundárias e clubes.

A exemplo do futebol, o árbitro, por sorteio antes do inicio da partida, permitirá ao capitão da equipe favorecida no sorteio, que escolha entre a saída da bola ou a escolha do meio campo que pretende defender no primeiro tempo de jogo.

No momento da saída as equipes deverão permanecer com todos os seus jogadores no campo de defesa, devendo ser mantido um afastamento de três metros no minimo da equipe adversária em relação á linha que divide a quadra. A saída pode ser dada em qualquer direção, após a autorização do juiz.
Nenhuma equipe pode iniciar o jogo sem que apresentem em campo no mínimo cinco jogadores e no máximo sete jogadores dos doze que compõem a equipe. Se ocorrer o fato de uma equiper não apresentar os cincos jogadores pelo menos, para iniciar o jogo, será desclassificada e a vitória será da equipe adversária por WxO.

Fonte: museudosesportes.com.br

Três maneiras para se jogar Handebol

O handebol pode ser jogado de três maneiras: indoor, o mais praticado no Brasil; outdoor (ou de campo) e o de praia (beach handball).

O esporte disputado em uma quadra ou ginásio é o único considerado como modalidade olímpica. Cada equipe é composta por 7 jogadores.

No outdoor, praticado em campos ao ar livre, são 11 jogadores de cada lado, mas não é praticado muito nos dias de hoje.

Já as equipes do handebol de praia, jogam com 8 atletas, entre eles o goleiro.

Gestor ou Professor ?Drª Maria José Carvalho

O técnico superior de desporto de uma autarquia local aproxima-se mais da função de um gestor desportivo ou de um professor de educação física?
Esta questão que poderá parecer descabida ou despropositada foi-me colocada por uma estudante de forma muito ajustada e à qual eu respondi, provavelmente de forma precipitada, que correspondia à figura do gestor desportivo.
Desejando a estudante em causa concorrer futuramente a um dos nossos municípios para exercer tal actividade profissional, seguiu uma recomendação minha de procurar no Diário da República diversos concursos públicos para essa actividade e analisar os critérios de recrutamento.
De facto, os concursos, e muitos foram analisados, são dúbios quanto ao perfil do técnico superior de desporto. As dúvidas e perplexidades no fim destas leituras desabrocharam nesta estudante que, para além de confusa ficou assustada face, por um lado, às inúmeras exigências que observou em determinados concursos e por outro lado, relativamente às diferenciadas funções que são exigidas a tal profissional.
De facto, entre muitas outras, elencou diferentes tarefas descortinadas em diversos concursos públicos, tais como:
- Consultoria, estudos, planeamento, programação, avaliação e aplicação de métodos e processos de natureza técnica/científica, tomando decisões;
- Recolher, seleccionar e tratar informação, planificar e definir estratégias com vista a uma boa rentabilização social e desportiva dos recursos existentes, com o objectivo de oferecer e prestar um serviço de qualidade;
- Representação do órgão ou serviço em assuntos da sua especialidade, com tomadas de decisões de carácter técnico, enquadradas por directivas ou orientações superiores;
- Gestão e coordenação de eventos desportivos;
- Preparação e acompanhamento de programas de modalidades desportivas;
- Planificar as épocas desportivas das Piscinas municipais, leccionar e assegurar diariamente as aulas, as turmas e os horários da Escola de Actividades Aquáticas.

Contudo, nem tudo a decepciona, resta-lhe a satisfação de pretender licenciar-se em Ciências do Desporto no ramo opcional de Gestão Desportiva, pois assim sentir-se-á mais habilitada ao exercicio profissional numa realidade de grande hibridismo no desempenho de funções de gestão e funções de leccionação como é paradigmático o caso do técnico superior de desporto.
Que pensam disto os licenciados em Gestão do Desporto? Em que mercados profissionais se podem afirmar categoricamente estes licenciados?
Estas e muitas outras questões deverão ter a sua pertinência no X Congresso da APOGESD o qual visa debater as principais questões relacionadas com o emprego e as diversas oportunidades de negócio/actividade na Gestão do Desporto.
Aqui fica o convite de rumar até à Covilhã e enriquecer o debate e a reflexão sobre a Gestão do Desporto.

http://colectividadedesportiva.blogspot.com/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sou professor de iniciação ao Handebol, e agora?,Lucas Leonardo

Quantas vezes em nossa carreira profissional não surgem novas oportunidades que as vezes deixamos escapar por falta de conhecimento e/ou de coragem de arriscar em uma área praticamente desconhecida?

Refletindo sobre nossa formação acadêmica, nós profissionais de educação física que tivemos um passado como atletas ou como praticantes assíduos de determinadas modalidades, quase sempre pendemos para dar mais atenção para modalidades esportivas às quais tivemos contato prévio, deixando sempre a desejar um pouco de atenção para aquelas modalidades às quais não tivemos contato ou não temos interesse em nossa época de formação.

Em algumas universidades e faculdades, por sinal, nós ainda quando graduandos ou recém chegados na vida acadêmica temos a possibilidade, inclusive, de escolher quais modalidades esportivas são de nosso interesse para termos aulas sobre estas, descartando literalmente a possibilidade de acesso às outras. Grande falha das instituições de ensino superior (IES), mas essa balisada pelo histórico de alunos que ao passarem por aulas de modalidades as quais não têm interesse real, geralmente não demonstram o menor esforço de aprendizagem do mínimo para saber ministrar aulas de diferentes modalidades esportivas.

Mas o mercado está aí, e não somos nós que o regulamos.
Este artigo vem para aqueles que, depois de uma formação profissional deficitária, seja pelo perfil da IES, seja pelo seu interesse naquela ou noutra disciplina, encaram a seguinte pergunta: Sou professor, tenho que ministrar aulas de handebol na iniciação, e agora?

Uma das saídas mais comuns para esse tipo de problema, quando a situação é aceita – a final, não conheço uma classe profissional mais “corajosa” para encarar novos desafios do que a nossa – é a busca de referências em livros técnicos de handebol e também livros de regras. Outra saída comum é buscar com algum conhecido que tenha sido atleta da modalidade dicas sobre o que ele fazia quando atleta para reproduzir tais atividades em nossas aulas da iniciação.

Essas alternativas mais tradicionais correm para um risco – tornar nossas aulas de iniciação de handebol um ambiente de TREINAMENTO DE HANDEBOL.

A busca desse tipo de referencial quase sempre decai sobre uma forma de ensino tradicional da modalidade, pautada em modelos competitivos e pouco adaptável à realidade de nossos alunos iniciantes na modalidade, transformando um ambiente de INICIAÇÃO em um ambiente que anseia por ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE e RESULTADOS IMEDIATOS – nada mais contraditório!

Trago nesse artigo uma proposta metodológica, que apesar de buscar o conhecimento da modalidade em seus aspectos técnicos e também quanto às regras do jogo, tem como objetivo exatamente fazer com que através de adaptação desses elementos os alunos possam ter acesso à modalidade de maneira que os motive nas aulas, que possibilite a participação dos alunos através da maior inclusão possível de todos nas aulas e que balisem a atuação do professor em paradigmas diferentes daqueles do alto-rendimento.
Uma maneira de encontrar ferramentas de atuação como professor de handebol é apontada por Daolio (2002) em um artigo onde ele propõe o ensino dos jogos desportivos coletivos (JDC) a partir da compreensão de seus princípios. Os princípios dos JDC são, segundo Daolio baseado em Bayer (1992), descritos de acordo com as relações descritas no quadro abaixo:

A interpretação desse quadro deve ter como referência a posse de bola, nos levando à seguinte leitura:
Num jogo, a equipe que detém a posse de bola (atacante) deve manter sua posse, buscando avançar à meta adversária, visando marcar um ponto. Em contrapartida, quando a equipe em posse de bola tenta mantê-la, a equipe defensora deve buscar recuperá-la, evitando a progressão adversária à sua meta, que deve estar sempre protegida.

Podemos observar que esses seis princípios interagem entre si. Esses princípios são inerentes a qualquer JDC que possua a característica de disputa direta pela bola através da invasão do campo adversário. Estão nesse grupo, além do handebol, também o futebol, basquetebol, rugby, hóquei, etc..

Observando esse quadro e a relação desses princípios do jogo, podemos ter nele dicas importantes que agregadas ao conhecimento das regras da modalidade, nos permitirão desconstruir a necessidade de termos como referencial de ensino a abordagem competitiva do handebol.

O conhecimento de regras básicas da modalidade, tais como o trifásico, o duplo trifásico, a necessidade de cobrança dos laterais com um dos membros sobre a linha lateral, as possibilidades de utilização de goleiro como jogador de linha, o fato de não haver escanteio caso o goleiro espalme a bola pela linha de fundo e a existência de uma área restrita para os jogadores da linha, por exemplo, associado ao conhecimento dos Princípios que regem os JDC podem nos indicar um caminho sólido para a iniciação ao handebol.

Vejamos um exemplo de atividade que pode ser orientada a partir do conhecimento dos Princípios do Jogo e das regras do handebol a cima descritas:
Tendo como base as relações de progressão à meta pela equipe atacante e as ações contrárias da equipe defensora, podemos desenvolver uma atividade em espaço reduzido no qual o alvo, seja na realidade um “alvo-companheiro” móvel, ou seja, um jogador da equipe que ataca – facilitando o acesso ao alvo – protegido por uma área onde ninguém possa ter contato e limitado em seu deslocamento por uma área menor e interna à área maior, e disputado numa estrutura 3×3+”alvos-companheiros”

A estrutura da atividade poderia ser a seguinte, por exemplo:

Fig 1. Estrutura da atividade disputada em 3×3 mais “alvo-companheiro”

Fig 2. Estrutura da atividade disputada em 3×3 mais “alvo-companheiro” organizada no espaço de uma quadra poliesportiva comum – 3 bolas e 24 alunos em atividade simultaneamente

Nessa atividade os jogadores da linha têm que entregar a bola para o “alvo-companheiro” sem poder, porém pisar na área do alvo, não valendo lançar a bola ao “alvo-companheiro”, que por sua vez, por ter um limite espacial onde possa se deslocar possibiliatrá o estimulo dos jogadores da linha a saltar em progressão ao alvo. Cada jogador terá a chance de dar três passos com a bola ou ficar 3 segundos com a bola na mão sem movimento, não valendo quicar a bola (driblar).

Trata-se, portanto, de uma atividade baseada por regras específicas da modalidade, tais como as áreas limitando a ação dos jogadores de linha, a possibilidade do trifásico – pensando o aprendizado do trifásico, colocaremos como a única forma de deslocamento a realização das três passadas, visando concentração da atenção nessa forma de deslocamento – tendo como princípio regente da atividade a progressão da bola em direção ao alvo adversário.

Outras atividades podem ser pensadas a partir das relações dos princípios do jogo, tal como atividades de manutenção de posse de bola de uma equipe contra a tentativa de recuperar a posse de bola por outra equipe, na qual vale deslocar-se apenas sem bola, ou se com bola apenas driblando, em pequenas equipes de 4 ou 5 jogadores, e a cada 10 passes a equipe perde um jogador para a equipe que tenta recuperar a posse da bola;
Estrutura possível para essa atividade:

Fig 3. Estrutura da atividade com base nos princípios de Manutenção e Recuperação da Posse de Bola
Atividades exclusivas de finalização ao alvo e defesa do alvo, no qual grupos de 3 jogadores devem realizar finalizações a gol de uma determinada região da quadra (pontas, armação esquerda – 1ª ou 2ª linha ofensiva) tendo que percorrer toda a extensão da quadra com apenas 2 passes ou menos, não podendo quicar a bola mas podendo apenas realizar o trifásico para deslocar-se, sem a presença de adversários de linha, tendo como adversários o limite de passes e também a presença de 3 goleiros fechando o gol – trio que atacou anteriormente que estará sendo exposto à situação em que o goleiro deve posicionar-se de forma a não deixar o goleiro que fica mais a frente cobrir a visão da bola, semelhante ao marcador que posiciona-se em defesa zona, fechando o máximo de espaço do atacante-finalizador – estimulando a busca de espaços vazios onde a bola possa ser colocada no gol para os atacantes
Estrutura possível:

Fig 4. Estrutura da atividade com base nos princípios de Finalização ao Alvo e Defesa do Alvo com 3 goleiros
É possível observar, portanto, que mesmo que nunca tenhamos tido contato com o handebol, basear-se nos princípios que regem os JDC e associando às regras da modalidade que determinam suas particularidades, pode-se ter uma fonte rica de criação de jogos que com uma pitada de criatividade nos leva a um universo de jogos que desconstruam a necessidade de ter como referencial o handebol competitivo, tornando possível aos alunos acesso aos princípios do handebol de forma gradual, estimulante e diversificada.
Se você se vir na seguinte situação: “Sou professor de iniciação ao Handebol” espero que com essas bases em vez de você pensar “e agora?” surja um sentimento de “vamos lá!”

Bibliografia
BAYER, Claude. La Enseñanza de los Juegos Deportivos Colectivos. 2. ed. Barcelona: Hispano Europea, 1992.
DAOLIO, Jocimar. Jogos esportivos coletivos: dos princípios operacionais aos gestos técnicos – modelo pendular a partir das idéias de Claude Bayer. In: Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília v.10, n.4, p.99-104, Outubro. 2002